Minha
ideia inicial seria usar outro título. Um pouco
diferente:"ABAIXO ESSAS LEIS (OU) QUANDO O ANARQUISMO SE TORNA
LEGÍTIMO". Mas ele seria demasiado longo. Então resolvi usá-lo como se
subtítulo fosse,antecipando o conteúdo.Observe-se,portanto,que não
estamos nos referindo "às"leis",como espécie de norma jurídica,e
principal fonte do direito positivo,absolutamente necessárias num mundo
com tamanha complexidade, porém "dessas"leis,das leis que regulam a
vida "infernal" dos brasileiros,das leis paridas pela pior escória da
sociedade levada a fazer política. E de forma alguma se entenda essa
colocação como defesa da filosofia ANARQUISTA,como poderia parecer à
primeira vista,porém da sua validade em situações excepcionais
,relativamente às leis feitas"contra" o povo,o que em determinadas
situações teria força para "absolver" a prática do anarquismo.
Durante
a fase de vida,geralmente na juventude, em que a pessoa enxerga
ingenuamente o mundo, como se fosse um "mar-de-rosas",de
esperanças,mais de alegrias do que de tristezas,a minha turma de
formandos na Faculdade de Direito escolheu para lema de formatura a
frase "PARA SERMOS LIVRES TEMOS QUE SER ESCRAVOS DA LEI" !!!
Mas
já naquela ocasião recebi o lema de formatura com certo ceticismo. Na
aparência era bonito.Uma frase de efeito impactante.Um sinal de
resignação à justiça. Mas no seu conteúdo,no fundo,estaria refletindo
uma verdade? E se não estivesse refletindo uma verdade,como iniciar com
tranquilidade na alma e no senso de justiça uma nobre carreira
relacionada ao direito,a advocacia, que eu queria seguir,adotando de
"cara" uma mentira a nortear a profissão?
Embora
naquela ocasião eu não soubesse exatamente a razão do meu ceticismo com
o lema,o "tempo" acabou me ensinando como eu estivera certo ao
questionar aquela mentira da solenidade de formatura.
E
a conclusão a que hoje chego,passados mais de 50 anos da formatura em
Direito,é que não só o lema não "fechava" com a verdade,como além disso a
contrariava.A vida "real"estava contrastando com a vida "teórica" das
leis.
Nesse sentido,o aceite "cégo" das
leis,só porque "são" leis,incontáveis vezes feitas para satisfazer
interesses estranhos,alheios ao bem comum,sem dúvida alguma configuram
uma farsa, sem legítima representatividade. E essa farsa se tornou a
nova modalidade dos tiranos governarem e fazerem as leis,substituindo os
antigos absolutismos pelas falsas democracias,chamadas de "oclocracias"
pelo historiador e geógrafo POLÍBIO,da Antiga Grécia.É por essa razão
que os mandatos eletivos concedidos pelo voto podem não passar de
procurações com plenos e ilimitados poderes para exercício de ditaduras
temporárias nos Poderes Executivo e Legislativo,que por suas vezes
nomeiam e aprovam os nomes dos membros dos diversos tribunais
judiciários,fechando assim "cerco do poder".
O
anarquismo é uma ideologia política oposta a todo tipo de hierarquia e
dominação política,econômica,social ou cultural,como o Estado,o
capitalismo,as religiões e o patriarcado.Sugere superar a ordem social
através da "autogestão",na busca de uma sociedade "libertária" baseada
na cooperação e na ajuda mútua,onde as pessoas se associam livremente.
Surgiu no Século 19,durante a Segunda Revolução Industrial,com
Pierre-Joseph Proudhon,na Associação Internacional do Trabalho-AIT,no
final da década de 1860. Pierre já havia escrito,em 1840,"O que é a
propriedade",que teve larga influência nos movimentos
operários,revolucionários e sociais da época. Na
Revolução Francesa,Robespierre desqualificou os anarquistas,em vista dos
grupos radicais de oposição.O "socialismo libertário",o "comunismo
libertário",e o "socialismo antiautoritário",são entendidos como
sinônimos do anarquismo,que também se confunde com a "esquerda
socialista revolucionária".
Outro
importante soldado do anarquismo foi o russo Mikhail Bakunin,com seu
livro "Estatismo e Anarquia",de 1873,onde desenvolveu a sua teoria do
Estado. Suas críticas abrangeram o estatismo em todas as suas
formas,desde os mais autoritários, até aos mais brandos. Afirmou que o
Estado "é a proteção da exploração,da especulação,e da propriedade
privada",e que o proletário "só possui como riqueza os seus braços,nada
tem a esperar do Estado,encontrando nele apenas uma organização feita
para impedir a qualquer preço a sua emancipação".
