
Abril Azul: inclusão de autistas em condomínios exige informação e adaptação
Tema foi discutido no podcast CondComunica, que aponta caminhos para reduzir conflitos em ambientes coletivos
O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo
celebrado hoje, 2, reforça a importância de ampliar o conhecimento
sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e combater o preconceito.
Em meio ao chamado “Abril Azul”, o tema ganha relevância também nos
espaços de convivência coletiva, como os condomínios, onde desafios
relacionados à inclusão ainda são frequentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70
milhões de pessoas no mundo estão no espectro autista. No Brasil, a
estimativa é de aproximadamente 2 milhões de pessoas, o que torna cada
vez mais comum a convivência com indivíduos autistas em diferentes
ambientes — inclusive nos empreendimentos residenciais.
A legislação brasileira avançou na garantia de direitos. A Lei nº
13.977/2020, conhecida como Lei Romeo Mion, criou a Carteira de
Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA),
assegurando prioridade no atendimento e acesso a serviços públicos e
privados. A norma complementa a Política Nacional de Proteção dos
Direitos da Pessoa com TEA, instituída pela Lei nº 12.764/2012.
O tema foi discutido no podcast CondComunica, que dedicou um
episódio à neurodivergência em condomínios. Durante o programa, a
advogada condominialista e psicóloga Carla Guedes relatou o caso de uma
família que passou a ser multada por barulho, sem que os demais
moradores soubessem que se tratava de uma criança autista. Após o
reconhecimento da condição, o condomínio adotou adaptações, como o uso
de áreas comuns em horários diferenciados, o que contribuiu para a
redução dos ruídos e o cancelamento das penalidades.
Para a especialista, a inclusão depende, sobretudo, de mudança de
postura. “Adaptação, inclusão, nem sempre tem a ver com dinheiro, tem a
ver com comunicação, conhecimento e boa vontade. Precisamos começar a
fomentar dentro do condomínio uma cultura da comunicação, esse é o
primeiro passo”, afirmou.
A advogada Fabiani Borges, especializada em Direito Digital e LGPD,
fundadora do coletivo Autimais e mãe atípica, também destacou o papel
da informação na construção de ambientes mais inclusivos. “Informação é
transformação. Se você não sabe o que é o autismo, você não sabe lidar
com aquilo. Num mundo onde pseudociência, fake news e negacionismo ainda
são realidade, quando os pais trazem dificuldades enfrentadas pelos
seus filhos autistas, não é porque eles querem se beneficiar”, disse.
Entre as medidas apontadas pelas especialistas estão as chamadas
adaptações razoáveis, como a criação de “horas silenciosas”, períodos
com redução de estímulos como luz e barulho, implantação de salas
sensoriais e treinamento de funcionários para lidar com situações
específicas. A proposta é reduzir conflitos e garantir o direito à
convivência com dignidade.
Apresentado pela advogada Jamile Vieira e pela jornalista Monique
Melo, o CondComunica, que vai ao ar toda quarta-feira no canal do
YouTube do Bahia Notícias, propõe reflexões práticas sobre gestão,
comunicação e convivência nos condomínios. O episódio que trata sobre
autismo está disponível no link.
Ana Paula Marques
Executiva de Atendimento
anapaula@textoecia.com.br
(71) 99963-2741
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