POLITICA LIVRE
O gigante chinês das redes sociais TikTok anunciou neste domingo (6) a suspensão de publicações em vídeo na Rússia para manter a segurança de seus funcionários e cumprir com a nova lei sobre notícias falsas no país —que, na prática, funciona como uma censura militar.
“À luz da nova lei de fake news da Rússia, não temos escolha a não ser suspender transmissões ao vivo e novos conteúdos em nosso serviço de vídeo enquanto analisamos as implicações de segurança dessa lei. Nosso serviço de mensagens no aplicativo não será afetado”, disse a rede pelo Twitter.
Na sexta-feira (4), o presidente Vladimir Putin promulgou uma lei que prevê pena de prisão de até 15 anos a quem publicar notícias falsas sobre o Exército russo. No final de fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia e começou uma guerra que levou à instauração de sanções do Ocidente em diversos setores da economia russa.
Em Assembleia-Geral da ONU, a China votou contra uma resolução que condenava a invasão da Ucrânia. Com 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções, a resolução foi aprovada.
No mesmo dia da sanção da lei, o Facebook e o Twitter foram bloqueados de vez na Rússia, após dias de limitação de acesso.
A rede britânica BBC, que teve o acesso a seu site restrito pelo Kremlin devido à cobertura crítica do conflito, anunciou a suspensão de sua operação na Rússia em razão do risco de prisão de seus profissionais.
Na sequência, a agência de notícias americana Bloomberg, a espanhola Efe e a emissora italiana RAI seguiram o mesmo caminho, enquanto a CNN Internacional anunciou que parou sua transmissão no país. Já o jornal independente Novaia Gazeta (novo jornal), editado pelo coganhador do Nobel da Paz de 2021 Dmitri Muratov, publicou em suas redes que iria retirar todo o conteúdo relacionado à ação de Putin.
Trata-se de uma situação inédita na era das notícias instantâneas e interconectadas em que vivemos, mas nem de longe incomum para um país em guerra. Todos os conflitos desde que a imprensa passou a cobri-los, a partir da Guerra da Crimeia perdida pelos russos em 1856, foram objeto de censura de governos.
Folha de S. Paulo
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