Doces, pinturas, tangas, café e outros produtos a serem vendidos na Copa (Foto: Montagem/G1)
Tanga verde e amarela com bojo no bumbum, gel beijável sensual de
caipirinha, bombom de pequi (um fruto do cerrado brasileiro), chinelos
com a bandeira do Brasil, pinturas que representam a cultura brasileira,
chapéu dobrável para assistir aos jogos, mesa e cadeiras que formam o
desenho da bandeira nacional, cupcakes decorados com camisas da seleção,
café com tema do Maracanã... Parecer não ter fim a lista de produtos
desenvolvidos por brasileiros para ganhar um dinheiro extra durante a
Copa do Mundo. O
G1 reuniu histórias de empreendedores pelo país que buscam lucrar com o campeonato.
O ex-jogador de futebol Alexandre Ferreira, de 24 anos, de Brasília,
largou as chuteiras para investir em um hobby que se tornou bastante
lucrativo: a fabricação de bombons finos. O jovem conta que já jogou em
times como Goiás (GO), Gama (DF), Paraná Clube (PR), Holanda (AM) e
Vitória (BA). Aos 19 anos, começou a fabricar chocolates com técnicas
que aprendeu com a mãe de um amigo de equipe. Em 2011, criou a Aguimar
Ferreira Bombons Finos (inspirada no nome de seus pais). “Hoje não jogo
mais profissionalmente. Decidi me dedicar 100% ao negócio desde 2013.”
Alexandre faz bombons desde os 19 anos
(Foto: André Borges/Divulgação)
Para ampliar ainda mais os ganhos, ele criou uma linha exclusiva de
chocolates para a Copa. “Foram cerca de seis meses de pesquisa de campo
sobre tradições culinárias dos países participantes do torneio, análises
de sabores e texturas, até chegar ao produto final”, explica.
A linha “Sabores da Copa” homenageia sete países com oito bombons:
Brasil, com sabores de pequi (um fruto do cerrado brasileiro) e
caipirinha, Argentina, com sabor de alfajor com doce de leite argentino,
Espanha (sabor de damasco); Itália (pistache), França (champanhe),
México (chocolate com pimenta) e Estados Unidos (mirtilo ou blueberry).
De acordo com o empresário, a linha para a Copa é feita com chocolate
belga e a bandeira dos países é impressa diretamente no chocolate. A
caixa com nove bombons custa R$ 45. “O crescimento nas vendas com a nova
linha aumentou em 100% e a expectativa até a Copa é que chegue a 200%
de aumento [em relação aos meses anteriores]”, estima.
Ana Claudia faz tangas com bojo (Foto: Divulgação)
Tanga que aumenta o bumbum
A empreendedora Ana Claudia Moreira, de 45 anos, do Rio de Janeiro, da
Brazilian Secret, resolveu aprimorar para a Copa um produto que
desenvolveu em 2003: uma tanga com bojo que faz um efeito ‘lift’ (de
‘elevação’) na parte superior dos glúteos. Ela teve a ideia quando
viajou aos Estados Unidos e notou que o bumbum das americanas é menor
que o das brasileiras, mas o produto pode ser usado por qualquer pessoa
que se interessar, diz.
“Quando fui para os Estados Unidos, o pessoal sempre brincava que
estrangeira não tem bumbum e comecei a desenvolver alguma coisa com bojo
(...). Depois de um ano e meio consegui chegar no protótipo. Eu queria o
efeito ‘lift”, diz. “Dá um efeito super natural, é super sutil, ninguém
vê que se está usando.”
Para a Copa, ela criou modelos com as cores da bandeira do Brasil. O preço é de aproximadamente R$ 40.
Gel de caipirinha e vela sensual (Foto: Divulgação)
Cosméticos sensuais
Alessandra Seitz, proprietária da INTT Cosméticos, fabrica "cosméticos
sensuais" (como velas para massagem e géis beijáveis) e criou itens nas
cores da bandeira do Brasil – há gel corporal beijável de “caipirinha”,
velinhas para massagem verde e amarelas, cachaças em miniatura, entre
outros. Os preços médios são de R$ 20 a R$ 50.
As vendas são feitas em sex shops e pela internet. “Estou prevendo
crescimento de 20% com esses produtos. O investimento já valeu muito a
pena, muita coisa já foi vendida.”
Márcia e Ricardo criam cupcakes (Foto: Divulgação)
Cupcakes com tema da seleção
O casal de empreendedores Márcia Petry, de 39 anos, e Ricardo Papa, de
43, donos da Fábrica de Cupcakes, em Goiânia, decorou os minibolos com
cores da bandeira do Brasil e símbolos da Copa (como camisetas, bolas e
troféu). “Buscamos fazer a base de pasta de leite em pó em miniaturas
dos ícones do futebol e da Copa do Mundo”, explica Márcia.