Após
o seu surgimento ,o anarquismo não deu mais trégua por onde passou no
mundo,agindo em todos os continentes. Participou ativamente da
Revolução Bolchevique ,na Rússia,em outubro de 1917,na Revolução
Mexicana de 1910,influenciando um dos seus líderes
,Emiliano Zapatta,que em 1915 já contava com um exército de 70 mil
combatentes.
O anarquismo também deu
presença no Brasil. Em 1889 foi fundada uma comuna experimental baseada
nas premissas anarquistas,no município de Palmeira,Paraná,liderada pelo
escritor ,agrônomo e "anarquista" italiano Giovanni Rossi.O propósito
seria a implantação de uma comunidade anarquista chamada "Novo
Tempo",uma utopia baseada no trabalho,na vida e no amor livre,
libertário. A pedido de Rossi,o compositor Carlos Gomes,da famosa ópera
"O Guarani", que era amigo comum de ambos,conseguindo com o Imperador
Dom Pedro II que fosse doada à "comuna" uma área de terras de 300
alqueires,onde foi instalada a COLÔNIA CECÍLIA,inicialmente com cerca de
300 pessoas. Mas com a queda do Império,e a implantação da
República,justamente em 1889,essa prometida doação não foi formalizada,e
Rossi acabou tendo que comprar a área. Mas a "colônia" não durou muito
,devido principalmente à falta de "vocação"rural dos "colonos",que
chegaram a passar fome.Mas a atitude de Dom Pedro II,em recepcionar com
terras os anarquistas da Itália,demonstra ter sido ele o chefe de estado
brasileiro mais democrático de todos os tempos. Embora seu regime de
governo fosse o "Imperial",prometeu terras a anarquistas que
evidentemente não se submeteriam jamais à sua autoridade.Um exemplo de
democrata.
Interessante é observar que
na história da humanidade os anarquistas quase sempre trabalharam ao
lado dos socialistas,progressistas,comunistas,e todos os seus
"parentes",porém jamais foram os principais protagonistas desses
movimentos, e os que realmente se beneficiaram com a mudança na tomada
do poder. Como "acessórios" das revoluções vitoriosas,invariavelmente
os anarquistas ficaram alijados do poder. Foram "descartados".E talvez o
principal motivo tenha sido as visões completamente diferentes entre
uns e outros, relativamente ao comportamento sentado no trono do poder.
Como os anarquistas iriam mandar se a sua filosofia não permitia?
É
por isso que o poder jamais contou com a participação anarquista após a
vitória. Os anarquistas só foram "usados" pelos "outros",que jamais,em
lugar algum do mundo,tituberam em usar o poder sem limites ,tanto que
todos os países esquerdistas ou socialistas são governados com mão de
ferro por tiranos que têm a cara de pau de se acharem "democratas".
Mas talvez
os anarquistas excepcionalmente pudessem "esquecer" dos comunistas,dos
quais sempre foram "acessórios", e agora se tornarem protagonistas das
mudanças que o Brasil precisa para destravar o seu desenvolvimento, E
as travas do desenvolvimento do Brasil são os excessos e as qualidades
ruins de leis,editadas por gente da pior espécie,que chegaram, a tal
ponto de estupidez, que nem vale mais no Brasil a aplicação do
princípio jurídico "ignorantia legis neminem excusat" (a ignorância da
lei não escusa).Isso porque seria absolutamente impossível à memória
humana gravar as avalanches de leis que são despejadas todos os dias
pelos legisladores federais,estaduais,e municipiais,sem contar as outras
normas jurídicas expedidas por outras autoridades , pelo Poder
Executivo,e as "leis" feitas pelo Supremo Tribunal Federal. "Memória"
para essa avalanche de leis só nos mais sofisticados
computadores.,talvez na NASA !!! A "humana" não dá conta de tanta
informação.
E essa espessa "nuvem" de
leis que foi deixada pela esquerda enquanto governou,de 1985 a 2018,se
trata de uma só das modalidades do "aparelhamento" feito pela esquerda
no Brasil.O aparelhamento "legislativo",que inclusive deixa o Presidente
da República amarrado na sua cadeira sem poder fazer o que deve ser
feito,porque sempre tem alguma lei impedindo. E esquerda no parlamento
boicotando qualquer reforma.É por isso que uns dizem que o país não anda
com as leis,mas "tropeça" nas leis.E toda essa situação recebe o "aval"
da lei maior,a Constituição de 1988,feita à sombra da fraude do "Plano
Cruzado",que elegeu a maioria dos constituintes "farsantes".
Estaria aí um bom tema para os anarquistas se debruçarem. E eu os ajudaria.
Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e Sociólogo
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