MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Megalomania: agora, Lula acha que pode salvar o mundo.

 

BLOG ORLANDO  TAMBOSI


Lula se voluntaria como construtor da paz global, mas demonstra mais condescendência com a invasora Rússia do que compaixão com a vítima Ucrânia. José Casado para a Veja:


Lula atravessou as últimas três semanas apresentando um esboço do seu projeto de política externa.

Quer ser o construtor da paz entre Rússia e Ucrânia, deixou claro aos jornalistas que acompanhavam a visita do chanceler alemão Olaf Scholz a Brasília, na segunda-feira (30). Scholz preferiu falar sobre a salvação da Amazônia.

Projeta liderar a mediação da guerra com apoio dos governos da Turquia, Índia, Indonésia e África do Sul, e com alguma ajuda da China que, nas palavras dele, precisa “pôr a mão na massa”.

Na lógica do mundo de Lula, o projeto expansionista de Vladimir Putin pode até ser condenável, pelo aspecto da invasão brutal da vizinha Ucrânia. Mas, torna-se palatável, senão justificável, como instrumento de política a partir do momento em que as potências ocidentais colocaram seus “cachorros” da aliança militar Otan para “latir” na fronteira do antigo império russo que Putin tenta restaurar.

Para Lula, a Ucrânia agredida é tão culpada quanto a agressora Rússia, que invadiu o país vizinho. Nas suas palavras, “a Rússia cometeu um erro crasso de invadir o território de outro país. Mas acho que quando um não quer, dois não brigam.”

Se tem alguém nesse mundo que não merece ser aplaudido, acha Lula, é o ucraniano Zelensky: “Às vezes, fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos, sabe? Esse cara é tão responsável quanto o Putin. Ele é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado.”

“Ele [Zelensky] quis a guerra”, acrescenta. “Se ele [não] quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim.”

Exala mais condescendência com a invasora Rússia do que compaixão com a vítima Ucrânia: “Eu fiz uma crítica ao Putin quando estava na Cidade do México [em novembro], dizendo que foi errado invadir. Mas eu acho que ninguém está procurando contribuir para ter paz. As pessoas estão estimulando o ódio contra o Putin. Isso não vai resolver. É preciso estimular um acordo.”

Apesar da evidente perspectiva enviesada, Lula diz que não tem lado, e pretende se apresentar a Joe Biden, em Washington, e a Xi Jinping, em Pequim, como voluntário para tentar salvar o mundo dos riscos de uma guerra nuclear. “A única coisa que eu sei é que se eu puder ajudar, vou ajudar”, disse, complementando: “Mas se for preciso conversar com o [Volodymyr] Zelensky, com o [Vladimir] Putin, eu faço.”

Ele quer ascender como líder global, e, para tanto, adota a tática de clamar num suposto vácuo de liderança política que neutralizou a iniciativa em organismos como a ONU. “Ela [ONU] não representa mais a realidade geopolítica. Queremos que o Conselho de Segurança da ONU tenha força, tenha mais representatividade e que possa falar mais uma linguagem que o mundo está precisando. Quando a ONU estiver forte, a gente vai evitar, certamente, possíveis guerras que acontecem. Porque hoje as guerras acontecem por falta de negociação, por falta de alguém, de um conjunto de países que interfira nisso.”

Lula tem um projeto biográfico para sua estadia no Palácio do Planalto. É legítimo. Agora, só falta combinar tudo o que deseja com os EUA, a União Europeia, a China, a Rússia, a Turquia, a Índia, a Indonésia e a África do Sul, entre outros.

O mundo, certamente, deverá atravessar os próximos quatro anos muito preocupado com a autoestima de Lula da Silva, presidente do Brasil.
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O lento suicídio do Império Romano — gastos crescentes, assistencialismo, privilégios e inflação.

 

BLOG ORLANDO  TAMBOSI


Os verdadeiros bárbaros eram os próprios romanos, que efetivamente cometeram um suicídio econômico. Lawrence Reed e Marc Hyden para o Instituto Mises:


Se acontece até mesmo com poderosos impérios, por que não pode acontecer com simples nações?

Muito antes de pacotes governamentais de socorro a empresas, programas assistencialistas e inflação monetária se tornarem uma rotina, os romanos já haviam vivenciado esquemas semelhantes. Há mais de 2.000 anos.

Naquela época, o governo romano socorreu instituições falidas, perdoou dívidas, gastou enormes quantias em programas assistencialistas e incorreu em uma grande inflação monetária.

E o resultado não foi bonito.

Naquela época, assim como hoje, os políticos romanos escolheram, segundo critérios próprios, quem seria socorrido e quem seria esquecido, quem seriam os "ganhadores" e quem seriam os "perdedores". Obviamente, os "ganhadores" foram aqueles que usufruíam boas conexões políticas — uma prática que hoje está no cerne do nosso arranjo político-econômico.

Como já observaram vários pesquisadores da época, tais esquemas baseados em "tirar de Pedro para dar a Paulo" foram cruciais para a falência da sociedade romana. Para mantê-los, o estado teve de recorrer a intervenções cada vez mais destrutivas. "Roma não foi construída em um dia", como diria o velho ditado — e seria igualmente necessário um bom tempo para destruí-la. Quando a república se transformou em um despotismo imperial, os imperadores tentaram controlar toda a economia.

Perdoar dívidas na Roma antiga, embora fosse uma questão controversa, foi um ato que se repetiu diversas vezes. Um dos primeiros reformadores populistas romanos, o tribuno Licínio Stolo, aprovou uma lei, em 367 a.C, uma época de instabilidade econômica, que essencialmente declarava uma moratória sobre a dívida. A lei permitia aos devedores não mais pagarem os juros sobre principal caso o restante da dívida fosse pago dentro de um período de três anos.

Já em 352 a.C., a situação financeira de Roma continuava complicada, e o Tesouro resolveu arcar com inúmeras dívidas privadas que haviam sido caloteadas. À época, supunha-se que os devedores eventualmente reembolsariam o estado. E se você acredita que isso aconteceu, então você provavelmente deve pensar que emprestar para o atual governo grego é um investimento seguro.

Para se ter uma ideia, em 357 a.C., a maior taxa de juros permitida para empréstimos era de, aproximadamente, 8%. Dez anos depois, tal taxa foi considerada alta demais, e os administradores romanos reduziram o teto para 4%. Em 342 a.C., tais as reduções sucessivas aparentemente não foram capazes de acalmar os devedores ou de satisfatoriamente atenuar as tensões econômicas. Consequentemente, o governo teve a brilhante ideia de simplesmente abolir os juros.

O que houve então? O óbvio: várias pessoas passaram a não mais emprestar dinheiro. Tal situação perdurou até que essa lei que proibia juros simplesmente passou a ser ignorada.

