MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 15 de agosto de 2026

Cidades adaptam o orçamento ao clima

 

JORNAL A REGIÃO

Enchentes que engolem bairros inteiros em uma noite, secas que esvaziam reservatórios e obrigam as pessoas a racionar água, encostas que desabam depois de horas de chuva. Cenas assim deixaram de ser exceção no Brasil, como aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024.

Para melhor reagir a isto, as prefeituras de sete cidades se reuniram em São Paulo no primeiro encontro da Academia de Orçamento Climático (Climate Budgeting Academy). Além da capital paulista, marcaram presença Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Recife e Campinas.

O Orçamento Climático é um sistema de governança que integra compromissos e considerações climáticas ao processo de tomada de decisão das cidades, por meio da incorporação de metas e objetivos climáticos no processo orçamentário e da atribuição de responsabilidades.

Cada órgão deve considerar quais gastos ajudam ou prejudicam o clima na hora de planejar as ações. Ao entender isso com mais clareza, a cidade pode direcionar o dinheiro público para ações com maior potencial de preparar a cidade para eventos extremos e rever aquelas que podem trazer danos.

É como fazer a sua lista de compras de supermercado consultando o rótulo: você decide o que comprar ou não considerando como aquele produto impacta o meio ambiente.

Eventos climáticos extremos já são rotina nas cidades brasileiras e tendem a se intensificar com fenômenos como o El Niño, que historicamente intensifica secas no Norte e chuvas no Sul, como aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024.

Estudos conduzidos pelo Cemaden, da USP, e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que entre 1991 e 2024, 91,5% dos 5.570 municípios enfrentaram pelo menos um desastre ligado a inundações, deslizamentos, tempestades ou secas. No período, foram quase 4,8 mil mortes, mais de 129 milhões de pessoas afetadas e prejuízos superiores a R$ 629 bilhões.

São Paulo é hoje o exemplo mais avançado e mais concreto. Em novembro de 2025, durante o Summit Agenda SP+Verde, o prefeito Ricardo Nunes assinou o decreto que estruturou o orçamento climático da cidade, que prevê R$ 28,8 bilhões para 2026, dentro de um pacote de R$ 122 bilhões até 2029.

É cerca de um quinto de todo o orçamento da cidade passando a ter rastreabilidade climática, sendo possível inclusive consultar o quanto desses recursos estão indo para cada região da cidade. O mais interessante é a quebra da ideia de que clima é assunto só da secretaria de meio ambiente.

A maior fatia desse valor vai para mobilidade urbana, seguida de sustentabilidade ambiental, habitação e gestão de riscos e resiliência a desastres. Ou seja: boa parte do orçamento climático de São Paulo está, na verdade, em transporte e moradia, áreas que mais afetam a vida de quem enfrenta calor, enchentes e poluição no dia a dia.

Na prática, isso aparece em ações que o morador consegue ver: mais de mil ônibus elétricos já rodando (cada um deixa de queimar 35 mil litros de diesel por ano), centenas de quilômetros de ciclovias, jardins de chuva e novos bosques urbanos, pensados para segurar a água e baixar a temperatura.

O Rio de Janeiro foi a primeira cidade da América Latina a adotar um orçamento climático, em novembro de 2023, inspirado na metodologia da C40. Até então, apenas uma dúzia de cidades no mundo, como Londres, Nova York e Oslo tinham implementado o instrumento com sucesso.

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