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segunda-feira, 7 de março de 2022

Cessar-fogo fracassa pela segunda vez e civis continuam presos na Ucrânia

 


A segunda tentativa de retirar os habitantes de Mariupol, um porto estratégico no Sudeste da Ucrânia cercado pelas tropas russas, foi interrompida ontem 


Tribuna da Bahia, Salvador
07/03/2022 06:00 | Atualizado há 7 horas

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Foto: REUTERS/Volodymyr Petrov/Direitos Reservados

A segunda tentativa de retirar os habitantes de Mariupol, um porto estratégico no Sudeste da Ucrânia cercado pelas tropas russas, foi interrompida ontem, informou a Câmara Municipal da cidade. A decisão foi tomada após separatistas pró-Rússia e a Guarda Nacional da Ucrânia acusarem-se mutuamente de não obedecer o cessar-fogo temporário para estabelecimento de um corredor humanitário na região. 

"É extremamente perigoso retirar as pessoas em tais condições", disse o conselho da cidade em um comunicado on-line. 

A televisão Ukraine 24 mostrou um combatente do Batalhão Azov da Guarda Nacional que disse que as forças russas e pró-russas que cercaram a cidade portuária de cerca de 400 mil continuaram bombardeando as áreas que deveriam ser seguras. O Batalhão Azov, inicialmente uma milícia de extrema direita, foi incorporado em 2014 à Guarda Nacional ucraniana, para combater os separatistas pró-Rússia no Leste do país. 

Já a agência de notícias russa Interfax citou um funcionário do governo separatista pró-Moscou da região de Donetsk que acusou as forças ucranianas de não observarem o cessar-fogo limitado. Ainda segundo o separatista, apenas cerca de 300 pessoas deixaram a cidade. 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também acusou as autoridades ucranianas de prejudicar a operação humanitária de retirada de civis de Mariupol, durante uma conversa telefônica ontem com o colega francês, Emmanuel Macron. 

Putin "chamou a atenção para o fato de que a Ucrânia continua a não respeitar os acordos alcançados sobre questões humanitárias" e acrescentou que os "nacionalistas ucranianos impediram a retirada" no sábado. 

Mais cedo ontem, a Câmara Municipal de Mariupol anunciou uma operação para a retirada das mais de 200 mil pessoas que ainda restavam na cidade às margens do Mar de Azov, contíguo ao Mar Negro, que há seis dias convive com bombardeios constantes e falta de água, luz, comida e aquecimento. 

Um plano semelhante teve que ser abandonado no sábado, depois que o primeiro cessar-fogo temporário anunciado pela Rússia também fracassou. A cidade havia providenciado 50 ônibus para auxiliar na força-tarefa, mas, depois de menos de duas horas, autoridades locais acusaram o Exército russo de começar a bombardear áreas residenciais novamente, bloqueando os civis que começavam a fugir. A Rússia disse mais tarde que foram as forças ucranianas que romperam o cessar-fogo. 

A trégua temporária era válida para os corredores de acesso às cidades de Mariupol e Volnovakha, na região separatista de Donetsk. Segundo um porta-voz russo, porém, "batalhões nacionalistas" usaram a pausa nos combates para "se reagrupar e reforçar posições". Antes disso, autoridades ucranianas também disseram ter verificado informações de que os soldados russos planejavam usar o cessar-fogo temporário para avançar em direção a Mariupol. 

Fonte: O Globo e agências internacionais

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