JORNAL A REGIÃO
O deputado Marcel Van Hatten pediu hoje a prisão do ministro do STF Alexandre de M0raes, depois que seu ex-assessor, Eduardo Tagliaferro, revelou uma grave fraude processual cometida pelo ministro. Em 22 de agosto de 2022 ele ordenou uma busca e apreensão na casa e negócios de vários empresários, incluindo Luciano Hang.
Todos os empresários eram apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Tagliaferro apresentou provas de que M0raes só assinou a ordem seis dias depois, em 28 de agosto, e incluiu os relatórios da busca no processo com data retroativa. Um crime processual com detalhes sórdidos.
M0raes afirmou no documento que o pedido de busca e apreensão foi feito pela Polícia Federal e que ele tinha sido encaminhado à PGR para acompanhamento. Tudo mentira. O ministro se baseou em alegações, sem qualquer prova, na coluna do jornalista Guilherme Amado na revista Metrópoles. E não acionou a PGR.
Ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Tagliaferro afirmou que "ele se baseou apenas na coluna do jornalista, sem conferir a veracidade do conteúdo da reportagem". O fundamento jurídico só foi criado posteriormente, completou.
Tagliaferro revelou que o PGR Paulo Gonet pegava com ele as denúncias que M0raes queria fazer, na prática funcionanao como apêndice do STF e não como órgão independente. As "denúncias" de Goner eram enviadas "para averiguação" depois que a investigação já sido feita.
Tagliaferro enviará para o Senado provas de que Paulo Gonet pediu a produção de informações a Alexandre de M0raes, por meio de seus assessores. Ele lembrou que as conversas entre o então procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e o juiz Sérgio Moro foram a base das ações que anularam a força tarefa e soltaram os corruptos.
O ex-assessor conta que "criticas a Ministros do Supremo ou ao próprio candidato Lula já eram suficientes para colocar um cidadão no radar de M0raes". Ele acrescentou que diversas pessoas encaminhavam links e perfis para o grupo de WhatsApp do gabinete paralelo de Moraes, entre elas a nora da jornalista de esquerda Míriam Leitão.
Tagliaferro confirmou que o gabinete paralelo de M0raes atuou de forma decisiva nas eleições de 2022, com manipulação de ações, perseguição a candidatos de direita, principalmente Bolsonaro. Escândalos como a sabotagem que retirou milhares de inserções de rádio da campanha, às quais Bolsonaro tinha direito, foram "enterrados".
No momento em que Tagliaferro dava seu depoimento ao Senado, Alexandre de M0raes mandou derrubar seu canal, que transmitia a sessão, mas outros canais seguiram transmitindo. Os canais do Senado e da Câmara ignoraram.
Tagliaferro, que está exilado na Itália, denunciou que M0raes, como vingança, divulgou informações sigilosas para tornar público o endereço e expor suas filhas, "uma atitude criminosa e absolutamente inaceitável". A comisão de segurança do Senado vai enviar ao governo da Itália um pedido de proteção para Tagliaferro.
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