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Autonomia reprodutiva faz crescer a procura pela maternidade solo
Especialista explica como funciona a fertilização in vitro para mulheres que desejam ter filhos sem um parceiro
Cada vez mais mulheres têm optado pela realização do sonho da
maternidade independente da presença de um parceiro(a). Impulsionada por
mudanças sociais, maior autonomia feminina e pelos avanços da medicina
reprodutiva, a maternidade solo por escolha vem ganhando espaço e
aumentando a procura por tratamentos de reprodução assistida.
Embora não existam estatísticas nacionais específicas sobre a
produção independente, essa tendência é percebida na rotina das clínicas
especializadas e acompanha o crescimento da reprodução assistida no
país. Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram que cerca de
63 mil ciclos de fertilização in vitro (FIV) e outras técnicas de
reprodução assistida foram realizados no Brasil em 2025, um aumento de
cerca de 77% em dez anos.
Segundo a ginecologista especialista em Reprodução Humana Dra.
Rafaela Batisti, convidada da Organon, a FIV para gestação independente
permite que mulheres realizem o projeto da maternidade utilizando sêmen
de um doador, sem a necessidade de um parceiro(a). A paciente pode
selecionar um perfil com base em características como etnia, altura, cor
dos olhos, profissão, hobbies, histórico familiar de saúde, além de
outras informações disponibilizadas pelos bancos de sêmen. A identidade
do doador permanece em sigilo, conforme determina o Conselho Federal de
Medicina (CFM). Além dos bancos nacionais, também é possível utilizar
material proveniente de bancos internacionais.
A especialista explica que a técnica utilizada nesses casos é a
fertilização in vitro, em que a fecundação acontece em laboratório e o
embrião é transferido posteriormente para o útero. “A FIV independente
pode ser realizada por mulheres maiores de 18 anos, independentemente do
estado civil. É uma alternativa para quem deseja planejar a maternidade
solo por escolha pessoal, em diferentes fases da vida. Em situações
específicas, inclusive após a menopausa, o tratamento pode ser indicado,
desde que haja avaliação médica", afirma. No Brasil, o acesso é
regulamentado pelo CFM e depende das condições clínicas da paciente para
uma gestação.
Apesar da técnica poder ser realizada em qualquer idade, este
continua sendo um dos principais fatores para o sucesso do tratamento.
"Em mulheres com menos de 35 anos, a taxa de gravidez por transferência
de embrião pode variar entre 50% e 70%. Depois dessa idade, as chances
diminuem gradualmente, principalmente em razão da qualidade dos óvulos",
explica a médica.
Para quem deseja adiar a maternidade, o congelamento de óvulos pode
ser uma alternativa. "Quanto mais cedo o procedimento é realizado,
melhores costumam ser os resultados. Mas preservar a fertilidade aos 37
ou 38 anos ainda é melhor do que não preservá-la", orienta.
Além das questões médicas, a especialista ressalta que o planejamento
emocional e financeiro também faz parte da decisão de seguir a
maternidade solo. "A maternidade transforma profundamente a vida da
mulher. Quanto mais preparo houver, mais tranquila tende a ser essa
experiência. O mais importante é que cada mulher saiba que hoje existem
recursos seguros para exercer sua autonomia reprodutiva e construir sua
família da forma que desejar”, finaliza.
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