Coluna de Carlos Brickmann, a ser publicada nos jornais de domingo, 14 de agosto:
A
bola de cristal deste colunista não falha: não importa quem ganhe as
eleições, suas previsões se realizarão, e logo. Não adianta chorar: a
vitória das fardas ou dos macacões, em ambos os casos sem uso, não muda
os fatos.
* O número de ministérios vai aumentar. As despesas também.* Vai subir o salário dos ministros do Supremo dos atuais R$ 39,3 mil para algo como R$ 46 mil. Como os vencimentos dos ministros do STF são o teto dos salários do funcionalismo, todos ganham aumento automático. Já o caso de supersalários, como o dos funcionários de estimação que ganham muito mais que isso, fique tranquilo: os penduricalhos continuam de pé.* Seria uma injustiça discriminar o Poder Legislativo. Os senadores vão para uns R$ 37 mil, perto de 10% de aumento. A bola de cristal está meio embaçada e não mostra claramente para quanto vão os deputados – mas terão o deles, isso é seguro. E os servidores do Parlamento também terão o deles.* Com feijão a quase R$ 10,00 o quilo, alguém pode imaginar o Auxílio Brasil subindo. Mas nesse caso é preciso fazer economia: o Auxílio Brasil de R$ 600,00, por lei, só será pago até dezembro. Aí já passou a eleição, aí ninguém mais está pedindo voto. Quando houver outra eleição, quem sabe?
Este
colunista não seria ousado a ponto de dizer que todo mundo cuida do
dele logo após a eleição, para não pegar mal com o eleitorado. Nem que,
após o voto, não é preciso gastar com o eleitor. Pura coincidência,
claro.
O retrato atual
Pesquisa
é o retrato do momento, que serve mais para orientar campanhas do que
para qualquer outra função. Só há uma pesquisa infalível: a contagem dos
votos após as eleições. Quem acha que estar bem na pesquisa significa
vitória garantida pode ter más surpresas. Nesta semana, Lula continua na
frente, mas Bolsonaro cresceu bem e dá sinais de que pode colher mais
frutos do Auxílio Família turbinado, da Covid em ritmo bem mais lento e
com índice menor de letalidade, e até de certas iniciativas legalmente
discutíveis, como, por exemplo, o uso de desfiles militares para mostrar
força.
Fazem
parte do jogo. Reclamar em vez de fazer campanha é aceitar que perdeu. A
pesquisa Quaest mostra Bolsonaro crescendo em Minas e São Paulo, com
rejeição ainda alta, mas um pouco menor, e a aceitação em alta.
Fala quem sabe
O
deputado mineiro André Janones, que não decolou como candidato à
Presidência e decidiu apoiar Lula, entende bem de mídias sociais. Seus
dois comentários sobre a última rodada de pesquisas: (1) “Diferença
entre Lula e Bolsonaro cai de 18 para 9 (em Minas) com apenas dois dias
de auxílio de R$ 600,00. Ou a esquerda senta no chão da fábrica para
conversar com os operários ou já era. Detalhe: o chão da fábrica
atualmente são as redes sociais, em especial o Face”. (2) O povão, a
massa, aqueles que decidem as eleições, não entendem o linguajar da
elite intelectual que leu a Carta hoje.
O
pedreiro, a doméstica, o garçom também querem escrever uma Carta, porém
não têm quem leia. E, se ninguém ouvi-los, Bolsonaro será reeleito.
Printem e me cobrem”. O caro leitor não conhecia Janones? Pois ele é bem
conhecido por oito milhões de seguidores no Facebook, dois milhões no
Instagram e 1,4 milhão no YouTube. E é muito ouvido por caminhoneiros.
Lula se mexe
Lula
conhece bem uma campanha eleitoral. Até agora jogou parado, montando
alianças que irão ajudá-lo na disputa. E, depois de amanhã, com o início
oficial da campanha, vai para as ruas. Para ele, confrontar o golpismo
atribuído a Bolsonaro foi um triunfo; mas agora é hora de falar em
barriga e bolso, em Economia. Lula inicia sua movimentação com visitas a
portas de fábrica em São Paulo. Basicamente, deve dizer que, com
Bolsonaro, a vida piorou, o fantasma da fome volta a assustar alguns
milhões de famílias. E, apesar da deflação de junho, o preço dos
alimentos segue em alta. Quanto ao Auxílio Brasil de R$ 600,00, deve
lembrar que só será pago até o fim do ano.
Emprego, comida
Os
auxílios do Governo Federal são decisivos. O próprio Lula desbancou o
então PFL no Nordeste com a Bolsa-Família. A situação de agora: em
julho, Lula ganhava de Bolsonaro de 60% a 16% entre os clientes da
antiga Bolsa Família. Hoje, tem vantagem menor: 53% a 25%. Sua campanha
se baseará em casa e comida, dois fatores em que Bolsonaro falhou.
O pai dos pobres
O
problema de Bolsonaro é como vê as coisas. Falou ao Flowpack sobre
reduzir preços baixando impostos. Seu exemplo: um jet-ski de boa marca
saía por R$ 90 mil. Com menos impostos, sai por R$ 80 mil. Feijão,
arroz, leite, algum desses preços caiu? Alguém vai comer jet-ski? Lembra
a famosa história americana da menina rica que escreveu sobre uma
família pobre.
“A família era muito pobre. Todos eram pobres: o pai era pobre, a mãe era pobre, os empregados eram pobres, o motorista era pobre, o piscineiro era pobre”
blog orlando tambosi

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