Em 133 a.C., o então ambicioso e promissor político Tibério Graco decidiu que as medidas de Licínio ainda não eram suficientes. Ato contínuo, Tibério aprovou uma lei que concedia grandes extensões de terras cultiváveis do estado para os pobres. Adicionalmente, o governo financiou a construção de novas moradias e a compra de ferramentas para essas pessoas. Estima-se que 75.000 famílias receberam terras totalmente grátis devido a essa legislação. Esse foi um programa governamental que forneceu, "gratuitamente", terra, moradia e até mesmo oportunidades de negócio, tudo financiado ou pelos pagadores de impostos ou pela pilhagem de nações recém-conquistadas.

Entretanto, tão logo foi permitido, muitos colonos ingratos venderam suas terras e retornaram à cidade. Mas Tibério não viveu para testemunhar esses beneficiários rejeitarem a generosidade de Roma, pois um grupo de senadores o assassinou em 133 a.C. Só que seu irmão mais novo, Caio Graco, assumiu seu manto populista e aprofundou suas reformas.

Enquanto ainda era vivo, Tibério também aprovou o primeiro programa de alimentação subsidiada de Roma, o qual oferecia cereais a preços baixos para muitos cidadãos. Inicialmente, aqueles romanos que ainda se apegavam a ideais como auto-suficiência e independência ficaram estarrecidos com esse conceito de assistencialismo compulsório; no entanto, não demorou muito para que dezenas de milhares estivessem recebendo os cereais subsidiados, e não somente os necessitados. Qualquer cidadão romano que ficasse nas filas do posto de coleta de cereais tinha o direito à assistência estatal. Um cônsul rico chamado Lúcio Calpúrnio Pisão Frugi, que se opunha a esse programa, foi visto na fila. Ele alegou que, dado que era a sua riqueza que estava compulsoriamente financiando aquilo tudo, então ele pretendia obter sua fatia.

Já por volta de 300 d.C., esse programa já havia sido modificado diversas vezes. O cereal que até então era apenas subsidiado passou a ser totalmente gratuito; e, no auge, um terço de Roma já era contemplado pelo programa, o qual se tornou um privilégio hereditário, passado de pai para filho. Outros gêneros alimentícios, incluindo azeite de oliva, carne de porco e sal, foram continuamente adicionados ao programa. Este cresceu até se tornar o segundo maior gasto do orçamento imperial, atrás somente dos gastos militares. O que havia começado como um programa assistencialista provisório se transformou, como muitos outros programas governamentais, em uma forma permanente de assistencialismo voltado para um eleitorado que considerava isso um direito adquirido.

Voltando a 88 a.C., Roma ainda estava se recuperando da Guerra Social, um debilitante conflito com seus antigos aliados na península italiana. Um dos generais vitoriosos foi Lucio Cornélio Sula, que no final do mesmo ano tornou-se Cônsul (a posição política mais importante nos dias da república) e depois, Ditador.

Para amenizar a catástrofe econômica, Sula decretou que até 10% das dívidas de cada cidadão deveriam ser canceladas, o que colocou os credores em uma posição difícil. Ele também restaurou e reforçou a lei que decretava que uma taxa máxima de juros sobre empréstimos, provavelmente similar à lei de 357 a.C. A crise foi piorando continuamente, e, para "resolver de uma vez a situação", em 86 a.C., outra lei que cancelava nada menos que 75% das dívidas privadas foi aprovada — sob o consulado de Lúcio Cornélio Cina e Mario Caio.

Menos de duas décadas após Sula (que morreu em 78 a.C.), Lúcio Sérgio Catilina, o infame populista radical e inimigo de Cícero, candidatou-se ao consulado com uma plataforma política de cancelamento total das dívidas. De alguma forma, ele foi derrotado, provavelmente pela oposição formada por banqueiros e por cidadãos romanos que já haviam quitado suas dívidas. Sua vida terminou logo depois em uma fracassada tentativa de golpe.

Em 60 a.C., o patrício Júlio César, uma estrela em ascensão, foi eleito cônsul, e continuou as políticas de vários de seus predecessores populistas, mas agora com algumas inovações pessoais. E, mais uma vez, Roma estava em meio a uma crise.

Neste período, alguns entes privados se dispuseram a cobrar os impostos para o estado, em uma espécie de terceirização. Tais entes participavam de licitações para ganhar os contratos. Nessas licitações, estipulavam-se os valores totais a serem coletados. Tudo o que ultrapassasse esse valor ficava como lucro para os contratantes. Só que, em 59 a.C, essa indústria estava no limiar do colapso. Não havia tido sucesso em suas coletas de impostos e, consequentemente, devia ao estado os valores prometidos. Ato contínuo, César perdoou praticamente 1/3 de suas dívidas para com o estado. Isso afetou severamente o orçamento do governo romano e possivelmente os próprios pagadores de impostos (que tiveram seus impostos elevados para compensar essa escassez de receitas). O fato de Cesar e seu comparsa Marco Licínio Crasso terem investido pesadamente neste setor do mercado certamente explica essa sua medida.

Em 33 d.C., meio século depois do colapso da república, o imperador Tibério enfrentou uma corrida aos bancos. Ele reagiu a isso com um grande pacote de socorro aos bancos por meio de empréstimos livres a juros zero na tentativa de estabilizar o mercado. Oitenta anos depois, o imperador Adriano unilateralmente perdoou 225 milhões de dinares em impostos atrasados, o que gerou um grande ressentimento entre as pessoas que já haviam dolorosamente se esforçado para pagar seus tributos por completo.

O sistema monetário

A integridade do sistema monetário romano permaneceu relativamente intacta até o reinado do Imperador Nero (54-68 d.C.). Nero é mais conhecido por ter assassinado a própria mãe, por preferir as artes à administração civil, e por perseguir os cristãos. Mas ele também foi o primeiro a depreciar o padrão monetário que havia sido estabelecido por Augusto (27 a.C. - 14 d.C.), o primeiro imperador de Roma.

Já em 64 d.C., Nero exauriu os cofres romanos por causa do Grande Incêndio de Roma e também por causa de sua predileção pela gastança depravada (a qual construiu um espalhafatoso palácio).

Nero recorreu à inflação monetária para financiar o império, inicialmente reduzindo o teor de prata do denário, de 98% para 93%, o que permitiu que mais moedas fossem fabricadas com um mesmo volume de prata. Essa foi a primeira depreciação dessa magnitude em mais de 250 anos. Isso gerou uma relativamente alta inflação de preços e temporariamente abalou a confiança dos cidadãos romanos.

Após Nero, vários sucessivos imperadores continuamente reduziram o teor de prata do denário. A pior desvalorização ocorreu sob o imperador-filósofo Marco Aurélio (que reinou de 161 a 180 d.C.), que desvalorizou o denário para um teor de 79% de prata com o intuito de financiar suas constantes guerras e seus contínuos aumentos de gastos.

Esse era, até então, o mais impuro padrão monetário criado para o denário em toda a história romana. Mas as coisas ainda iriam piorar.

O filho de Marco Aurélio, Lucio Aurélio Cómodo (que reinou de 177 a 192 d.C.), que gostava de se apresentar como Gladiador no Coliseu, também foi, assim como o pai, um adepto da gastança desmesurada. Seguindo os mesmos passos dos seus antecessores, ele reduziu o teor de prata do denário para apenas 74%.

