
sexta-feira, 31 de maio de 2024
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A geopolítica do clima e as consequências de ignorar
A geopolítica do clima e as consequências de ignorar
João Alfredo Lopes Nyegray*
Nos últimos anos, estamos percebendo de forma bastante clara como as questões climáticas vêm influenciando o xadrez geopolítico global. A Síria é um possível exemplo: entre 2006 e 2010, uma seca transformou quase 60% do país em deserto, e até 2009, as dificuldades climáticas mataram até 80% do gado do país. Um movimento em massa de agricultores para as cidades, aliado à incapacidade das instituições sírias para lidar com o êxodo rural e às tensões étnicas existentes, foi o catalisador de uma guerra civil que se arrasta até hoje.
Nas últimas duas décadas, os preços mais elevados dos alimentos – causados em grande parte pelas mudanças climáticas, cheias, enchentes ou secas – têm sido claramente associados a diversos conflitos internos em dezenas de nações, como os protestos alimentares na África Subsaariana entre 2007 e 2008, ou na América Latina desde então.
O aumento dos riscos climáticos intensifica a busca por recursos naturais escassos e vitais, como peixes, terras cultiváveis ou fontes de água. O peso de uma demografia global crescente também contribui por essa corrida aos recursos que, outrora, foram abundantes. Paralelamente ao aumento dos riscos climáticos, estamos presenciando o surgimento de uma ordem global em que os riscos geopolíticos e climáticos deverão aumentar as tensões entre as nações.
É nesse turbulento contexto que testemunhamos com muita tristeza os efeitos das enchentes sobre o Rio Grande do Sul. A situação atual pela qual passam os gaúchos, no entanto, não é surpresa: como em todo filme de catástrofe que se inicia com governantes ignorando as previsões da ciência, as cheias no sul do país já haviam sido alertadas por pesquisadores, que afirmavam como as mudanças climáticas poderiam destruir o cenário típico do estado. Ainda em 2021, uma reportagem da jornalista Bibiana Davila que entrevistou acadêmicos e estudiosos da área, já anunciava uma piora nas tempestades e no prejuízo advindo das possíveis enchentes.
Foi também em 2021 que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) apontou como as consequências de um leve aumento da temperatura global podem ser absolutamente catastróficas para países e populações – e, desde então, vivenciamos ondas extremas de calor e poucos episódios de frio. No ano passado, esse mesmo relatório reforçou que a maior parte das mudanças climáticas no Rio Grande do Sul estava sendo causada pela ação humana.
Aos alertas feitos sobre as mudanças no clima daquele estado somam-se outras centenas, que mostram como o planeta como um todo está chegando ao ponto de não retorno: independentemente de nossos esforços, nada será suficiente para recuperarmos o planeta e mantermos nossas vidas como eram antes.
Ignorados os alertas, chega a hora de contar os prejuízos. O maior deles, o das vidas. Mães, pais, filhos, netos e avós enfrentam uma dor incomensurável, ecoando e sendo sentida por corações em todo o país. Os prejuízos econômicos, embora superáveis, também terão impacto em todo o território nacional: o RS é responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, um item indispensável da cesta básica, que agora precisará ser importado em um momento de dólar caro e inflação elevada. A soja e a carne bovina, também muito cultivadas no estado, tiveram uma notória redução na oferta. Os laticínios também indicam aumento de preço. Considerando que agora a tragédia já aconteceu, será que teremos políticas públicas para evitar que essas dores se repitam?
*João Alfredo Lopes Nyegray é doutor e mestre em Internacionalização e Estratégia. Especialista em Negócios Internacionais. Advogado, graduado em Relações Internacionais. Coordenador do curso de Comércio Exterior e do Observatório Global da Universidade Positivo (UP). Instagram: @janyegray
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Súplica pela civilidade
Súplica pela civilidade
*Daniel Medeiros
Em 463 a.C., Ésquilo venceu o festival de teatro grego com a trilogia da qual fazia parte a peça As Suplicantes, única a chegar até nós. A tragédia conta a história de 50 mulheres egípcias que fogem para Argos em busca de proteção contra a lei do Egito que as obrigara a casar contra a vontade delas. O rei de Argos, Pelasgo, sabia que se aceitasse o pedido de asilo das estrangeiras, haveria guerra, pois o Egito não relevaria tal afronta às suas leis e costumes. Por outro lado, havia a tradição sagrada entre os gregos da hospitalidade, prática que cultivavam como um símbolo de sua civilidade. Importante ainda destacar que as suplicantes eram mulheres, negras e que adoravam outros deuses. Isto é, diferentes em quase tudo dos gregos, mas iguais no direito à dignidade. O rei então submete o pedido das egípcias aos cidadãos da cidade, que aprovam o pedido de acolhimento por unanimidade. A vontade geral, mesmo diante do perigo da guerra, não nega o que deve ser o direito de cada indivíduo, mesmo que de outra terra, outro sexo, outra fé: viver de maneira digna e honrada.
