JORNAL A REGIÃO
Aos 82 anos, o professor, escritor e babalorixá Ruy do Carmo Póvoas é uma lenda viva da cultura grapiúna. Nesta sexta-feira, em entrevista ao Conexão Morena, da Morena FM 98, ele recuperou a história de sua origem. Nascido em Ilhéus e radicado em Itabuna, Ruy é cria do encontro de dois universos, a casa grande e o o terreiro.
"Meu pai era um latifundiário, branco, senhor do cacau, que lia em francês, inglês, latim, italiano. E minha mãe era negra, doméstica, mulher do candomblé, analfabeta de pai e mãe", disse o fundador do Ilê Axé Ijexá, um dos terreiros mais tradicionais de Itabuna. "Fui criado e educado no liminar desses dois mundos", acrescentou.
A riqueza econômica do pai e a ancestralidade da mãe apresentaram o menino grapiúna às grandes obras da literatura, mas também ao conhecimento dos povos de terreiro. Ele recorda que, ainda na infância, teve um choque ao conhecer a roça de cacau, onde viu "o luxo da casa grande" em oposição à "miséria da casa dos trabalhadores".
Foi ali, entre dois mundos, que aguçou a sensibilidade para a vida. Além da trajetória religiosa, construiu carreira acadêmica como professor de Letras na Universidade Estadual de Santa Cruz, onde fundou o Núcleo de Estudos Afro-Baianos Regionais. De vasta produção literária, é autor de obras importantes, a exemplo de "A Fala do Santo".
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