A cada desvalorização da moeda os preços eram pressionados para cima, e isso foi gradualmente diminuindo a confiança do povo no sistema monetário romano. O aviltamento da moeda e a subsequente expansão da oferta monetária forneciam, no curto prazo, um alívio para as finanças do estado, mas isso durava apenas até o momento em que os mercadores, os legionários e as forças de mercado se dessem conta do que havia acontecido.

Sob o Imperador Septímio Severo (que reinou de 193 a 211 d.C.), um número crescente de soldados começou a exigir que suas bonificações fossem pagas em ouro ou em mercadorias, para escapar da corrosão do poder de compra do denário. O filho de Severo, Caracala (que reinou de 198-217) — embora seja mais lembrado por seus sanguinolentos massacres, pelo assassinato do seu irmão, e por ter sido assassinado enquanto urinava —, aprofundou a política de desvalorização da moeda até reduzir o teor de prata do denário para 50%. Tudo isso para financiar a máquina de guerra romana e suas construções megalomaníacas.

Outros imperadores, como Pertinax e Macrino, tentaram retornar Roma a um sistema monetário mais sólido aumentando o teor de prata do denário e fazendo algumas reformas no sistema. Porém, sempre que um imperador fortalecia o denário, um rival conseguia conquistar a lealdade do exército, destruindo todo o progresso feito e frequentemente assumindo o trono.

Com o tempo, o denário de prata foi abandonado, e o mais jovem imperador de Roma, Gordiano III (238 - 244 d.C.), substituiu o denário pelo seu concorrente, o antoniniano.

No entanto, já no reinado do Imperador Cláudio II (que reinou de 268 a 270 d.C.), que é lembrado por suas proezas militares e por ter quebrado os dentes de um cavalo com um murro, o antoniniano foi reduzido a uma levíssima moeda que continha apenas 2% de prata. O antoniniano acabou sendo substituído pelo aurelianiano, e este acabou sendo substituído pelo nummo. Já em 341 d.C., o Imperador Constante I (que reinou de 337 a 350 d.C.) diminuiu o nummo para apenas 0,4% de prata.

O sistema monetário romano já estava em frangalhos e a inflação de preços já havia saído completamente do controle há muitas gerações.

Nesse ínterim, os gastos continuavam aumentando

No início do segundo século d.C., o imperador Trajano conquistou a Dácia (atual Romênia), lotando os cofres do estado romano com os esbulhos. Ao ver essa bonança, não tardou o lançamento de um novo programa social, o alimenta, o qual competia com instituições bancárias privadas ao oferecer empréstimos a juros baixos para proprietários de terras e utilizava os juros para beneficiar crianças desprivilegiadas. Os sucessores de Trajano deram continuidade a esse programa até que a supracitada desvalorização do denário colaborasse para a extinção do alimenta.

Em 301 d.C., enquanto o imperador Diocleciano estava reestruturando o governo, o exército e a economia, ele baixou o famoso Édito Máximo, que impunha um congelamento de preços. Ele estipulou um teto de preços para carnes, cereais, ovos, roupas e outros bens, e instituiu a pena de morte para qualquer um que vendesse seus artigos a um preço maior do que o estabelecido.

Roma havia se tornado um estado totalitário que colocava a culpa dos problemas econômicos sob as costas de supostos aproveitadores egoístas.

O resultado, como não poderia deixar de ser, foi que as pessoas simplesmente pararam de colocar seus bens à venda no mercado, dado que elas não mais poderiam obter um preço sensato por eles. Comerciantes estocaram seus bens, recusando-se a vendê-los pelo preço imposto pelo governo. Outros estocaram simplesmente para não correr o risco de serem erroneamente acusados de estarem vendendo a preços acima do determinado, ficando assim sujeitos a execuções. Os trabalhadores reagiram ao congelamento de salários desaparecendo do expediente ou simplesmente ficando sentados, sem fazer nada.

Isso aumentou acentuadamente a escassez.

Após a morte de várias pessoas, os romanos simplesmente passaram a ignorar esse decreto, até que a lei foi finalmente revogada.

Colossais programas assistencialistas também se tornaram a norma na Roma antiga. No seu auge, a maior despesa do estado era com um exército de 300.000 a 600.000 legionários. Os soldados perceberam seu papel e importância dentro da política romana, e consequentemente suas exigências aumentaram. Eles passaram a exigir programas de aposentadoria exorbitantes na forma de hectares de terras cultiváveis e de grandes bonificações em ouro equivalentes ao somatório de mais de uma década de seu salário. Eles também exigiam bonificações consideráveis e periódicas apenas para controlar as revoltas.

Ao final, em um período de aproximadamente 370 anos, o denário e todos os seus sucessores, para financiar toda essa depravação, foram continuamente desvalorizados. Uma moeda que começou com um teor de prata de 98% terminou com um teor de prata menor que 1%.

Os maciços programas de gastos do governo, todos eles feitos com o intuito de "ajudar" os romanos, acabaram por impor um terrível fardo sobre seus cidadãos.

Conclusão

A experiência romana nos ensina lições importantes. Como comenta Howard Kershner, um economista do século XX:
Quando um povo até então independente confere ao seu governo o poder de tirar de uns e dar a outros, o processo não cessará até a última gota de sangue do último pagador de impostos ser sugada.
Colocar a sua vida nas mãos de políticos corruptos compromete não somente sua independência pessoal, mas também a integridade financeira da sociedade. Uma vez iniciado, é difícil impedir o crescimento do estado. E, normalmente, as coisas não acabam bem.

Completamente debilitada, Roma, o outrora poderoso, temível e invencível Império, quedou-se perante seus invasores bárbaros em 476 d.C.

Mas o fato é que até hoje não sabemos quem eram os verdadeiros bárbaros: os invasores ou o povo romano que apoiava o estado e os políticos que debilitaram a economia ao ponto de o Império Romano cair como uma manga madura

Talvez os reais bárbaros eram os próprios romanos que haviam efetivamente cometido um suicídio econômico em câmera lenta.
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Sim, o poeta tinha razão: ou amamos ou morremos.

 



Se tivermos boas relações de amizade, o corpo e a mente agradecem. João Pereira Coutinho via FSP:


Baltazar Lemos, 60, natural de Curitiba, decidiu morrer. Explico melhor. Ele, um cerimonialista de luto com certa experiência em preparar e testemunhar o funeral dos outros, decidiu organizar um funeral só para ele.

Fingiu doença, fingiu morte, fingiu velório –tudo publicitado pelas redes sociais, claro– e esperou para ver quem aparecia.

Vieram amigos. Vieram familiares. E até veio o próprio Baltazar, para agradecer aos presentes. Não sei se saltou do caixão para causar maior impacto, mas quero muito acreditar que sim.

Os presentes não gostaram da brincadeira. Consta até que houve insultos e agressões físicas dentro da capela. Creio que a família cortou relações com ele.

Li tudo isso na imprensa. É bom demais para ser verdade. Mas, acreditando na história, posso enviar um abraço fraterno ao nosso Baltazar?

Também eu, pobre homem, tenho essa curiosidade mórbida desde a mais tenra idade. Quantos serão, afinal, prestando suas homenagens?