Quase vinte e cinco séculos depois, deparamo-nos, diariamente, nos gestos de muitos -- adultos, jovens e crianças – a negação da condição fundante da comunidade ocidental: o respeito pela diferença. Nomes precisaram ser inventados para delinear esse mal que nega ao indivíduo o direito de conviver: racismo, xenofobia, machismo, etnocentrismo, gordofobia, capacitismo. E a lista não para de aumentar.
Recentemente, a atriz Samara Fellipo sofreu no coração a violência praticada contra sua filha, na escola onde ela estuda. A menina foi agredida por causa de sua pele preta, porque outras adolescentes consideraram essa diferença em relação às suas próprias peles uma autorização para o escárnio, para a humilhação, a discriminação, o anátema. Jovens que devem ter conversado previamente entre si e decidido causar um dano à colega por causa da sua cor da pele, ainda mais destacada na escola particular da elite branca paulista. Talvez acreditassem que a jovem filha da atriz não devesse estar ali, porque esse lugar não lhe pertence, por ser um lugar de privilégio e privilégio é um lugar branco. E fizeram o que fizeram, acreditando em outro privilégio tão comum às elites nesse país que vive sob o manto fantasmagórico de trezentos anos de escravidão: a impunidade.
A mãe, porém, não se intimidou e denunciou a escola e agora exige rigor na punição. Creio que essa punição deva ser pedagógica e não “criminal”. Não é uma solução tirar algo dessas adolescentes, mas dar-lhes o que lhes falta: civilidade. E também para as famílias delas, porque é difícil imaginar que uma distorção dessa gravidade na noção de indivíduo e de cidadão tenha sido obra apenas da escola. Punir com a expulsão, por exemplo, implica negar a elas aquilo para a qual a escola deveria estar preparada desde sempre: educar para a vida comum. Expulsar e devolver para os pais decidirem o que fazer com as agressoras pode ser um veneno ao invés de um remédio, pois não há garantia de que os pais necessariamente repudiam o que as filhas fizeram. Afinal, como saber de qual lugar saiu a primeira frase de preconceito racial, a primeira piada – que os racistas insistem em travestir de “brincadeira”-- ou mesmo o primeiro comentário sobre a cor preta da pele da menina que estuda com as filhas.
O que deve ser exigido – e é hora de faze-lo efetivamente – é lembrar, como afirma a filósofa Hannah Arendt, que educar não é apenas transmitir conhecimentos, mas assumir responsabilidades. E a responsabilidade por práticas como essas que atingiram a jovem filha da senhora Samara – e que se espalham em uma cruel teia de violência por escolas públicas e privadas de todo o país – é de cada um de nós, como foi do rei Pelasgo e do povo de Argos. Se para acabar com a discriminação, que permite troçar do corpo do outro como se fosse um brinquedo de madeira, for preciso enfrentar a guerra, que cavemos trincheiras e portemos as armas possíveis para vencer esse mal. Ou logo não poderemos mais olhar uns nos olhos dos outros.
*Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.
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Prepare-se: provas para Medicina Unex acontecem no dia 09/06
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Qual a importância da gestão da mudança na transformação digital?
Por Lyrian Faria e Marcos Corrêa
Diante de um cenário mercadológico em constante evolução, a transformação digital tornou-se um elemento indispensável nas organizações para se manterem competitivas. No entanto, ao contrário do que muitos podem pensar, essa ação não se restringe apenas da ação de digitalizar a companhia. Na verdade, esse é o primeiro passo de uma longa caminhada que traz para as empresas a missão de se adaptarem em três aspectos: novas tendências tecnológicas, modernização de processos e gerenciamento das pessoas.
A transformação digital visa, na prática, atribuir a inovação com um todo na empresa e, por isso, requer uma abordagem mais ampla que contemple a cultura organizacional. Ou seja, o conceito parte da premissa de tornar as empresas mais inteligentes, ágeis e produtivas.
