A esquerda vai à igreja, esconde a foice e o martelo e não quer ver seu nome associado às ideias radicais que a esquerda defende. Paulo Polzonoff para a Gazeta do Povo:
A
Justiça, aquela que se escreve com maiúscula mas às vezes age como
minúscula, determinou que um cartaz associando a esquerda ao aborto e à
defesa de bandidos fosse retirado
da fachada de um prédio em Porto Alegre. Como esse tipo de exposição
das conhecidas ideias esquerdistas virou moda em todo o Brasil, um grupo
de advogados (ai, que medo!) entrou com uma ação para exigir a remoção
de todo tipo de material que associe a esquerda a... bom, a ideias de
esquerda.
Se
a ação prosperar, estaremos impedidos de associar a esquerda à foice e o
martelo, à cor vermelha, ao aborto, ao abolicionismo penal, ao ecossocialismo, à
perseguição aos cristãos, à supressão de liberdades fundamentais, à
economia centralizada e planejada, à mentalidade eugenista, à violência
socialmente justificável, a tragédias históricas como Holodomor, gulags e
a Revolução Cultural chinesa, a Cuba e seus paredóns, ao Foro de São
Paulo, ao vitimismo, ao uso do Estado para fins particulares, à
corrupção, ao fim da propriedade privada, à engenharia social, ao
cientificismo, à censura (claro, como pude me esquecer da censura?), ao
desarmamento, ao globalismo, à ideologia de gênero, ao MST, ao aumento
de impostos, à luta antirracista que, se não é racismo reverso, parece,
ao assistencialismo, à Anitta, à doutrinação nas escolas, ao
sindicalismo,... Provavelmente me esqueci de alguma coisa, mas acho que
já deu para entender.
E
é bem provável que a Justiça (aquela que... você já sabe) acabe por
determinar mesmo que esse tipo de associação é irregular e a proíba, se
saindo com uma "censura do bem". Sou capaz de apostar minha coleção de
figurinhas dos Ursinhos Carinhosos nisso. Para tanto, basta que o grupo
de advogados mui preocupados com a imagem esquerdista da esquerda, e que
atende pelo nome de Prerrogativas,
invente algum argumento jurídico baseado no tal do Direito Achado na
Rua. Ou então que escrevam em bom latim (segundo o Google Tradutor) que
“quidquid ad tollendum bolsonarum de potestate”. Ou algo do tipo.
Mais
fácil do que prever o resultado dessa peleja jurídica é entender por
que a esquerda contemporânea tem vergonha de ideias cuja superioridade
sobre o, sei lá, conservadorismo, a Tradição, o liberalismo e a Lei
Natural ela, a esquerda, prega. São ideias, veja só!, que formam a base
do pensamento e ambições esquerdistas. Ideias que fazem um esquerdista
distraído cometer o desatino de andar por aí com uma camiseta do Che
Guevara e até votar em ESTE TRECHO FOI SUPRIMIDO PELA LEI Nº 9.504/1997,
ARTIGO TAL, CAPUT TAL, PARÁGRAFO TAL, ITEM TAL .
Quero
dizer, talvez a explicação mais fácil seja também a mais óbvia: falta à
esquerda atual coragem para ser o que é. De olhar para dentro de si e
encarar o monstro. Ou demônio. O que só ressalta o caráter perverso da
mentalidade neoesquerdista. Afinal, quem teria vergonha de sair por aí
empunhando bandeiras se as considerasse realmente virtuosas? No mais
(assim pensa o esquerdista), toda mentira vale a pena se a causa não é
pequena. É o que diria uma cruza indigesta de Maquiavel e Fernando
Pessoa.
Aqui
a contragosto sou obrigado a evocar “1984”, de George Orwell: guerra é
paz, liberdade é escravidão, ignorância é força. E, a julgar pela
disposição retórica dessa esquerda covarde, desonesta, sem honra nem
vergonha na cara, nos próximos dois meses estamos fadados a nos deparar
com uma realidade fabricada, na qual ditadura é democracia, expropriação
é propriedade, aborto é vida, campo de reeducação é escola, miséria é
riqueza, fome é pança cheia, escassez é abundância, mentira é verdade,
sofrimento é prazer, choro é riso, agência de checagem é jornalismo,
dois mais dois é igual a cinco, e... Novamente devo estar esquecendo
alguma coisa, mas já deu para entender.
“Pequepê!
Será possível que alguém acredite nisso?!”, você me pergunta, com uma
agressividade desnecessária, mas tudo bem. Vou relevar. Entendo sua
irritação e, no mais, compartilho do seu medo. Sim, tem gente que, mais
por ignorância do que por má-fé, acredita. Tem gente que faz força para
acreditar. Tem gente que acredita, mesmo desconfiando um pouquinho. E
tem gente que não acredita, mas finge acreditar para não atrair a ira da
turminha. É com isso, aliás, que a esquerda sempre contou e hoje, toda
maquiada, conta novamente: a submissão da consciência à mentalidade de
grupo, na esperança de que um dia essa esperteza toda garanta segurança e
paz ao escravinho ideológico. Conto eu ou conta você?
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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