MEDIÇÃO DE TERRA

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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Startup: como investir de forma assertiva?

 


Por Alexandre Pierro

Se, há alguns anos, a pergunta mais comum entre investidores era “qual startup será o próximo unicórnio?”, hoje se transformou em “qual podemos minimizar riscos e maximizar resultados?”. Ter um capital abundante e investidores apaixonados por ideias inovadoras impulsionavam empresas que, muitas vezes, ainda nem tinham receita suficiente para sustentar as operações a longo prazo – o que, agora, passou a ser compreendido como uma aposta de alto risco, exigindo dessas empresas uma gestão administrativa bem mais eficaz para que consigam não apenas sobreviver, mas prosperar com saúde financeira. 

Segundo o relatório da S&P Global Market Intelligence, em fevereiro de 2025, o total levantado em rodadas de venture capital caiu cerca de 30,2% em valor agregado comparado ao mesmo período de 2024. Em outro relatório divulgado pela KPMG, foi constatado que, ainda em 2024, este mesmo valor caiu de US$ 95,5 bilhões para US$ 70,1 bilhões de um trimestre para o outro, chegando ao nível mais baixo em quase sete anos. 

Desde a pandemia, pesquisas mundiais passaram a registras quedas constantes destes números ao redor do mundo. O motivo? O despertar de consciência do empresariado em ter muito mais cautela ao escolher onde apostar seus recursos financeiros, já que, diante de eventos externos como o isolamento social, instabilidades econômicas ou conflitos geopolíticos, por exemplo, podem ser fatais para a continuidade de negócios que ainda não estão devidamente estruturados para sobreviver a imprevistos fora de seu controle. 

É claro que todo o mercado pode ser surpreendido, a qualquer momento, por cenários extremos capazes de impactar seus processos – contudo, o que ajudará com que mitiguem danos severos e consigam aguentar firme a tempestade é, justamente, a governança corporativa. Ou seja, se, antes, ter uma boa ideia poderia ser suficiente para atrair altos volumes de investimentos, hoje é preciso provar que a empresa sabe se organizar, se controlar e crescer com método e segurança. 

Mesmo que ainda estejam dando seus primeiros passos no mercado, não há mais espaço para que as startups tentem alcançar êxito em seu segmento contando com uma gestão interna desorganizada, que não acompanhe de perto os resultados obtidos e que não se baseie em métricas relevantes para as tomadas de decisões. Isso apenas levará a um “crescimento” desorganizado que, certamente, encontrará uma grande pedra em seu caminho que impedirá que continue sua trajetória. 

Mas, ao priorizarem a estruturação de uma governança sólida desde o começo, todos esses riscos são combatidos imediatamente, criando regras claras para as decisões a serem decididas, definição dos papéis e responsabilidades de cada um, assim como prezando pela transparência operacional a todo o momento. Enquanto muitas apenas dão “voos de galinha” (crescimento rápido, mas não sustentável pela falta de processos), as que contam com essa gestão conseguirão transformar crescimento caótico em sustentável. 

Isso, na prática, ocorre através de uma maior organização nas demonstrações financeiras, indicadores de performance (KPIs) claros, documentação dos processos decisórios, análises de cenários e riscos que simulem diferentes impactos de cada decisão nas operações - viabilizando, com isso, uma maior capacidade de escalar, sem perder controle. 

Apesar de muitos associarem a governança a algo meramente técnico e burocrático, ela abre espaço para usufruto das inúmeras metodologias de gestão reconhecidas internacionalmente capazes de orientá-las nos melhores caminhos a serem seguidos, como ocorre com a ISO de Inovação, que oferece diretrizes internacionais que servem como um guia de boas práticas para empresas que desejam inovar com estrutura e eficiência. 

E, diante de um mercado extremamente digital, não há como deixar de lado a ISO 27001, que define os requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar, continuamente, um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI) - algo que, para qualquer negócio, é crucial para garantir a proteção de seus ativos sensíveis. 

Todos os envolvidos são beneficiados com este olhar, tanto o investidor quanto o próprio empreendedor. Afinal, erros passam a ser detectados antecipadamente, as decisões deixam de ser centralizadas e passam a ser colaborativas, mitigando riscos de falência por má gestão ou perda do controle do negócio. 

No atual cenário, a governança não é mais um diferencial, mas sim condição básica de sobrevivência. Startups que não estruturam processos, controles e decisões, deixam de ser empresas de oportunidades e passam a ser perigosas. E, diante de um mercado mais criterioso quanto onde investir, o risco é tudo o que o investidor quer evitar. 

Alexandre Pierro é mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.    



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Nathália Bellintani


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