*Junior Cesar da Rocha
*Professor de Filosofia do Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília (CPMB) e de Ética e Filosofia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (FPMB)
Talvez haja um desprezo natimorto na postura de muitos em relação à filosofia. É um desprezo que não chega a nascer com vida porque ele quer surgir do que alimenta o objeto desprezado, a filosofia. O desprezo que quer nascer balbucia a pergunta: para que serve a filosofia? Esta pergunta, no lugar de colocar a filosofia no limbo da vida cotidiana, traz para o centro o que movimenta esse exercício milenar, o espanto e a indagação.
Por que alguns se dedicam a uma tarefa que em nada se relaciona com a vida efetiva? Este é o questionamento de muitos relativos a ela. A primeira coisa que é exigida da filosofia é que ela se explique e se coloque no mundo frenético do pragmatismo e das obrigações de uma realidade que requer resultados práticos. Entretanto, ela se nega a isso intencionalmente. Ela espera a constatação do inquiridor.
Jean-François Lyotard, em uma das quatro conferências que proferiu, em outubro/novembro de 1964, aos estudantes do Propedêutico da Sorbonne, teve de enfrentar essa pergunta e respondê-la de diversas formas. Em uma de suas colocações, disse Lyotard: “O filósofo não é alguém que desperta e diz: ‘Eles se esqueceram de pensar em Deus, ou na história, ou no espaço, ou no ser; preciso cuidar disso!’. Uma situação dessas significaria que o filósofo é o inventor de seus problemas e que, se isso fosse verdade, ninguém se encontraria nem veria substância naquilo que ele pode dizer”.
Mas o filósofo é aquele que, no exercício de sua vocação, lida com os problemas da vida efetiva, buscando cavar mais fundo e trazer uma avaliação rigorosa acerca de aspectos do mundo para os quais tendemos a olhar ligeira e desatentamente. O filósofo quer ser entendido. Talvez, o problema não esteja na filosofia, mas em nossa atitude de dispensarmos a reflexão profunda e nos contentarmos com um conhecimento de superfície.
A filosofia nos coloca, também, diante do questionamento concernente ao próprio ato de conhecer. Perguntamos sobre o que constitui a base para o nosso conhecimento. Lançamo-nos de braços abertos sobre o racionalismo e o empirismo, no entanto, percebemos suas fragilidades e limitações. Daí reconhecemos, como afirmou Vern S. Poythress, que as ciências nos transmitem um conhecimento atrasado, elas dizem tudo depois de Deus.
A partir de uma base bíblico-reformada, preconizada pelo Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília – Internacional, todo conhecimento se curva diante do Criador de todas as coisas, inclusive das ciências humanas e divinas. Inobstante a essa constatação, uma abordagem filosófica de matriz cristão entende que o conhecimento é dádiva divina, para a formação adequada do homem e para o desenvolvimento da cidadania. Deste modo, a filosofia se relaciona com as diversas áreas da vida. É neste sentido que ela tem uma participação importante em provas de maneira geral.
Podem aparecer desde os filósofos pré-socráticos – aqueles que discutiram questões que elucidavam a origem e o funcionamento do mundo – até os pensadores contemporâneos cujo interesse investigativo acampa problemas dos mais variados: política, sociedade, conhecimento, cultura, religião, crises humanitárias, consciência, Deus etc. Estes são alguns temas que aparecem em provas acompanhados de uma exigência quanto à precisão dos conceitos que seguem os pensadores que se dedicaram a esses assuntos.
Provas recentes oportuniza ao aluno a demonstração de habilidades e competências que se relacionam com a análise, a conceituação, a problematização, a leitura filosófica de textos de diferentes estruturas e registros, a articulação de conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos que estão presentes nas ciências naturais e humanas, nas artes e em outras inúmeras produções culturais.
A presença da filosofia no Enem, por exemplo, demonstra sua conexão com a vida telúrica, com os desafios do cotidiano, com problemas reais que incomodam o interior e o exterior dos indivíduos. Percebemos que ela trata, de um modo diferente, daquilo que nos atinge todos os dias, em casa, no trabalho, nos relacionamentos pessoais, quando aparecem decepções, quando surge a vida ou quando ela vai embora. Ela parecia estar tão longe, mas nunca esteve tão perto de nós. É que nem sempre notamos a sua presença!
Sobre os Colégios Presbiterianos Mackenzie
Os Colégios Presbiterianos Mackenzie são reconhecidos, hoje, pela qualidade no ensino e educação que oferecem aos seus alunos, enraizada na antiga Escola Americana, fundada em 1870, por George e Mary Chamberlain, em São Paulo. A instituição dispõe de unidades em São Paulo, Tamboré (em Barueri-SP), Brasília (DF) e Palmas (TO). Com todos os segmentos da Educação Básica - Educação Infantil (Maternal, Jardim, Jardim I e II), Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Mais informações:
Bruno Saviotti
bruno܂saviotti@viveiros܂com܂br
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