E quantos vão contar piadas, soltar risinhos cínicos, fazer comentários impróprios sobre minha aparência amarelada?

Os epicuristas, para aliviar nosso medo da morte, tinham uma máxima conhecida: onde eu estou, a morte não está; onde a morte está, eu não estou.

Faz sentido. Mas para personalidades narcísicas –estou falando de nós, Baltazar– isso não consola; perturba. Se eu não estou lá, como saber quem está?

Infelizmente, essa dúvida não revela nada sobre os outros, muito menos sobre a bondade deles. Velórios são acontecimentos sociais, como casamentos e batizados.

Vamos porque temos de ir. Vamos porque os outros, os vivos, os sobreviventes, esperam isso de nós. Vamos porque existem mil interesses em jogo –reputações, heranças, boa gastronomia, uma súbita viúva– que convidam ao supremo sacrifício.

Se Baltazar queria realmente testar a lealdade da sua tribo, teria sido mais útil simular um internamento no hospital. Quantos familiares e amigos caminhariam até sua cama enferma sem esperar nada em troca?

A pergunta é válida para qualquer um de nós. E é talvez a pergunta mais importante para medir a nossa hipótese de felicidade terrena: quão fortes são as nossas amizades?

Recentemente, o "Wall Street Journal" divulgou o mais longo estudo alguma vez feito sobre o assunto. Começou em Harvard, em 1938, com centenas de participantes, todos rapazes, respondendo a questionários sobre o grau de satisfação com a vida.

Nos anos seguintes, o estudo continuou a medir a felicidade dos rapazes, mas incluiu também as mulheres; com o tempo, alargou-se para os mais de 1.300 descendentes do grupo original.

As conclusões estão no livro "The Good Life: Lessons from the World’s Longest Scientific Study of Happiness" (Simon & Schuster), de Robert Waldinger e Marc Schulz.

Aqui vai um aperitivo: esqueça o jogging, a comida vegana, a meditação oriental. Esqueça também a riqueza, a fama e outras ilusões mundanas.

Nesses quase 90 anos de acompanhamento constante, a principal conclusão é que a saúde e a longevidade são fortalecidas de forma dramática pelos amigos que somos capazes de manter.

Se tivermos boas relações, o corpo e a mente agradecem.

Inversamente, os mais solitários tiveram existências mais pobres e curtas, em média, porque a solidão é corrosiva para nossas pobres carcaças.

Explicam Robert Waldinger e Marc Schulz que há razões evolutivas para isso: quando nossos antepassados ficavam sozinhos no mundo, o estado de alerta era ativado. A sobrevivência dependia disso: como dormir tranquilo quando um predador poderia aparecer a qualquer momento?

Hoje, pode não haver uma fera para nos devorar; mas quando estamos por nossa conta, o corpo e a mente continuam lá atrás, libertando seus hormônios estressores, em dolorosa vigília.

Segundo os autores, uma existência despojada de gente pode ser mais perigosa do que a obesidade, sobretudo para os mais velhos. Se essa solidão é crônica, o risco de morte aumenta 26%.

Sim, o poeta tinha razão: ou amamos ou morremos.

É por essa razão que o nosso amigo Baltazar faria bem em pedir desculpas, de joelhos, aos crédulos que foram chorar sobre o seu caixão. A falta que eles fazem é agora, não depois.
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 Pode ser uma imagem de bebida e texto que diz "BENEFÍCIOS DA COCA-COLA 1. Solta parafusos 2. Deixa Deixa as moedas brilhantes 3. Dá brilho às peças cromadas CocaCola Coca 4.Remove manchas do vaso sanitário 5. Elimina manchas de óleo no chão 6. Limpa panelas queimadas 7. Remove tinta 8. Limpa azulejos 9. Desentope pias e canalizações 10. Dá brilho aos vidros"

Os cristãos da nova direita repetirão os fracassos dos governos islâmicos

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Em artigo publicado pelo Instituto Cato, Mustafa Akyol considera que Irã e Turquia demonstram que injetar religião no Estado conduz a uma repressão brutal:


En los últimos años, ha aparecido una nueva escuela intelectual entre los conservadores cristianos de EE.UU.: el posliberalismo. Sus pioneros incluyen algunos eruditos católicos llamados “integralistas” y varias figuras públicas conocidas como “conservadores nacionales”. Lo que los une es su rechazo al liberalismo. El último término implica no el “liberalismo” de centroizquierda en la política estadounidense, sino la tradición liberal clásica más amplia que constituye los principios fundamentales de EE.UU.: libertad individual, libertad religiosa, mercados libres, separación de iglesia y Estado.

Contrariamente a esta herencia liberal, los posliberales quieren una relación más estrecha entre la iglesia y el Estado. Los conservadores nacionales creen: “Donde existe una mayoría cristiana, la vida pública debe estar arraigada en el cristianismo y su visión moral, que debe ser honrada por el Estado”. Los integralistas, por su parte, quieren que el Estado “reconozca públicamente la verdad de la religión católica” y actúe “como agente de la autoridad de la Iglesia” en la medida en que “el Estado legisla y castiga con fines puramente religiosos”. En otras palabras, como lo expresa el intelectual liberal William Galston, “los integralistas católicos rechazan la libertad de religión y están preparados para usar el poder del gobierno en nombre de la moralidad pública para controlar lo que los liberales consideran decisiones privadas e individuales”.

Con un proyecto tan ambicioso, los integralistas aparentemente esperan revertir la ola de secularización en las sociedades occidentales, que comenzó a afianzarse incluso en el tradicionalmente religioso EE.UU., donde hay una creciente “decadencia del cristianismo”.

Como musulmán interesado en el papel de la religión en la vida pública, con una convicción en el liberalismo, he estado observando estas discusiones intra-cristianas en EE.UU. con gran interés –y hasta cierto punto con sorpresa.

Una de las razones de esa sorpresa es que los logros del liberalismo son bastante evidentes para la mayoría de los observadores externos. Millones de inmigrantes a EE.UU. –incluido yo mismo– que han dejado atrás regímenes autoritarios, tanto religiosos como no religiosos, se sienten profundamente aliviados por la libertad, la seguridad, la oportunidad y el estado de derecho que se encuentran en este nuevo mundo. Desde nuestra perspectiva, el “fracaso del liberalismo” al que se refieren los posliberales como Patrick Deneen no parece tan preocupante. De hecho, una gran parte del mundo de hoy solo estaría encantada de vivir bajo este “fracaso”.

La crisis Irán-Contra-Islam

La segunda razón de mi sorpresa es aún más irónica: los nuevos integralistas parecen presentar su teoría de un estado re-sacralizado –la restauración de una orden religiosa pasada después de una larga experiencia con una secular– como una idea nueva y brillante que espera ser puesta a prueba. Pero, de hecho ya ha sido probado –pero no en Occidente, sino en el mundo musulmán. Los resultados han sido desastrosos, no solo para la sociedad y su “bien común”, sino también para la religión misma.

