Município teve influência direta de missionários alemães da Igreja Católica.
Catedral Nossa Senhora da Glória é um dos cartões postais da cidade.
(Foto: Genival Moura/G1)
Nem a urbanização da cidade, em mais de sete décadas, conseguiu tirar a visão das edificações dos padres, como é o caso do Instituto de Ensino Santa Teresinha e da Escola São José, anexa a um convento e a um prédio residencial para líderes religiosos.
Anexa à catedral, está um centro de comunicação da Diocese de rádio e televisão, salas de encontros e uma galeria que abriga pastorais e pontos de comércio que ajudam a manter as obras sociais da igreja.
“Essa Catedral é algo espetacular, todos os prédios eram bem feitos. Os primeiros quatro bispos que dirigiram essa diocese eram alemães. Eles fizeram tanto, que eu já ficava imaginando a dificuldade que teria um bispo brasileiro, quando viesse assumir tudo isso sem a ajuda da Alemanha”, comenta o coordenador de celebrações.
O legado dos missionários alemães é visível por toda cidade. São escolas, capelas, seminários, abrigos, unidades de saúde, centros comunitários, prédios e conjuntos residenciais. As construções diferem das demais, pela estrutura física reforçada. Quase todas foram erguidas com tijolos maciços e possuem cobertura de telha apoiadas em madeiras de lei que podem durar séculos.
(Foto: Genival Moura/G1)
A beleza e a imponência das construções não são por acaso. A irmã descreve a estratégia usada pelos missionários para superar o isolamento da região do Alto Juruá e erguer edifícios dignos de grandes metrópoles.
“Eles trouxeram máquinas e aqui montaram uma olaria onde eram fabricados tijolos, telhas e pisos sofisticados. Fizeram também uma marcenaria onde era beneficiada a madeira e fabricados todos os móveis. Eram homens espertos, de bom tino, sempre arranjavam um jeito de fazer tudo. O segundo bispo que foi o D. José Hascher era resolvido, viajava para outros países de onde trazia recursos e entendia muito de construções. Vieram de lá também, irmãos formados que eram bons carpinteiros, pedreiros e eletricistas”, comenta.
Em poucos anos, junto com a evangelização, o grupo missionário qualificou mão de obra e gerou emprego, aquecendo a economia local. Os prédios deram outra cara à cidade e junto com eles, mais religiosidade, educação, saúde e obras sociais.
Atualmente, sem os missionários alemães e os recursos conseguidos por eles, a Diocese de Cruzeiro do Sul enfrenta dificuldade para manter tudo o que foi construído. Muitas escolas foram repassadas ao estado, assim como o Hospital Dermatológico para abrigar os hansenianos quando eram descriminados e separados do convívio familiar e social.
“Hoje temos dificuldades de manter tudo, sobrevivemos dos dízimos, de algumas doações e do dinheiro dos aluguéis. É um patrimônio muito grande para manter, por isso, muitas escolas já foram cedidas e funcionam em parceria com o governo”, revela Joaquim Sabino da Costa Neto, administrador da Diocese.
Nenhum comentário:
Postar um comentário