O jargão de gênero neutro é uma idiotice com o único propósito de identificar os progressistas como “virtuosos”. Tom Slater, da Spiked, para a Oeste:
Em
um golpe pelo “progresso” que ninguém pediu, políticos nos Estados
Unidos estão em guerra pela linguagem neutra. Como parte de um movimento
por “diversidade e inclusão” liderado pelos democratas, termos de
gênero neutro em pouco tempo podem ser eliminados das regras da Câmara
dos Representantes. Não apenas expressões como “homem de negócios” e
“homem do mar” estão com os dias contados, ao que parece, mas também
todos os substantivos e pronomes com gênero definido.
Depois
de uma reação negativa por parte dos republicanos, Jim McGovern,
democrata e presidente do Comitê de Regras da Câmara — que apresentou as
propostas com a presidente da Casa, Nancy Pelosi, há duas semanas —,
criticou a “extrema direita” por fazer alvoroço sobre as propostas
destinadas a tornar a Câmara mais “inclusiva” ou “sucinta”. Mas,
enquanto trocar “ele” ou “ela” por um pronome neutro, como as regras
propõem, possivelmente simplificaria um pouco as coisas, o mesmo não
pode ser dito pela troca de “sobrinha” e “sobrinho” por “sobrinhe”, nem
“tia” ou “tio” por “tie”, como também é proposto.
Antes,
as discussões sobre linguagem neutra se concentravam em garantir que o
vocabulário do cotidiano não fosse excessivamente sexista nem prepotente
— usando docente, em vez de professor, por exemplo, para evitar sugerir
que esse seja um trabalho para determinado sexo. Agora, ao que parece, o
jargão neutro trata de eliminar por completo o sexo da nossa fala e das
nossas interações, referindo-se a todos com expressões abrangentes e,
muitas vezes, desajeitadas.
O
manual proposto para a Câmara tem sido considerado mais inclusivo em
relação às pessoas trans. Que a maior parte delas preferiria,
supostamente, ser reconhecida no gênero do qual sentem fazer parte
parece não ter passado pela cabeça dos democratas. Mas, até aí, a nova
febre da linguagem neutra não tem a ver com inclusão de fato, como se
costuma dizer.
Muitas
organizações sérias se expuseram à zombaria ao fazer pronunciamentos
absurdos sobre linguagem, quando na verdade deveriam estar se ocupando
de outras questões. No ano passado, a ONU publicou uma declaração
encorajando as pessoas a abandonar termos com o gênero definido,
incluindo “namorado”, “namorada”, “marido” e “esposa”, “se não tiver
certeza do gênero de alguém ou estiver se referindo a um grupo”. Isso,
dizia o texto, “ajudaria a criar um mundo mais igualitário”.
Tais
prognósticos, até não muito tempo atrás, eram reservados às associações
estudantis e aos funcionários de universidade. Em 2017, noticiou-se que
a Cardiff Metropolitan University tinha lançado um novo código de
conduta, tornando obrigatórias alternativas politicamente corretas para
expressões com o gênero definido. Se você estiver em dúvida, “esforçado”
deveria ser substituído por “diligente”; “trabalhadores” por “força de
trabalho” e “homem de confiança” por “braço direito”.
A
incorporação desses contorcionismos politicamente corretos por parte da
classe política é, na melhor das hipóteses, um pouco idiota. A
linguagem de fato muda com o tempo, refletindo uma mudança de atitudes.
Mas é absurdo sugerir que a liberação das mulheres, por exemplo, fará
progressos consideráveis banindo da memória o uso de “os homens” para se
referir à humanidade. Além disso, as pessoas trans que os democratas
parecem tão empenhados em “incluir” provavelmente têm coisas maiores com
que se preocupar do que se alguém usar a palavra “tia” numa plenária da
Câmara dos Representantes.
Essas
propostas parecem ser basicamente sobre divulgar as virtudes daqueles
que as elaboram. Elas não fazem nada de concreto para melhorar a vida
das pessoas. E existe um lado perverso nisso. Atos ostensivos de
promoção da virtude meio que pressupõem que todos os demais não são
virtuosos — que precisamos ser repreendidos ou conscientizados por
figuras superiores, quer gostemos ou não.
Nesse
sentido, a linguagem “inclusiva” na verdade é um marcador social que
distingue o woke — aquele que está ciente dos acontecimentos da cultura e
da política — do não woke. Na verdade, o fato de tantos termos neutros
serem basicamente impronunciáveis demonstra quanto são excludentes.
Vejamos “latinxs” — a alternativa neutra e não binária para
“latino/latina”. Para a vasta maioria das pessoas, trata-se de um erro
de digitação.
Na
verdade, expressões como essa quase não são conhecidas, quanto mais
usadas, por aqueles a quem se destinam. De acordo com o Centro de
Pesquisa Pew, apenas 23% dos norte-americanos de origem hispânica tinham
ouvido falar do termo “latinx” e só 3% o usam para se referir a si
mesmos. Enquanto a palavra se tornou popular nos círculos ativistas,
mais de três quartos da população “latinx” não faz ideia de que ela
exista.
Esse
é o paradoxo da linguagem inclusiva: ela não tem nada de inclusiva. Ela
exclui a vasta maioria, além de confundir aqueles que deveria “ajudar”.
E que isso tenha se tornado uma questão em si revela quanto a nossa
cultura política tem um foco míope e psicótico no policiamento da
linguagem da virtude performativa.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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