Me refiero, ante todo, a Irán. Hasta el fatídico año de 1979, Irán estuvo bajo el régimen políticamente dictatorial del shah, que era secularista y modernista, pero a diferencia de EE.UU., también muy antiliberal. Por ejemplo, durante el reinado de Reza Shah Pahlavi de 1925 a 1941, las mujeres musulmanas se vieron obligadas a desvelarse –un ataque imperdonable a su libertad religiosa. La reacción de los religiosos iraníes a tal modernismo coercitivo culminó en la Revolución Islámica de 1979, pero simplemente invirtió la dirección de la coerción: el clero chiita –en cierto sentido, la “iglesia” chiita– tomó el control del Estado; todas las mujeres fueron obligadas a usar el velo; y todas las ideas y prácticas “no islámicas” fueron prohibidas. El objetivo era salvar a la sociedad iraní de la cultura secular asociada con Occidente –o “occidentificación”, como la llamaron los ideólogos del régimen– y hacerla más islámica.

Sin embargo, después de más de cuatro décadas en el poder, ¿cómo ha funcionado esta islamización de arriba hacia abajo? ¿Realmente hizo que la sociedad iraní fuera más islámica?

Realmente, no. Esto se puede ver en el espíritu de los cientos de miles de iraníes que han tomado las calles para condenar al régimen iraní incesantemente desde septiembre pasado, cuando la mujer kurda de 22 años Mahsa Amini murió en circunstancias sospechosas después de ser detenida por La “policía de la moralidad” de Irán por fallar, en su opinión, en usar su velo con la suficiente castidad. Entre estos valientes manifestantes se encuentran mujeres jóvenes que, a pesar del riesgo de ser arrestadas o incluso ejecutadas por el régimen, han quemado públicamente los velos muy Islámicos que les impone la ley. Algunos manifestantes incluso han atacado a clérigos quitándoles los turbantes en las calles, una tendencia que se volvió viral en Twitter como #Turban_​Throwing (#عمامه_پرانی‌). Estos manifestantes no están en contra de la religión como tal, como ha explicado el abogado iraní de derechos humanos Shadi Sadr; más bien, la religión en sí misma se ha asociado muy estrechamente con un régimen autoritario que brutaliza a sus disidentes.

De hecho, estas protestas recientes son solo el último estallido de un desencanto continuo con el Islam iraní que, al ser la ideología de un régimen autoritario y corrupto, se ha vuelto aburrido, incluso repulsivo. Los visitantes de Teherán a menudo notan que las mezquitas son menos populares y que la vida secular prohibida por el régimen prospera en los hogares privados. Una encuesta de 2020 realizada por el Grupo para el Análisis y la Medición de Actitudes en IRÁN (GAMAAN) incluso descubrió que aproximadamente la mitad de la población informó "perder su religión". Solo el 32% se identificó como chiita. Este bajo porcentaje puede deberse en parte a que la encuesta se realizó en línea, donde los iraníes mayores y de zonas rurales tenían menos probabilidades de participar, pero independientemente, el 32% es una cifra anémica dado que Irán alguna vez fue más del 90% chiita.

En consecuencia, como escribí en The New York Times hace unos años, Irán se convirtió en el país de mayoría musulmana número uno en la producción de desertores de la fe –el mismo escándalo que el régimen quiere evitar al castigar la apostasía del Islam chiita con la pena de muerte. (Sí, la pena de muerte). Algunos de estos ex musulmanes simplemente se vuelven irreligiosos, mientras que otros se convierten al Cristianismo, convirtiendo a Irán en el hogar de “la iglesia clandestina de más rápido crecimiento” en el mundo.

Las generaciones impías de Turquía

¿Pero no es Irán un ejemplo demasiado extremo? Eso es lo que podrían decir los posliberales estadounidenses, argumentando que el Estado religioso al que aspiran será menos brutal, menos opresivo y, por lo tanto, más exitoso en su de-secularización.

Sin embargo, ese modelo "moderado" también ha sido probado, esta vez en el vecino prominente de Irán, Turquía, que también es mi país de origen. Allí, en las últimas dos décadas, ha tenido lugar otra “revolución islámica”, aunque más suave, lenta y menos explícita. Bajo el liderazgo del presidente Recep Tayyip Erdogan, los conservadores islámicos de Turquía capturaron gradualmente todas las palancas del poder, con una pasión por la venganza contra la clase secular previamente dominante y con la ambición de criar “generaciones piadosas”. Hacia el último fin, han impulsado la educación religiosa, construido decenas de nuevas mezquitas, censurado los medios seculares, gravado en exceso el alcohol y explotado los fondos públicos para impulsar generosamente a las comunidades islámicas.

Pero esta “islamización blanda” tampoco ha funcionado bien. Le dio legitimidad al partido gobernante a los ojos de sus partidarios incondicionales y ayudó a consolidar su “régimen cleptocrático”, pero también dejó a muchos turcos desencantados con el Islam. El académico turco Murat Çokgezen lo expresa de esta manera en un estudio sobre el enfoque de Turquía que vale la pena leer: “A medida que el gobierno se identifica con la religión a los ojos del público, la insatisfacción con el gobierno se convirtió en insatisfacción con los valores religiosos”.

Como era de esperar, el “deísmo” se ha convertido en una tendencia popular entre la juventud turca en los últimos años. La razón principal de este desarrollo, como lo he dicho en otra parte, es su aversión a “toda la corrupción, la arrogancia, la intolerancia, el fanatismo, la crueldad y la tosquedad que se muestran en nombre del Islam”.

La religión como hoja de parra frente al genio de la libertad

Sin duda, las historias de Turquía e Irán son complicadas y todavía se están desarrollando. Sin embargo, ofrecen una lección a todas las personas de religión: cuando construyes un Estado religioso, la religión realmente no trae mucha virtud a ese Estado; más bien, la religión se convierte en una hoja de parra para todos los pecados del Estado. Además, al empujar la religión por las gargantas de las personas, el Estado las hace menos religiosas, no más.

Los integralistas y los islamistas aún pueden encogerse de hombros, argumentando que la humanidad ha vivido bajo estados religiosos y dentro de comunidades religiosas durante milenios, entonces, ¿por qué es un problema restablecerlos hoy? La respuesta está precisamente en esa historia: además de todo ese mundo premoderno de jerarquía religiosa, la humanidad también ha visto sistemas políticos de libertad individual. No puedes simplemente deshacer esa experiencia. Hace mil años, la mayoría de las personas pueden haber encontrado razonables las leyes contra la apostasía o la blasfemia, pero las personas de hoy las encontrarán absurdas. No puedes volver a poner el genio de la libertad en la botella –y no lograrás nada bueno tratando de forzarlo.

Incluso hay una trampa adicional en cualquier proyecto de un estado re-sacralizado: toma la forma de una revolución entusiasta. Entonces, al igual que en la mayoría de las revoluciones políticas, los revolucionarios se glorifican a sí mismos, reclamando un papel especial en la historia, solo para tomar el poder descaradamente. Al igual que en los regímenes comunistas, se convierten en “la nueva clase”, complaciéndose en el botín de la conquista mientras supuestamente sirven a un objetivo superior.

