Afonso Pires Faria
Estamos nadando contra a correnteza, e esta é muito mais forte do que nós. Também temos a agravante de ela estar se fortalecendo, enquanto nós perdemos as forças e as esperanças. Nosso país é um terreno fértil para produzir escândalos financeiros. Nossos representantes legislativos, na sua grande maioria, estão comprometidos e/ou sendo beneficiados com todo o tipo de crime financeiro que ocorre e que ocorreu nos porões do poder.
Existe no povo, sempre esperançoso, uma sensação de que, agora, a coisa vai ser diferente. Não vai. Garanto que as filigranas jurídicas, que cada vez mais se avolumam, impedirão qualquer progresso na resolução e na punição dos envolvidos no "caso master". No hiato entre o assassinato do prefeito Celso Daniel e os dias de hoje, já houve muitos outros escândalos semelhantes a este. Punidos? Muito poucos, e sempre os de menor expressão. Alguns de pouca expressão, ou até mesmo inocentes que tentaram denunciar o golpe, acabaram se arrependendo. A primeira vítima pagou com a vida. Ficou uma clara mensagem de que não se pode contrariar o esquema.
Do primeiro episódio até agora, já foram criadas muitas leis que protegem, não o cidadão de bem, mas aquele que age ao arrepio dela. Agora, não se necessita mais de cadáver para que os julgadores ou possíveis delatores se intimidem. As leis se encarregam disso. O recado foi explícito. Se o justiçamento de um prefeito não foi suficiente, que se escale. Chegando a um ministro do STF, a mensagem ficou clara: não temos limites. Agora também temos leis que nos protegem. Se alguém ainda alimenta alguma esperança de que os culpados do último escândalo sejam presos ou devolvam o butim, pode se desesperançar.
As delações premiadas somente vão dizer o que todos já sabem. Já sabem e não conseguem punir os culpados, tamanho é o labirinto com que se deparam para poder aplicar a lei justa. Nas leis existentes no nosso país, abundam as que protegem os malfeitos. Oposto a isto, minguam as que os punem. Se somarmos do ao temor da retaliação, a coisa passa do improvável ao impossível. Os fatos pretéritos corroboram com o temor dos investigadores e a segurança dos criminosos. Com esta constituição brasileira, e as leis vigentes, é impossível solucionarmos os problemas do nosso
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