BLOG ORLANDO TAMBOSI
Os ideias do Iluminismo deixam claro o que buscamos: cada pessoa tem dignidade e igualdade inerentes, e deve usufruir de toda liberdade que pudermos garantir. Liz Wolfe, da Reason, para a Oeste:
Terra
que tanto amo? Que nada. Os jovens americanos estão menos patriotas do
que nunca. Duas novas pesquisas ilustram isso. Apenas 31% dos jovens
entre 18 e 29 anos se dizem “extremamente” ou “muito” orgulhosos de
serem americanos, segundo pesquisa da NBC, contra 75% dos maiores de 65
anos. A pesquisa do Public Religion Research Institute revela que apenas
34% da faixa etária mais jovem se orgulham de ser americanos. Já 66%
dos maiores de 65 anos, 59% dos 50 aos 64 anos e 43% entre 30 e 49
sentem orgulho de vir do maior país que já existiu.
Acho
que estão em boa companhia. “Oh, meu país”, escreveu certa vez John
Adams. “Como lamento por tuas loucuras e vícios, tua ignorância e
imbecilidade, teu desprezo pela Sabedoria e pela Virtude e tua admiração
desmedida por tolos e patifes!”
John
Adams, Pai Fundador e o segundo presidente dos Estados Unidos (1797 a
1801), pintura a óleo de Gilbert Stuart (cerca de 1800/1815) John
Adams está morto, mas os nascidos na geração Z ainda não. Dá tempo de
convencê-los do quanto há para se amar: bolo decorado com a bandeira
americana, inovação tecnológica, federalismo, vida no campo, Martha
Stewart, os Beach Boys, a Quarta Emenda, viagem espacial, Lana Del Rey,
pluralismo religioso e Michael Jordan. Mas é muito mais do que minhas
fixações bobinhas: os EUA são a terra em que tantos dos nossos
ancestrais apostaram tudo, imigrando para cá mesmo diante de uma enorme
incerteza. É o lugar onde o risco, ao somar-se com a ética de trabalho,
foi historicamente recompensado; onde a ascensão social parecia
possível; onde superar condições adversas — sociais, econômicas, ou
quaisquer outras — não era apenas permitido, mas incentivado, até mesmo
para os tolos e canalhas. Vida, liberdade e busca da felicidade, baby!
Os
EUA nem sempre trataram de forma correta todos os grupos que se
dispuseram a proteger, mas os ideais do Iluminismo deixam claro o que
buscamos: cada pessoa tem dignidade e igualdade inerentes, e deve
usufruir de toda a liberdade que pudermos garantir. Abraham Lincoln
disse que a América foi “concebida na Liberdade e consagrada à
proposição de que todos os homens nascem iguais”. Uma bela declaração,
que resume o essencial. Cultural e politicamente, sempre fomos
amplamente contrários à redistribuição massiva de riqueza e achamos que
as pessoas devem ficar com o fruto de seu trabalho. Valorizamos muito a
privacidade e deixamos a comunidade florescer longe da interferência do
Estado. Costumamos ser bastante tolerantes com a rebeldia e o
inconformismo, somos experimentados no sucesso e no fracasso.
Estabelecemos padrões elevados para o nosso povo. Faça algo de si mesmo.
Não seja um parasita. Siga seu sonho, veja se há um mercado para ele e
dê tudo de si para conquistá-lo. Esses ideais nem sempre foram
realizados à perfeição — os libertários têm muito do que reclamar, e as
tendências atuais podem não parecer boas —, mas com certeza a situação é
melhor do que em países como França, Marrocos ou China.
Retrato em albumina de Abraham Lincoln, feito em Washington, no estúdio de Alexander Gardner, em 9 de agosto de 1863 De
modo geral, o fato de tantos jovens americanos não sentirem orgulho do
nosso país e não valorizarem o grande experimento americano mostra que
não estamos dando às nossas circunstâncias políticas o seu devido valor.
E quando não damos o devido valor às bênçãos de que desfrutamos,
perdemos não apenas a perspectiva, mas também a esperança na melhoria do
nosso país.
De
fato, erramos em muitas coisas nos EUA. Permitir a escravidão, forçar
os nativos a deixarem suas terras pela Trilha das Lágrimas, confinar
nipo-americanos, implementar o New Deal e entrar na guerra contra o
Iraque foram tragédias que nunca deveriam ter acontecido. Nossos líderes
nem sempre são prudentes. Nossos partidos políticos nos corrompem.
Muitos dos nossos burocratas não passam de imbecis. Muitos dos nossos
legisladores são palhaços, só que de “circos” diferentes. Enquanto a
polarização partidária só piora, a onda socialista ameaça derrubar todos
nós.
“Apenas
um povo virtuoso é capaz de liberdade”, disse Benjamin Franklin. Se nos
tornamos menos livres, será que nos tornamos também menos virtuosos? Se
nos tornamos menos virtuosos, será que estamos com dificuldade de lidar
com tanta liberdade? Seja como for, não vamos desistir uns dos outros.
Há muito tempo, é o discurso cívico que nos ajuda a definir o que é
virtude, e são as comunidades se unindo que nos dão a oportunidade de
viver a virtude na prática. Larguem os celulares, conversem com seus
vizinhos. Sejam caridosos no pensamento e na ação.
Foto: ShutterstockOs
EUA ainda são um experimento bem-sucedido — em andamento — que vale
muito a pena preservar. Não podemos ser cínicos a respeito de tudo.
Precisamos escolher algumas coisas para amar. Eu escolho os Estados
Unidos. Vida longa ao país!
Liz Wolfe é editora associada da Reason.
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