El liberalismo nació y se mantuvo para acabar con todos esos sistemas opresores: tanto los premodernos que dictaban en nombre de Dios como los modernos que dictaban en nombre del proletariado o el volk. El liberalismo ciertamente tiene fallas y deficiencias –no hay cielo en la tierra– pero sigue siendo la idea política más liberadora y elevadora que la humanidad haya visto jamás. Da a cada individuo o comunidad la posibilidad de vivir según sus propios valores, que es a lo que legítimamente puede aspirar.

El liberalismo también sostiene que ninguna cosmovisión integral puede confiar en el estado como su santo patrón. Requiere que los defensores de estos puntos de vista confíen en sus propios recursos –su propia capacidad para inspirar y atraer– para ganar corazones y mentes.

Y aquí, creo, radica la verdadera razón por la que los integralistas y los islamistas desprecian el liberalismo. No están dispuestos a competir en un mercado libre de ideas, porque fundamentalmente no confían en sus propias ideas. Es por eso que discuten “por qué fracasó el liberalismo” en lugar de hacer la pregunta correcta: ¿Por qué nuestra religión está fallando en el liberalismo?

Este artículo fue publicado originalmente en The Unpopulist (EE.UU.) el 21 de enero de 2023.
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"Moeda comum com a Argentina é perda de Tempo", diz Marcos Lisboa.

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI


O economista Marcos Lisboa afirma que o Brasil tem problemas suficientes para resolver antes de socorrer vizinhos e alerta para uma forte crise sem austeridade fiscal. Entrevista a Fernando de Castro, da Oeste:


“Para que serve uma moeda comum que ninguém aceita?” É assim que o economista Marcos Lisboa responde a pergunta que dominou o noticiário nesta semana, depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que o país pretende instituir uma moeda comum com a Argentina, que vive um dos piores momentos de sua história. “Na melhor das hipóteses, nada vai acontecer. Na pior, o Brasil vai ceder dólares para a Argentina”, diz.

Lisboa é um dos principais nomes do debate acadêmico sobre economia no país, conhecido pelas análises acerca das razões do crescimento pífio, além de ser crítico das políticas estatais de incentivos e do modelo caótico de tributação brasileiro.

Presidente do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e doutor em economia pela Universidade da Pensilvânia, Lisboa vê com preocupação a volta da expansão dos gastos públicos no governo Lula 3.


Leia os principais trechos da entrevista.

O país saiu de um governo com discurso liberal, de privatizações, cortes de gastos públicos e, agora, volta para um modelo estatizante. Qual a avaliação do senhor sobre o horizonte econômico?

Tenho uma visão um pouco diferente da maioria nesse tema. É importante analisar os fatos e as evidências. Acho que são, do ponto de vista programático, do que foi aprovado pelo Congresso, dois governos muito parecidos. Basta analisar a pauta do que foi aprovado nos últimos dois anos. Isso contou com apoio da esquerda e da direita de maneira equivalente, numa agenda que envolve conceder benefícios, subsídios, sanções e proteções para setores da economia. Isso aconteceu com semicondutores, com proteções regionais, com o etanol e a própria Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apelidada de kamikaze (ampliou benefícios no ano passado). Vejo muito mais continuidade nessa pauta de distribuição de benefícios setoriais do que uma ruptura.

Mas há uma clara diferença nos posicionamentos econômicos de ambos os governos, não acha?

Sei que os discursos são muito diferentes — em várias áreas, são efetivamente muito diferentes. Mas, na prática, esquerda e direita têm votado conjuntamente no Congresso, numa agenda que é essencialmente a distribuição de proteções, sanções, subsídios setoriais. É uma agenda de aproveitamento eleitoral que infelizmente domina o país. Hoje, Fundo Eleitoral, Fundo Partidário, emendas parlamentares têm o apoio da esquerda e da direita. Há muito barulho sugerindo divergência, mas quando você olha na prática, a agenda econômica — não estou entrando em outros temas — é parecida.

Qual a sua avaliação sobre a ideia de uma moeda comum entre o Brasil e a Argentina? Isso tem provocado muita preocupação em todos os setores econômicos do Brasil.

É uma perda de tempo. Na melhor das hipóteses, nada vai acontecer; na pior, o Brasil vai ceder dólares para a Argentina. Fora isso, nada acontece; quer dizer, vamos lá, você tem um comércio exterior, a Argentina exporta para o Brasil, e o Brasil exporta para a Argentina. Se o Brasil tem déficit, você paga em dólar, e se a Argentina tem déficit ela paga em quê? Nessa moeda comum que ninguém aceita? Para que serve uma moeda comum que ninguém aceita? A Argentina tem um problema de inflação elevada, desequilíbrio nas contas públicas.

Isso poderia indicar que o Brasil está ajudando a Argentina a tentar “driblar” o dólar?

Isso é uma piada de mau gosto. Quando você busca o comércio pelo mundo, você vai tentar distribuir moedas que o mundo aceita, pode ser euro, pode ser dólar, mas não uma moeda que só o Brasil e a Argentina aceitam. Essa ideia é inacreditavelmente incompetente. A Argentina precisa de dólar? Ela precisa da moeda norte-americana porque está tabelando dólar abaixo do seu preço para tentar, de uma maneira espúria, segurar a inflação, porque ela não consegue fazer o ajuste fiscal de que precisa, e a inflação saiu de controle. Estamos propondo ajudar a Argentina, como se não tivéssemos problemas suficientes.

Mas, em se concretizando essa ideia, isso prejudicaria o Brasil com outros países fortes, como os Estados Unidos?

Se você cria uma moeda comum entre o Vietnã e a Tailândia, e daí? Não serve para nada. O Brasil tem sempre esse discurso de que ‘a gente vai fazer uma agenda alternativa contra o restante do mundo, vamos fazer acordo com a Palestina, com o Irã, com a Turquia, com a Argentina’. A gente insiste em ser um país pobre.

O economista Marcos Lisboa, dando aula no Insper 

Em 2008, o Brasil fez uma aposta arriscada em fazer do Estado o indutor da economia, por meio de investimentos enormes em meia dúzia de empresas escolhidas, que passaram a ser chamadas de “campeãs nacionais”. De volta ao poder, o PT já dá sinais de que voltará a negociar com essas mesmas empresas, algumas implicadas na Lava Jato.

Isso é uma história antiga no Brasil, é uma agenda ecumênica. Ela vem da direita e da esquerda, quer dizer, foi a agenda do Juscelino Kubitschek nos anos 1950 e do Ernesto Geisel nos anos 1970. Essa imagem de que desenvolvimento vem com apoio do Estado ao investimento público e privado é a agenda tradicional do Brasil e tem um apoio imenso da sociedade. Veja o que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defende. Veja a agenda das organizações do setor privado. Todas pedem subsídios públicos. Eu acho que a história dos ‘campeões nacionais’ foi inventada depois, porque apoiaram muitas empresas que quebraram. Como o governo não pode apoiar a empresa que quebra, ajudou essas empresas a serem compradas por outras. Então teve empresas de cana-de-açúcar que quebraram, produtoras de commodities, e aí o BNDES financiou novas empresas, para comprar aquelas para quem ele tinha emprestado. Vai dar errado de novo? Vai.

