Toffoli, ignora decisão de Moraes, mantém a AMBEV em funcionamento e “autonomia” de estados e municípios pode cair
12/04/2020 às 09:21 JORNAL DA CIDADE ONLINE
Dias Toffoli e Alexandre de Moraes
Uma
decisão do ministro Dias Toffoli parece ir em absoluto confronto contra
o que decidiu o ministro Alexandre de Moraes, no sentido de que
governos estaduais e municipais têm autonomia para determinar o
isolamento social.
Em ação impetrada pela AMBEV, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu o seguinte:
“Estado ou Município só pode impor restrição à circulação de pessoas se houver específica recomendação técnica da ANVISA”.
Eis
a decisão de Toffoli, exarada no último dia 7 de abril, numa ação em
que o município de Teresina buscava derrubar uma liminar concedida pelo
TJ do Piauí em favor da AMBEV: O teor da decisão de Toffoli parece ser bem claro. Eis um trecho:
“Nenhuma
das normas então arroladas pelo requerente autoriza a imposição de
restrições ao direito de ir e vir de quem quer que seja.
Tampouco
em âmbito federal, existe determinação semelhante, sendo certo que a
Lei no 13.979/20, determina, em seu artigo 3o, inciso VI, alínea ‘b’,
possível restrição à locomoção interestadual e intermunicipal, que teria
sempre o caráter de excepcional e temporária e sempre seguindo
recomendação técnica e fundamentada da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária.
Para impor tal restrição à circulação
de pessoas, deveria ele estar respaldado em recomendação técnica e
fundamentada da ANVISA, o que não ocorre na espécie."
Assim,
como neste sábado (11) o advogado-geral da União, André Mendonça,
declarou que o órgão pode entrar na Justiça para flexibilizar medidas de
isolamento social estabelecidas por governadores e prefeitos para
combater a disseminação do coronavírus, impõe-se que isto seja feito
imediatamente, pois tudo indica que não haverá nenhuma dificuldade,
notadamente em função da decisão de Dias Toffoli.
"Medidas
isoladas, prisões de cidadãos e restrições não fundamentadas em normas
técnicas emitidas pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa abrem caminho
para o abuso e o arbítrio", declarou o advogado-geral da União.
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