Biaggio Talento
A TARDE"Eduardo Campos significava a esperança na construção de um novo país. Estamos todos chocados, não só porque perdemos uma grande liderança, perdemos um grande amigo", diz a mensagem postada na rede social.
Os rumos da campanha do PSB na Bahia só devem ser traçados nos próximos dias, após a morte de Campos ser aos poucos absorvida. O cientista político Joviniano Neto acha que haverá muita discussão e avaliação dentro do partido para definir os rumos das campanhas nacional e estadual do PSB.
Sobre a Bahia, as indagações são parecidas. "Lídice lançou a candidatura por pressão de Campos, que precisava de palanque na Bahia. A pergunta que fica é: qual será o papel de Marina agora, na campanha do estado?", observa Joviniano.
A ministra aposentada Eliana Calmon, que entrou no PSB pelas mãos de Campos e de Marina Silva, também postou mensagem no Facebook indicando que a campanha na Bahia seguirá em frente, até mesmo em homenagem ao ex-governador de Pernambuco.
"Neste difícil momento, quando me falta o chão pelo desaparecimento de quem me colocou na política da minha terra, posso dizer com segurança que o sonho não acabará. Vamos, Eduardo, seguir os seus passos", diz a mensagem.
Última visita
Na última visita de Eduardo Campos à Bahia, na quinta-feira, 7, ele fez corpo a corpo com eleitores no Centro Histórico, juntamente com as candidatas ao governo, Lídice da Mata e ao Senado, Eliana Calmon.
O objetivo era realizar uma agenda afirmativa, visitando entidades ligadas ao movimento negro e símbolos da resistência à escravidão.
Nesse sentido, deu entrevista coletiva no salão nobre da Sociedade Protetora dos Desvalidos, entidade cuja sede fica no Cruzeiro de São Francisco. Recebido pelo presidente da sociedade, Pedro Nascimento, assinou o livro de visitantes da Casa, fundada em 1832 para ajudar na compra de cartas de alforria para escravos.
Em entrevista coletiva no salão nobre da entidade, não fugiu de perguntas que se referiam a casos como o do "treinamento" de diretores e ex-diretores que depuseram na CPI da Petrobras - atribuindo à presidente Dilma "responsabilidade máxima" por tudo que ocorre na Petrobras -, mas mostrou estar mais preocupado, no ambiente do Pelourinho, com políticas afirmativas raciais, prometendo ampliar benefícios.
"O primeiro governo Lula trouxe a questão racial de maneira transversal ao governo, pautou iniciativas, definiu marcos legais, começou a estruturar um sistema nacional, mas isso se perdeu. As cotas só não resolvem", disse o então candidato à presidência, ao defender política de assistência estudantil, como passe livre, restaurantes nas universidades e bolsas de estudos, fundamentais, na sua opinião, para a continuidade nos cursos.
Campos visitou o restaurante de Alaíde do Feijão e Cortejo Afro, circulando pelo Pelourinho acompanhado por banda de música. No caminho, distribuiu abraços e cumprimentos, numa tentativa de se apresentar ao eleitor que ainda não o conhecia.
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