MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

segunda-feira, 7 de março de 2022

“Guerra na Ucrânia trouxe boa oportunidade para explorar áreas indígenas”, diz Bolsonaro

 



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Bolsonaro quer aprovar projeto da mineração na Amazônia

Eduardo Gayer
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira, 7, que a guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe uma “boa oportunidade” para o Brasil aprovar a exploração mineral em terras indígenas.

O governo tem cobrado a aprovação do projeto de lei 191/2020, que libera a mineração em terras indígenas, como forma de superar a dependência do País dos fertilizantes russos. A oferta do insumo, que já vinha em queda, foi reduzida ainda mais com a guerra e as sanções econômicas impostas a Moscou.

REGIME DE URGÊNCIA – “Essa questão da crise entre Ucrânia e Rússia… da crise apareceu boa oportunidade para a gente. Temos um projeto que permite explorarmos terras indígenas de acordo com interesse dos índios. Por essa crise internacional, da guerra, o Congresso sinalizou em votar esse projeto em regime de urgência. Espero que seja aprovado na Câmara já agora em março”, afirmou Bolsonaro em entrevista à Rádio Folha de Roraima.

Como mostrou o Estadão, o líder do governo na Casa, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR) colheu assinaturas para tentar aprovar a tramitação de urgência do texto, eliminando, por exemplo, a necessidade de o projeto ser aprovado nas comissões técnicas antes de ir a plenário.

A reportagem mostrou ainda que a argumentação do presidente desconsidera o fato de que há mais de 500 jazidas fora de reservas em fase de licenciamento para pesquisa e exploração no País. 

RIQUEZA AMAZÔNICA – De acordo com Bolsonaro, as reservas indígenas brasileiras são ricas em potássio, matéria-prima de alguns tipos de fertilizantes. Assim, com a exploração, o País poderia se tornar menos dependente das exportações russas.

“Espero que daqui a dois, três anos possamos dizer que não somos mais dependentes de importação de potássio para o agronegócio”, afirmou ainda o presidente na entrevista.

O chefe do Executivo também fez comentários sobre as áreas indígenas de Roraima. “Roraima é minha menina dos olhos. Se eu fosse rei de Roraima, em 10 anos teríamos economia semelhante à do Japão. É um Estado fantástico. […] Isso tudo foi perdido, mas dá para ser recuperado. É inadmissível, dois terços do Estado estão inviabilizados [com as reservas]”, seguiu Bolsonaro. “Espero que Roraima possa ser um Estado que possa usar suas riquezas, em especial as minerais.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está corretíssimo ao defender a exploração da reservas minerais do país. No caso das áreas indígenas, as próprias tribos aceitam a mineração, desde que lhes sejam pagos royalties.

O cacique Davi Ianomami me fez pessoalmente essa revelação, dizendo que seu sonho era formar jovens índios em Geologia. E eu lhe disse que isso ia demorar muito, era melhor fazer acordo para permitir a mineração com o menor dano ambiental possível. Essa conversa ocorreu em 1987, na Constituinte. De lá para cá, nada aconteceu, embora a exploração das riquezas minerais da Amazônia seja uma necessidade imperiosa para o Brasil.

Quanto ao desmatamento e às queimadas para passar a boiada, trata-se de uma idiotice descomunal, digna da mente infinitesimal como a de Jair Bolsonaro. (C.N.)

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