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A nova era dos biossimilares na jornada do paciente com doenças autoimunes
Terapias seguras e acessíveis transformam o cuidado e aproximam o Brasil de cenários já consolidados na Europa
O avanço dos biossimilares está mudando o panorama do tratamento de
doenças autoimunes no Brasil. Mais acessíveis e com eficácia e segurança
comparáveis aos medicamentos biológicos de referência, conhecidos como
originadores, os biossimilares já começam a ser indicados como primeira
opção em casos como artrite reumatoide, psoríase e doença de Crohn.
Especialistas apontam que a tendência deve ampliar o acesso de pacientes
e reduzir desigualdades entre o sistema público e a saúde suplementar,
aproximando o país de modelos já consolidados na Europa.
Segundo o reumatologista convidado pela Organon Dr. Luiz Felipe Dipe,
a chegada dos biossimilares representa uma mudança de paradigma na
forma como médicos e pacientes encaram a jornada do tratamento. “Os
biossimilares oferecem uma alternativa terapêutica de alta qualidade,
com eficácia e segurança comparáveis aos medicamentos biológicos de
referência. Mas o grande diferencial está no acesso: ao reduzir custos,
eles permitem que mais pacientes iniciem a terapia mais cedo, o que
melhora os resultados clínicos e a qualidade de vida”, afirma o especialista.
Nos últimos anos, a participação dos biossimilares nas prescrições
médicas no Brasil vem crescendo, embora ainda seja menor do que em
mercados maduros, como o europeu, que tem uma trajetória com
biossimilares desde 2006. A expectativa é de expansão acelerada com o
vencimento de patentes de biológicos de referência e o fortalecimento
das políticas públicas de incentivo ao uso. “Com a entrada de novos
biossimilares e a conscientização de médicos e pacientes, veremos um
aumento substancial de sua adoção. Isso pode aproximar o Brasil de
países onde essas terapias já são a primeira linha de tratamento em
doenças autoimunes”, explica Dipe.
Esse movimento já pode ser observado em algumas áreas terapêuticas,
especialmente em contextos nos quais a otimização de custos é
imperativa, como no sistema público de saúde. “Em doenças como
artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn e colite ulcerativa, os
biossimilares de moléculas como adalimumabe, infliximabe e etanercepte
já são frequentemente considerados desde o início da terapia. A robustez
dos dados de segurança e eficácia acumulados globalmente, somada às
diretrizes clínicas que os apoiam, tem fortalecido sua posição como
primeira opção em muitos casos”, complementa o médico.
Apesar da robustez científica, ainda persistem dúvidas entre
pacientes sobre a troca de um medicamento originador por um biossimilar.
Para o médico, a chave está na educação e no diálogo: “É
fundamental desmistificar a ideia de que ‘similar’ significa ‘inferior’.
São medicamentos avaliados com o mesmo rigor por agências como Anvisa,
FDA e EMA. A decisão de troca deve ser sempre individualizada, com
acompanhamento médico e comunicação clara, para transmitir confiança e
segurança”, destaca.
O impacto dos biossimilares vai além do consultório e pode
representar um passo decisivo para reduzir desigualdades no acesso a
terapias inovadoras. “Esses medicamentos têm o potencial de diminuir
a disparidade entre o SUS e a saúde suplementar, possibilitando que
pacientes sejam tratados mais cedo e de forma mais ampla. Isso se traduz
em menos hospitalizações, menor progressão da doença e maior equidade
na saúde”, reforça o especialista.
A experiência internacional mostra que os biossimilares são aliados
estratégicos para a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Para o Dr.
Luiz Felipe Dipe, o Brasil está diante de uma oportunidade única: “O
futuro das doenças autoimunes com biossimilares é promissor. É um
caminho sem volta, que pode levar a uma medicina mais justa, eficiente e
acessível. Mas para isso, é essencial a colaboração entre governo,
indústria, médicos, pacientes e sociedades científicas”, conclui.
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