“No começo de 2014, as vendas começaram a aumentar e acreditamos que
vão superar nossas expectativas. Elas vêm crescendo numa razão de 50% ao
mês e esperamos que cheguem a 30% do total de nossas vendas”, diz.
Os dois abriram a empresa em 2013 para mudar de vida e ter mais tempo
para cuidar do filho. Os cupcakes mais vendidos são de chocolate, banana
caramelada e abacaxi ao caramelo, morango, maracujá e cappuccino. Cada
um custa R$ 3.
Maracafé mira os turistas (Foto: Divulgação)
Café com tema do Maracanã
Paulo Roberto Correia, de 62 anos, do Rio de Janeiro, criou a marca de
café "Maracafé", que tem a imagem do Maracanã na embalagem do produto. O
público-alvo são turistas estrangeiros que querem levar para casa o
tradicional café brasileiro.
O lançamento será um pouco antes do início do campeonato. Ele vai
lançar também neste ano um porta copo de café no formato do Maracanã,
para os turistas comprarem de souvenir. “Como eu gosto muito de futebol,
pensei em fazer algo que remetesse ao Maracanã”, disse.
Nahilton fabrica chapéu dobrável (Foto: Divulgação)
Chapéu dobrável
O empreendedor Nahilton Madruga, de 37 anos, de Fortaleza, abriu há
dois anos uma importadora e, numa viagem à China, conheceu um modelo de
chapéu dobrável. Pensando nos eventos esportivos no Brasil, comprou
algumas amostras e conseguiu fabricar o produto em sua empresa, com mão
de obra local, afirma.
“Ele é um souvenir. Um chapéu tipo 'cowboy' que pode ser guardado em
uma pequena bolsa que acompanha o produto. O usuário pode guardar o
chapéu no bolso quando não for mais usar." Ele criou um design com as
cores da bandeira e o nome Brasil. "Chegamos a vender cerca de 12 mil
unidades durante a Copa das Confederações”, diz, explicando, contudo,
que a quantidade ficou abaixo do que esperava. “Para este ano, a
expectativa de venda dos lojistas para a Copa do Mundo está um pouco
melhor e esperamos tirar proveito. O produto custa a partir de R$ 7, mas
o custo pode ser reduzido de acordo com a quantidade", revela.
Mesa em formato de bandeira (Foto: Divulgação)
Mesa em formato da bandeira do Brasil
No Rio de Janeiro, a arquiteta Maria Helena Torres, de 53 anos, criou
uma mesa de madeira que, junto com as cadeiras, forma o desenho da
bandeira do Brasil. Ela não fez o móvel pensando na Copa, mas percebeu
que a proposta se encaixa com o tema do mundial. O item está no catálogo
de amostra do Sebrae-RJ de produtos para o evento. O preço gira em
torno de R$ 2,5 mil.
“É um conjunto formado por uma mesa central e quatro módulos que se
encaixam. O conjunto é produzido em MDF revestido de folheado madeirado
marfim representando o amarelo e fórmicas verde e azul”, explica.
Há chinelos de vários países (Foto: Divulgação)
Chinelos temáticos
A empresária Rosangela Golmia fabrica chinelos desde 2010 em São Paulo e
resolveu investir em pares com cores e bandeira do Brasil e de outros
países que jogarão no campeonato. Os pares custam de R$ 6,90 a R$ 8,99.
Ela criou a Só Chinelos em 2010. Conta que viu a festa de casamento de
uma celebridade na TV em que foram distribuídos chinelos personalizados
aos convidados. “Achei interessante a ideia de descer do salto”, revela.
Hoje a empresa produz 30 mil pares ao mês. Há encomendas para festas e
eventos, empresas (que dão os chinelos como brinde), comércios e
distribuidores. “Com a Copa, tivemos um aumento de 20%.”
Cerâmicas inspiradas no Brasil (Foto: Divulgação)
Cerâmicas
A artesã Beth França, de 45 anos, criou uma empresa de peças de
cerâmica, a Barro Chic, em 2012, em Salvador. Em dezembro de 2013, ela
teve a ideia de personalizá-las com cores da Copa e desde então aumentou
a produção em 100%.
Entre os principais produtos estão flores decorativas de barro, frutas e vasinhos aromatizadores – tudo feito manualmente.
“Eu tenho uma linha chamada verde e amarelo, só trabalhando frutas em
verde e amarelo, e as flores ênfase em azul”, diz. Há produtos de R$ 5 a
R$ 10.
Anneliese vende itens do Brasil (Foto: Divulgação)
Lembrancinhas
Em São Paulo, Anneliese Lukine, de 48 anos, dona da Sampa In Stampa
(que vende produtos com temas da capital paulista), ampliou no leque de
mercadorias com o tema do Brasil.