Certamente, nesse processo, é aplicada a integração de tecnologias digitais, que alteram fundamentalmente a forma como uma empresa opera e entrega valor para os seus clientes. Por sua vez, é importante destacar que o processo de transformação digital pode ser algo longo, uma vez que, em seu desenrolar, serão incorporadas uma série de mudanças que exigem a criação de novos modelos de negócio e uma forte análise profunda acerca da cultura da empresa.
Até hoje, esse é um caminho que ainda podemos encontrar obstáculos. Isso porque grande parte das organizações ainda subestimam o nível de disrupção e apresentam desconfiança ao introduzir novas tecnologias e processos. Como prova disso, segundo a pesquisa de Serviços de Negócios e Tecnologia, realizada pela Forrester em 2022, foi apontado que a resistência à mudança está entre os cinco desafios mais frequentemente selecionados na execução da transformação digital.
Ainda segundo relatório, 21% dos tomadores de decisão de serviços globais que apoiam a transformação digital de suas organizações citaram a implementação de novos processos e capacidades como um dos seus maiores desafios. E, por falar em obstáculos, não podemos deixar de fora o fator humano, que ainda pode ser considerado responsável pela demora ou falha no processo de transformação digital.
De acordo com David Rogers, professor da Universidade de Columbia e autor de The Digital Transformation Roadmap, cerca de 70% dos esforços de transformação digital falham. Segundo ele, isso ocorre porque as empresas veem esses esforços como problemas tecnológicos, e não como desafios organizacionais que realmente são.
Neste cenário, a gestão de mudanças (GMO) desempenha um papel fundamental para garantir que uma empresa não se torne apenas digital e operacional, mas sim faça jus à verticalização dos negócios. Justificando essa importância, segundo um estudo do Change Management Institute, 47% das organizações que integram a GMO têm maior probabilidade de cumprir os seus objetivos do que os outros 30% que não a incorporaram.
Em se tratando da era da disrupção digital que estamos inseridos, cabe aos gestores o papel de reconhecer que a transformação digital não é apenas a implementação de uma nova tecnologia, mas uma mudança que afeta todos os aspectos da organização, desde a cultura até as operações.
Diante disso, é comum vermos uma parte das organizações afirmarem que estão dando início a esse processo ao implementaram um ERP. No entanto, é importante enfatizar que adotar ao sistema de gestão é apenas o primeiro passo dessa jornada, cujo nível de aproveitamento será determinado pelo apoio da GMO em conjunto com a liderança em fazer com que a estratégia passe a ser vertical.
Sendo assim, é essencial que a alta gestão crie um mindset de melhoria contínua, entendendo que, por mais que os desafios sejam inevitáveis nesse processo, investir em um bom planejamento e em GMO ajudará a deixar essa caminhada mais simplificada. Afinal, ao adotar a gestão de mudanças organizacionais, a empresa garante uma transição suave, minimiza a resistência e maximiza os benefícios da transformação digital.
Em suma, quando falamos em digitalização, não podemos nos esquecer de que essa base que é formada por três pilares: tecnologia, processos e pessoas, e sem esses três aspectos, não há transformação digital. Por isso, as organizações que conseguirem implementar novas tecnologias com esse nível de maturidade colherão diversos benefícios, como aumento no engajamento das equipes como um todo, otimização de processos, redução de custos e crescimento em escala.
Uma coisa é fato: para as empresas que querem iniciar a transformação digital sem o apoio da GMO, será como navegar em um barco sem leme, uma vez que esse é um componente indispensável para criar um caminho de sucesso para o futuro digital.
Lyrian Faria é diretora da Dynamica Consultoria.
Marcos Corrêa é CEO do Grupo INOVAGE
Sobre o Grupo INOVAGE:
O
Grupo INOVAGE é uma consultoria Gold Partner SAP, especializada em SAP
Business One, SAP S/4HANA e soluções fiscais da Thomson Reuters. Através
de uma equipe de colaboradores qualificada, a empresa tem como objetivo
atender necessidades em tecnologia e gestão eficiente, agregando as
melhores práticas de mercado, tendências e inovação.
Sobre a Dynamica Consultoria
A
Dynamica Consultoria desenvolve um trabalho de parceria com as
empresas, visando a melhoria contínua da gestão dos processos
empresariais, utilizando técnicas para um melhor gerenciamento da
mudança organizacional, seja ela decorrente de substituição tecnológica,
fusão, aquisição, reengenharia ou concepção de novos métodos de
trabalho.