De 2010 a 2014, houve uma quantidade de subsídios gigantescos para a indústria automobilística. Por que essa insistência em subsídios nunca dá certo?

Houve incentivo ao grupo automobilístico, sim, mas compare com os subsídios ao desenvolvimento regional. Tem fracasso maior no Brasil do que a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)? Foram 60 anos de subsídios para montar fábricas, inclusive de automóveis, e nenhuma para em pé quando se observa a distância da renda por habitantes no Nordeste em relação ao Sudeste. Vamos reconhecer que a Sudene deu errado? Vamos reconhecer que os incentivos deram errado? Vamos reconhecer que a Zona Franca de Manaus fracassou? Só que a gente não consegue reconhecer os fracassos. Porque o que deu errado é sempre o outro, a culpa é sempre do outro.

Como o senhor vê essa tentativa de corte de impostos para tentar, enfim, alavancar a economia, a exemplo da extinção do IPI, sugerido pelo ex-ministro Paulo Guedes?

A reforma tributária não acontece porque o setor privado não quer. Deveríamos fazer um IVA, que é o Imposto sobre Valor Adicionado, que é o que o restante do mundo tem, um tributo muito simples. É um imposto sobre consumo, você pega todas as notas fiscais do que vendeu, menos todas as notas fiscais do que comprou, paga uma alíquota uniforme, que é uma alíquota sobre todo o valor adicionado — ou seja, sobre o que você gerou de valor.


O velho patrimonialismo explicado por Sérgio Buarque de Holanda ainda é muito forte.

Sim, é o velho patrimonialismo brasileiro. A gente não consegue superar problemas. Vamos lá: empresa ruim quebra! O Estado não tem de salvar empresa que quebrou porque os donos são amigos do rei. Mas o Brasil insiste em salvar a empresa que quebrou, em dar subsídio para investimento regional que vira tudo, menos desenvolvimento.

O que falta para o Brasil se tornar uma plataforma interessante de negócios para o mundo?

Falta muita coisa. A gente tem de querer de fato ter uma agenda de economia de mercado eficiente. O custo de logística é gigantesco, não conseguimos fazer investimento em infraestrutura, além do oportunismo do setor privado, que conta com a anuência do setor público em rever concessões e interferir em contratos. Nosso setor privado é fantástico… Adora o mercado, desde que esteja tudo a favor; se há qualquer problema, corre para uma recuperação judicial. Então o Brasil é um país caro, é muito caro produzir aqui. A gente tem sempre a fantasia de que o outro paga a conta. Acha que o trabalhador vai ser beneficiado por essa ou aquela proteção, e que a empresa vai pagar a conta. Não! Quem paga a conta é o trabalhador, quem paga o ‘Sistema S’ é o trabalhador.

Lula já anunciou que o BNDES voltará a fornecer empréstimos para outros países, prática que trouxe resultados terríveis. É mais uma ação ideológica sem nenhum critério técnico?

Sempre prefiro esperar para ver as medidas na prática, porque tem um hábito brasileiro do governo falar para a militância. A gente viu isso no governo anterior e vemos agora — uma série de frases de efeito. Mas fico preocupado com essa ansiedade de uma certa militância, que vê a China ou os Estados Unidos como o grande inimigo. É uma coisa meio juvenil. Realmente espero que não aconteça, porque só vai dispersar os recursos públicos.

Recentemente, o senhor disse que o Brasil corre o risco de enfrentar uma crise severa. O motivo seria a gastança e a aventura fiscal?

O Brasil é um país complicado, porque, quando tem uma crise severa, aparentemente a gente evita o precipício e faz algumas reformas. Isso aconteceu no começo dos anos 1990, quando o Brasil abriu a economia e cortou os subsídios fiscais, o que viabilizou o Plano Real. Algo semelhante aconteceu recentemente com o governo Temer. O país estava numa recessão complicadíssima, uma crise monumental, depois de muitos erros na condução da política econômica, investimentos públicos fracassados, subsídios que deram errado, recursos jogados ao mar. O governo Temer fez um freio de arrumação. Houve corte de subsídios, foi implementado o teto de gastos, a taxa de juros despencou, e o Brasil saiu da recessão grave. O problema é que, na hora que as coisas começam a ir bem no país, a gente incide nos velhos erros. Quando passou o momento mais grave da pandemia, foram aprovadas 42 medidas distribuindo subsídios e proteções. De novo, com o apoio da esquerda e da direita. Aquele Brasil velho que sobrevive graças a subsídios públicos resulta em um menor crescimento.

Num artigo recente, o senhor escreveu: “A inflação anda a se reduzir no Brasil o que deveria induzir uma queda nas taxas de juros, entretanto, o aumento dos gastos públicos previstos no Orçamento e inflado pela PEC da Transição pode inverter essa influência. Sem o freio de arrumação a consequência será o maior endividamento do setor público em condições adversas”. Qual seria agora o freio de arrumação?

Cortar gastos, reduzir subsídios e benefícios e uma agenda de fato para corrigir as distorções da atividade econômica. A abertura da economia seria bem-vinda. Essa necessidade de estar conversando o tempo todo com a militância, espero que não atrapalhe essa agenda, que é tão importante para o país. No mais, não vejo a gente avançando, não enxergo abertura comercial, não vejo a discussão sobre fortalecer as agências reguladoras, fortalecer os mecanismos do Estado de freios e contrapesos. Então, temo que a gente continue, infelizmente, neste país que anda devagar.
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Itabuna: 43 casos positivos, 6 ativos e nenhum óbito (SMS)

 



A Divisão de Vigilância Epidemiológica do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde divulgou o Boletim do Covid-19. De acordo com os dados, Itabuna registra 37 cientes curados, 43 confirmados, sendo 06 casos ativos; leitos em UTI ocupados 00; leitos de UTI disponíveis 00; internados em leitos clínicos 00; leitos clínicos disponíveis, 00; óbitos confirmados, 00, e óbitos descartados, 00.Os óbitos inseridos a cada boletim correspondem aqueles que ocorreram em dias anteriores e estavam sob investigação, não tendo, necessariamente, ocorrido nas últimas 24h.

Estão agendando a farra nas estatais

 


 

Percival Puggina

       O deputado federal Deltan Dallagnol, em recente artigo publicado na Gazeta do Povo (íntegra aqui), escrutina os 10 mais graves erros já cometidos pelo governo Lula. Vou ater-me ao sétimo, no qual o parlamentar que assume sua cadeira no dia 1º de fevereiro escreve sobre a proposta para mudar a Lei das Estatais.

