Queda nas temperaturas eleva risco de destreinamento e exige adaptação estruturada nas rotinas de exercícios

Especialista da UniCesumar explica que a interrupção total dos treinos reduz capacidade cardiorrespiratória e gera perda progressiva de massa muscular em 48 horas.
Com a queda regular das temperaturas, praticantes de atividades físicas ao ar livre encontram algumas limitações para manter hábitos matutinos e noturnos, principalmente em parques e praças públicas. Nesse cenário, há uma queda expressiva da população na interrupção de treinos diários, ignorando o impacto imediato sobre a capacidade aeróbica, o metabolismo e a preservação de massa muscular.
"O erro mais frequente em períodos mais frios do dia é a interrupção total das atividades. O organismo sofre perdas mensuráveis de capacidade cardiorrespiratória nas primeiras quatro semanas de destreinamento. Além disso, a inatividade prolongada induz rapidamente a resistência à insulina, piora o perfil lipídico e aumenta a rigidez arterial", explica o Dr. Guilherme Ayres Rossini, coordenador da Pós-graduação Médica em Diabetes e Obesidade da UniCesumar.
Dados da pesquisa Worldwide Survey of Fitness Trends (Pesquisa Mundial de Tendências do Fitness), realizada anualmente pelo American College of Sports Medicine (Colégio Americano de Medicina do Esporte), apontam que a busca por treinos híbridos (ambientes abertos combinados com rotinas em casa ou academias) cresceu 28% no último ano, impulsionada por variações climáticas sazonais. Além disso, levantamentos de mercado do setor de academias e plataformas de saúde digital registram aumento de 34% no engajamento de usuários em programas de treinos funcionais indoor durante o período de baixas temperaturas.
Efeitos fisiológicos do frio e riscos da interrupção
A exposição ao frio impõe uma carga termogênica ao organismo e, para manter a temperatura central entre 36,5°C e 37°C, o corpo ativa a vasoconstrição periférica e eleva o gasto energético basal. O exercício sob baixas temperaturas estimula a secreção de irisina e exercina, hormônios associados ao aumento da capacidade oxidativa mitocondrial.
“Interromper abruptamente os treinos em épocas mais frias traz prejuízos quantificáveis. Uma metanálise de dados fisiológicos indica que a pausa da rotina (destreinamento) reduz a capacidade cardiorrespiratória (VO2máx) em média 3,93% nas primeiras quatro semanas, podendo atingir declínio de 9,43% caso o período de inatividade se estenda. No tecido muscular, o repouso absoluto gera atrofia de 0,5% a 0,8% ao dia, com reduções de volume detectáveis já após 48 horas”, afirma o Dr. Guilherme Ayres Rossini.
Adaptação para ambientes fechados e cuidados técnicos
Estudos comparativos mostram que a eficácia fisiológica e o consumo de oxigênio de exercícios realizados indoor (como esteiras ou treinos funcionais no solo) são equivalentes aos do treino ao ar livre. O Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) sem equipamentos apresenta eficácia comprovada na melhoria do VO2máx e de 14 parâmetros cardiometabólicos, exigindo de 15 a 20 minutos diários em espaços reduzidos (como salas de estar, garagens de condomínio ou escadarias de prédios).
"O frio reduz a temperatura muscular, eleva a rigidez de tendões e retarda o tempo de contração muscular. A cada 1°C de queda na temperatura muscular, há uma perda de 4% a 6% na potência física. Por isso, a adaptação da rotina exige um aquecimento mais longo e progressivo antes de movimentos de alto impacto. Outro ponto crítico é a 'desidratação silenciosa': o frio atenua a percepção de sede em até 40% devido à redistribuição do fluxo sanguíneo, tornando fundamental a ingestão programada de água antes, durante e após os treinos", complementa o coordenador da UniCesumar.
Recomendações práticas para adaptação de treino no frio
- Aquecimento progressivo: Elevar gradualmente a temperatura corporal para reduzir a rigidez do tecido muscular e prevenir estiramentos.
- Substituição indoor: Circuitos funcionais (agachamentos, polichinelos, pranchas e subida de escadas) e uso de HIIT com intervalos de 1 minuto em alta intensidade.
- Hidratação programada: Monitoramento via volume/cor da urina e consumo regular de líquidos, independentemente do estímulo da sede.
- Planejamento de contingência (Coping Planning): Definição prévia de horários e planos "B" estruturados para dias de chuva ou temperaturas severas.
“ A adoção dessas medidas simples assegura que as quedas de temperatura não se tornem um obstáculo para a constância dos treinos, mitigando riscos de lesão e perdas no condicionamento conquistado”, conclui Rossini.
Sobre a UniCesumar
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