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Marcos Corrêa, CEO do Grupo INOVAGE baixar em alta resolução |
Lyrian Faria, diretora da Dynamica Consultoria baixar em alta resolução |
| Cinthia Guimarães Tel: +55 (11) 9545-7350 Email: cinthia@informamidia.com.br www.informamidia.com.br |
Risco sacado: como usá-lo a favor da organização?
Por Tiago Anjos
Nas relações comerciais, é comum que grandes empresas compradoras determinem um prazo para que seja efetuado o pagamento. Sendo assim, o risco sacado trata-se de uma modalidade que prevê a antecipação de recebíveis. Ou seja, o cedente (fornecedor) pode receber o pagamento de forma adiantada acerca dos produtos e serviços vendidos. Ainda neste contexto, o comprador (sacado) pode solicitar um prazo alongado para pagar pela compra, mas, muitas das vezes, o cedente não tem fluxo de caixa para aguardar esse período – tornando necessário antecipar o recebimento.
Nessas operações, a empresa compradora, em conjunto com a sua instituição financeira, oferta o serviço de antecipação de recebíveis para os fornecedores. Deste modo, o cedente emite a nota fiscal constando o prazo solicitado pelo sacado para efetuar o pagamento, enquanto o banco antecipa esse valor tornando-se credora da operação e quem irá receber o pagamento do comprador.
A modalidade é considerada algo vantajoso, pois beneficia as três partes envolvidas: o cedente, que obtém como benefícios maior fomento para atuar com o comprador, garantindo fluidez da cadeia produtiva do seu negócio e ganhando liquidez nos processos; o sacado, que pode estabelecer o prazo visando otimizar seu fluxo de caixa; e o financiador, que terá o valor restituído.
Por sua vez, mesmo essa sendo uma linha de crédito que agrega em ganhos oportunos, ainda assim, é preciso ter alguns cuidados na sua execução. Isso é, antes de investir nessa modalidade, é fundamental avaliar e fazer uma análise correta acerca do cenário atual da empresa, levando em conta se a organização está pronta para executar o risco sacado.
Afinal, uma análise incorreta pode acarretar diversos problemas. Um clássico exemplo disso é o caso da Americanas. O rombo financeiro da empresa estimado em R$ 20 bilhões gerou desconfiança em todo o mercado, e foi constatado que os balanços divulgados não condiziam com a realidade, evidenciando as operações de risco sacado que não constavam corretamente contabilizadas nos relatórios.
Esse caso de tamanha magnitude traz à tona a importância de manter a transparência das operações e utilizar a linha de crédito de forma consciente. Ou seja, da mesma forma que o risco sacado ajuda a empresa a manter suas operações sem comprometer o seu fluxo de caixa, também exige que a organização tenha um rigoroso controle de contabilidade a fim de evitar prejuízos e complicações no negócio.
Quanto a isso, realizar esse processo de forma automatizada e integrada diretamente ao sistema de gestão, é uma excelente alternativa para diminuir erros e dores neste processo que, atualmente, ainda é feito por muitos de forma manual. Dessa maneira, com o apoio de uma ferramenta embarcada no uso da tecnologia e especializada no serviço de risco sacado, pode ajudar a organização desde a ter uma maior conexão com compradores, fornecedores e financiadores, apresentando a melhor linha de crédito adequado ao negócio, até a adquirir uma melhor seleção da menor taxa no mercado.
Certamente, executar todo esse processo pode ser algo trabalhoso e complexo, visto que envolve uma gama de ações. Quanto a isso, ter o apoio de uma consultoria especialista neste tipo de serviço é uma excelente alternativa, ajudando a garantir maior fluidez de toda a operação.
O risco sacado é, sem dúvidas, uma modalidade que tem muito a contribuir com as organizações quando utilizado de forma assertiva. Contudo, é preciso tomar cuidado com o entendimento errôneo que temos na sociedade acerca do uso do crédito. Por isso, antes de aderi-lo, é essencial considerar todas as opções e manter transparência em todo o processo executando sua contabilização corretamente. Afinal, a melhor forma de eliminar os riscos é garantindo a segurança.
Tiago Anjos é Product Owner do Grupo Skill.
Desde 1979, o Grupo Skill tem a missão de fornecer aos seus clientes o mais alto nível de excelência na prestação de serviços. Com ética, profissionalismo e precisão, a empresa planeja e desenvolve soluções para gerar o valor que as empresas precisam. Seus escritórios, localizados em São Paulo e Goiânia, são preparados para dar todo o suporte necessário para a equipe de profissionais que atua em todas as regiões do Brasil.
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