Propriedades semelhantes apresentam resultados muito diferentes, o diferencial é a gestão
O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá. Ainda assim, basta comparar diferentes propriedades para perceber um contraste expressivo: enquanto muitos agricultores colhem cerca de 15 toneladas por hectare, outros ultrapassam 40 toneladas cultivando o mesmo fruto em áreas semelhantes.
A diferença, segundo Vitor Borges, especialista em gestão agrícola e otimização da produção rural, começa muito antes da colheita. Mais do que clima ou variedade da planta, fatores como preparo do solo, irrigação, nutrição, monitoramento da lavoura e planejamento das operações determinam o potencial produtivo da cultura.
O tema ganha relevância porque o país responde por cerca de 70% da produção mundial de maracujá. De acordo com a Embrapa, são aproximadamente 736 mil toneladas produzidas por ano em cerca de 47 mil hectares, grande parte conduzida por pequenos produtores.
Para Vitor, aumentar a produtividade nem sempre exige ampliar a área plantada. "Muitos produtores acreditam que produzir mais significa plantar mais. Na prática, o maior ganho está em conduzir melhor a lavoura. Quando o manejo passa a ser técnico e planejado, a produtividade responde", afirma.
Antes de compartilhar esse método com outros agricultores, Vitor o aplicou na própria propriedade. O resultado foi o aumento da produtividade para até 45 toneladas por hectare, desempenho que também passou a ser observado por produtores que adotaram a mesma estratégia.
Segundo ele, um dos erros mais comuns é agir apenas quando a planta já apresenta sinais de estresse, doenças ou ataque de pragas. "Na agricultura, tempo também significa produtividade. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de preservar a produção".
Nesse processo, a tecnologia vem ganhando espaço. Ferramentas baseadas em inteligência artificial já auxiliam produtores na identificação de pragas, doenças e deficiências nutricionais, além de organizar informações que tornam o manejo mais preciso. "A tecnologia não substitui a experiência de quem está no campo. Ela ajuda o produtor a tomar decisões mais rápidas e mais seguras".
As mudanças climáticas reforçam essa necessidade. Períodos de estiagem, excesso de chuva e oscilações de temperatura exigem lavouras mais preparadas para enfrentar situações de estresse. "Não existe tecnologia capaz de impedir um evento climático extremo. O que existe é uma propriedade mais preparada para responder a esses desafios. Quanto melhor o manejo, maior a capacidade da lavoura de manter sua produtividade".
Para Vitor, o próximo salto da fruticultura brasileira não depende da abertura de novas áreas, mas da capacidade de produzir mais e melhor nas propriedades que já existem. "O Brasil já mostrou que sabe produzir maracujá. O desafio agora é transformar conhecimento e gestão em produtividade".
Sobre
Vitor Borges é
especialista em manejo agrícola, produtividade e rentabilidade no
agronegócio. Atua no desenvolvimento de metodologias para gestão da
produção rural, manejo de culturas, irrigação, nutrição vegetal e
controle fitossanitário, com foco na integração entre conhecimento
agronômico e tecnologias digitais aplicadas ao campo.
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Karol Romagnoli
Assessora Sênior
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