Sétimo: você não vai se surpreender, mas em menos de um mês o governo já começou a minar o sistema anticorrupção, tentando mudar a Lei das Estatais. Lula pretende abrir espaço para indicar políticos aliados para cargos executivos ou no conselho de administração das empresas, ainda que não tenham currículo – conhecimento ou experiência – para a função. São 587 cargos em estatais federais, mais 315 em seus conselhos de administração e 272 posições de diretores executivos. Será uma farra. É importante recordar que essa lei foi aprovada em 2016 em reação ao esquema do petrolão, criando mecanismos de governança e obstáculos para o loteamento político-partidário das estatais, a fim de evitar que voltassem a ser saqueadas. Além disso, o governo quer rever os acordos feitos pela Lava Jato com empreiteiras e já sinalizou que pode escolher o futuro Procurador-Geral da República fora da lista tríplice, formulada para que a escolha do procurador-geral recaia dentre procuradores testados e aprovados ao longo de décadas de atuação, com experiência e maior independência.

A Lei das Estatais, aprovada por iniciativa do governo Temer, teve sua eficácia comprovada no subsequente governo Bolsonaro. Quando se refere à escolha dos quadros dirigentes das estatais – Conselhos de Administração e Diretorias – a lei fecha uma série de portas para esse velho vício nacional:   

Exige dez anos de experiência no setor público ou privado em área conexa àquela para a qual sejam indicados, ou quatro anos em cargos de direção. Proíbe a nomeação para tais funções de pessoas que tenham exercido nos 36 meses anteriores, mandatos eletivos, participado de campanhas eleitorais, integrado quadros de direção partidária, ou desempenhe funções de liderança sindical.

No entanto, os 1174 cargos inventariados por Dallagnol funcionam como favo de mel para o urso petista que faz do aparelhamento seu meio de sobrevivência e da vida pública seu meio de vida.

É diante desses e de tantos outros arroubos que sobrevirão que precisamos de um Congresso Nacional sob comando independente do governo. Dê uma olhada (aqui) na lista dos senadores que apoiam Rodrigo Pacheco para o Senado e você vai entender do que estou falando.

A pátria

 


 

Gustavo Corção

         A idéia de pátria e a correlata de patriotismo vêm sendo sabotadas, há séculos, pelas correntes históricas que nas últimas décadas formam o enorme estuário de equívocos que constituem o néctar, o uísque escocês dos “intelectuais” das chamadas esquerdas. A corrente anarco-socialista, bem como a marxista, sempre anunciaram em canto e prosa a Internacional, sem nunca suspeitarem que deste modo pretendiam combater uma exigência da alma humana tão profunda como a de querer constituir família.

À primeira vista, e numa análise sem vigor, parece que o amor da pátria exclui o resto da humanidade e assim se opõe ao mandamento de Deus. Na verdade, todo amor exclusivo será egoísta e defeituoso, já que o próprio do amor, ainda que inclua as mais densas dileções, é ser difusivo. E se não for difusivo não é amor; será quando muito egoísmo ou amor próprio. 

Vejamos como se entende, dentro do imperativo de universalidade, o bom fundamento do amor da Pátria. É sabido que nenhum homem esgota em sua vida e com suas aptidões todas as virtualidades da alma humana. Para bem manifestar toda a grandeza e toda a beleza da alma humana, em todas as suas possibilidades, foi preciso que os homens se multiplicassem e se diversificassem. A perfeição do homem se vê na humanidade desdobrada. Mas não basta essa multiplicação. Para bem exibir diante do universo e das galerias angélicas toda a riqueza do animal-racional, ou da alma feita à imagem e semelhança de Deus, foi preciso ainda recorrer ao curso da história e ao contraponto das civilizações. E além dos desdobramentos e dos alongamentos individuais, foi preciso diferenciar os agrupamentos humanos em tipo, com línguas, costumes e cultura diversificados.

E este é o fundamento natural da pátria.

Faz parte da grande e inebriante aventura humana esse tipo de experiência que consiste em viver, num dado território e ao longo de uma história, uma vocação comum, uma cultura comum, que se exprime não apenas pela língua comum mas por todo o jogo de símbolos, de significações multiplicadas que resultam das alegrias comuns e dos sofrimentos comuns expressos na profundidade das almas por sinais comuns.

Quando eu penso com simplicidade no objeto do amor pátrio, eu penso numa grande comunidade que acabou de chegar na ponta de uma grande história e que acampou, se instalou numa imensa geografia. Tudo isso me envolve numa cercadura enorme, e tudo isso nos diz que somos portadores duma vocação, de uma parte, de uma tarefa na grande aventura humana. Toda essa cercadura, esse envoltório humano, cultural, sociológico, histórico, geográfico é um campo de forças que nos penetra, e que se cruza dentro de nós, e nos faz o que somos, o que sentimos e amamos. Curioso processo psicológico que sempre se repete para as coisas mais amplas e mais próximas. Nossos envoltórios, a família, o bairro, a pátria, são obras emanadas de nossas almas, e são elas que refluem e modelam nossas almas. Há por fora de nós um enorme Brasil exterior; há dentro de nós um Brasil interior de sentimentos e de virtudes que devem ser cultivadas e apuradas para que o Brasil exterior seja melhor e mais Brasil, e mais e melhor para formar as almas de seus filhos.

Precisamos cultivar essa piedade, esse respeito pelo grande quinhão que nos coube na prodigiosa aventura do gênero humano, não para nos excluirmos e nos fecharmos, mas para que nosso amor pátrio seja difusivo e se transforme em amor universal. Precisamos sentir e agir como se o mapa-mundi a cosmografia e a história fossem inconcebíveis sem a nossa presença.

Não há nenhum espasmo de eloqüência convencional nem sombra de orgulho nesse reconhecimento de nosso valor: haverá até um ato de humildade acompanhado de um sentimento de responsabilidade. Aprendi essa lição do valor de cada ser dentro da Criação com um pobre cego, a quem uma senhora bondosa queria confortar e de quem lamentava a triste sorte. Agradecendo a bondade, o ceguinho confortou-a com estas palavras:

— Sem eu o mundo não estaria completo. Faltaria minha cegueira...

Tudo tem valor. Que valor tremendo, terrível, não terá essa comunidade pátria? Que aleijão enorme faria no mundo a falta desse jeitão coletivo, nosso, meu, seu, vosso, que chamamos Brasil! Esse modo de sermos, de falarmos, de sentirmos, essa esparsa alma comum: Brasil.

E para não desmerecermos em tal tarefa (a de completar o universo!) precisamos friccionar nossos sentimentos e nossas virtudes, e para isto precisamos de comemorações, de sinais e símbolos já que nesta vida terrena, como disse o apostolo Paulo, vivemos entre sinais e enigmas. Daí a utilidade das bandeiras, dos hinos e das festividades cívicas que todos os povos normais sempre amaram. Mas a necessidade mais imperiosa e contínua que decorre da consciência patriótica é a do serviço prestado no dia a dia da vida profissional. Festejemos os dias da pátria, mas essas festividades seriam vazias e até falsas se não fossem sinais do desejo de servi-la.

E peçamos a Nossa Senhora da Aparecida, à onipotência suplicante da Mãe de Deus, que nos proteja sempre como recentemente nos protegeu.

*       Este artigo foi publicado durante a semana da Pátria, em “O Globo”, de 05/09/1970.

**     Reproduzido de https://permanencia.org.br/drupal/node/450