Ela explica que de 20% a 30% dos produtos oferecidos já eram itens
sobre o Brasil, mas agora eles são 50%. Com a temática há, por exemplo,
camisetas a partir de R$ 38, chaveiros a partir de R$ 5 e bonés a partir
de R$ 19,90. “Estamos bastante otimistas, pois já sentimos o movimento
crescer. Com o cenário atual esperamos aumentar as vendas em 40%”, diz.
Sócios vendem itens do Brasil (Foto: Divulgação)
E-commerce
Também na capital paulista, os empresários Eduardo Sani, de 31 anos, e
Vinícius Prado, de 26, criaram um site para a venda de produtos para o
torcedor brasileiro (como vuvuzelas – corneta que ficou famosa durante a
Copa de 2010 –, camisetas e perucas), chamado Vuvuzelas do Brasil. “A
ideia surgiu de um dado do próprio Google. Vi que os usuários ainda
buscavam pela palavra 'vuvuzela'. Não tinha em mente criar um
e-commerce, mas vendo o potencial e a oportunidade que tinha com a Copa
resolvi arriscar”, diz Sani.
O site está no ar desde março de 2013 e ele diz que o produto mais
vendido é justamente a vuvuzela, que sai por R$ 6,99. “Talvez pelo nome
do site tenhamos atraídos mais clientes interessados em vuvuzelas.” A
expectativa é vender 50 mil vuvuzelas durante o período da Copa.
Artista Miriam Merci cria quadros (Foto: Divulgação)
Quadros e pinturas
A artista plástica Míriam Mercia da Silva Andrade, de 53 anos, de
Fortaleza, criou bandeiras estilizadas e personalizadas com o tema do
Brasil quando o país foi escolhido para sediar a Copa deste ano. “Já
foram vendidas mais de 1 mil bandeiras em pinturas originas, reproduções
em telas, canecas personalizadas e camisetas personalizadas com as
minhas pinturas. No Brasil e no exterior”, revela. Os itens custam de R$
10 a R$ 500.
Thiago vende sanduíches (Foto: Arquivo Pessoal)
Sanduíches naturais
O empresário Thiago Cardoso Collares Moreira, de 27 anos, do Maranhão,
da fabricante de lanches naturais SM Sanduiches, vai vender o produto a
hotéis e aeroportos. “Nossa franquia em Fortaleza tem atuado desde a
Copa das Confederações, onde fornecemos para seleções europeias que
fizeram jogos na cidade. Para os jogos da Copa do Mundo, vamos abastecer
toda a rede hoteleira [do Maranhão e Ceará] e diversos estabelecimentos
da região, além de aeroportos e empresas que trabalharão diretamente no
estádio e entornos”, afirmou.
De acordo com ele, as vendas aumentaram 45% em maio e é esperado
crescimento de até 80% na Copa. Os sanduíches chegam ao consumidor a uma
média de R$ 5. Também há saladas, por R$ 15.
Cosméticos são feitos com mel (Foto: Divulgação)
Cosméticos para hotéis
O empresário Mauro carvalho de Oliveira, de 46 anos, da Realgem’s
Amenities, em Curitiba, vai vender cosméticos para hotéis (que são
chamados de amenities) com extrato de mel produzido por agricultores
gaúchos.
Os produtos foram desenvolvidos em um projeto em parceria com órgãos do
governo. “Desde o início nosso objetivo era justamente criar uma linha
que pudesse ser vendida com apelos para a Copa. Mas é importante
destacar que essa linha estará também disponível para os jogos olímpicos
e até 2020. Não é exclusiva para a Copa”, explica Oliveira.
Os produtos começaram a ser vendidos em abril deste ano para uma grande
rede hoteleira que vai oferecer os cosméticos aos hóspedes. A linha é
formada por sabonetes, shampoo, condicionador, sabonete líquido/banho de
espuma e loção hidratante.
Marcos venderá o 'cajón' (Foto: Divulgação)
‘Cajóns’
De Rondônia, Marcos Brandão de Oliveira, de 40 anos, fabrica um
instrumento musical chamado ‘cajón’ (instrumento afro-peruano de
madeira) e vai vendê-lo em Manaus em exposição com peças brasileiras
durante o período da Copa.
Ele diz que conheceu o instrumento em 2010 e se apaixonou. “Foi amor à
primeira vista.” Tentou encontrar para comprar, mas encontrou um projeto
na internet para fabricá-lo sozinho. “Fiz o meu e os amigos gostaram,
então, não parei mais.”
Ele participou de um projeto do Sebrae voltado para produção de artigos
de artesanato para a Copa e teve três instrumentos selecionados: Cajón
Bongô (toca-se entre as pernas e de um lado do tampo há o som de um
Cajón, como som de esteirinha e bumbo, e no outro lado há dois tons de
bongô, grave e agudo), Tambor e o Bongô (tocado entre as pernas ou num
pedestal). Os preço variam de R$ 200 a R$ 750.