O Plano Mansueto vem exatamente lidar com essa questão estrutural,
especialmente em âmbito estadual e municipal. Artigo de Willaim
Bagdhassarian e Lúcio Guerra para a Gazeta do Povo:
Dentre as diversas pautas estruturantes em discussão no Congresso
Nacional, chama atenção o PLP 149/2019, também conhecido como Plano
Mansueto. O projeto flexibiliza uma série de regras fiscais para
permitir que entes federados com restrições em sua capacidade de
pagamento possam voltar a realizar operações de crédito. Em
contrapartida, eles deverão implementar planos e programas de
consolidação fiscal. Trata-se de proposta estruturante que será muito
relevante ao fim da pandemia da Covid-19 em função da expectativa de
severa deterioração fiscal dos diversos entes federados.
Cabe recordar que o diagnóstico das contas públicas de janeiro de
2020, um pouco antes do início dos efeitos da pandemia, já revelava
preocupante deterioração fiscal da União e dos demais entes federados.
Em função da queda de arrecadação de tributos decorrente da
desaceleração econômica e do aumento das despesas causado pelas
políticas de mitigação dos efeitos da crise, espera-se importante
agravamento da deterioração fiscal dos entes federados, amplificado pelo
período de baixo crescimento que deverá durar vários trimestres.
Essa situação tende a se agravar, já que ainda estamos na fase
preliminar da crise e os efeitos adversos ainda não atingiram a
plenitude. Além dos impactos financeiros das diversas medidas
encaminhadas pelo governo, o próprio Congresso Nacional deverá trazer
propostas que deverão aumentar a despesa pública. Em crises anteriores,
setores mais bem representados politicamente auferiram benefícios
desproporcionais com relação a outros setores mais carentes e que
acabaram por se perpetuar, aumentando o porcentual de despesas
obrigatórias da União.
Nesse contexto, somente medidas robustas de consolidação fiscal, como
as dispostas no Plano Mansueto, serão capazes de impedir que o país
mergulhe em uma crise econômica de grandes proporções, talvez a maior
dos últimos 100 anos. De certa forma, a pandemia ajudou a expor algumas
consequências da deterioração fiscal que se instalou em nosso país e às
quais já nos havíamos acostumado. A falta de equipamentos de proteção
individual para os profissionais de saúde, a falta de reagentes para que
os laboratórios brasileiros possam fazer pesquisas que ajudem na busca
por vacinas e até a falta de leitos hospitalares são algumas das
consequências do processo de deterioração fiscal, causado por gastos
obrigatórios incompatíveis com nossa carga tributária.
O Plano Mansueto vem exatamente lidar com essa questão estrutural,
especialmente em âmbito estadual e municipal. Por um lado, o plano traz
um alívio imediato fiscal de curto prazo para os entes federados ao
flexibilizar as regras para a contratação de operações de crédito com
garantia da União. Por outro, exige, como contrapartida, que estados e
municípios implementem uma série de mecanismos estruturais de
consolidação fiscal que, no médio prazo, trarão alívio para as contas
públicas, restaurando a sua capacidade de implementar políticas
públicas, além de simplesmente pagar pessoal e aposentados.
Em um momento tão difícil, o Congresso Nacional certamente perceberá a
importância de aprovar o Plano Mansueto ainda nas próximas semanas,
para que, ao fim da crise de saúde pública, governadores e prefeitos já
estejam instrumentalizados para enfrentar a crise econômica que se
apresentará.
William Baghdassarian é economista,
PhD em Finanças pela Universidade de Reading (Reino Unido) e professor
de Finanças do IBMEC Brasília. Lúcio Guerra é especialista em Orçamento
Público.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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