Um
bom número de países iniciou a vacinação; Israel já vacinou quase 30%
da população. E o Brasil? O general nomeado para gerir a Saúde continua
arrastando os coturnos: diz que, após a aprovação das vacinas pela
Anvisa, levará uns três ou quatro dias para enviá-las a todo o país, e
só então poderá iniciar a vacinação. OK: quando um ministro, senador ou
assessor inventa de ir para casa descansar alguns dias, o jatinho surge
na hora. Por que, para salvar vidas, é preciso gastar quatro dias só
para levar a vacina?
O
general demorou para encomendar seringas, agulhas – essas coisas que
nem precisa ser “especialista em logística” para saber que serão
necessárias. Conseguiu, com ajuda da OMS (de que o Governo fala tão
mal), um bom lote de seringas e agulhas. Mas preferiu o frete marítimo,
mais lento, não o aéreo. De duas, uma: ou quer atrasar a vacinação (para
impedir que a vacina do Butantan seja usada antes da que o Governo
Federal está trazendo), ou o Sargento Tainha, com o qual tem semelhança
ao menos no corpanzil, faria melhor figura. Aliás, o Recruta Zero será
parente dos zeros da família?
Enquanto cidadãos brasileiros morrem, que dizem as autoridades?
Bolsonaro:
“Eu sou imbroxável”. Zoser Plata Bondim Hardman de Araújo, assessor do
ministro da Saúde (a descrição da reunião em Manaus, em meio ao caos da
saúde, é feita pela boa repórter Malu Gaspar, na Piauí de janeiro):
"Doria é o maior pau pequeno, um boiola”.
De que se queixa?
Dia D, Hora H, ou não
A
frase mais estranha do general da Saúde é que a vacinação no Brasil
começará no Dia D, Hora H. Dia D. Hora H era o momento da invasão da
Normandia pelos Aliados, na Segunda Guerra Mundial. Se esperassem uma
decisão do general da Saúde, até hoje estaríamos aguardando o
desembarque.
Preocupado com a Covid?
Bolsonaro
fala agora a respeito de facilitar a compra de armas no Exterior.
Quanto à vacinação, haveria uma reunião do general da Saúde, ontem, com
os governadores. Mas nada de sonhos: a reunião foi adiada para algum
dia.
Bye, bye, Ford
Dá
para discutir longamente os motivos da decisão da Ford de suspender a
fabricação de veículos no Brasil. Mas o motivo real é simples: há quanto
tempo o caro leitor não sonhava com um carro novo da Ford? Mesmo nos
EUA, o ponto forte da Ford era um veículo tradicionalíssimo, a F 250.
Nos últimos dias, saiu finalmente um carro com pegada moderna, um
Mustang elétrico, SUV. A empresa tinha ficado para trás. Eterna segunda
no ranking, atrás apenas da GM, hoje fica em sexto, atrás da Hyundai; a
marca Mercury sumiu, Ford e Lincoln, juntas, vendem talvez metade da
líder Volkswagen.
E agora?
A
Ford foi dona de marcas lendárias, Volvo, Aston Martin, Jaguar, mas
vendeu-as. Inovou no processo de fabricação, criando a produção em série
e derrubando o custo dos automóveis. Ford tinha a ideia fixa (que nunca
tentou realizar) de combinar carro e avião, criando um carro voador –
isso em 1930, aproximadamente. Agora, se quiser voltar a ser a grande
Ford, a empresa terá de seguir as tendências: carro sem poluição,
silencioso (de propulsão elétrica, de preferência), automatizadíssimo.
Uma
frase clássica de Ford: fez o carro como quis. Se fizesse uma pesquisa,
o público certamente pediria cavalos mais rápidos. Hoje está na hora de
aplicá-la: na hora dos smart systems, irá a Ford optar por meia dúzia
de computadores ou por um computador que vai funcionar também como
carro? Seus concorrentes são, agora, Tesla, Google, talvez Volkswagen,
Toyota e Apple? O mercado mudou, mudou o mundo.
Preocupado?
As
declarações mais atuais do presidente Bolsonaro se referiram a decretos
que promete assinar para facilitar a importação de armas. Nada sobre
combate à Covid ou vacinação. Ontem deveria haver reunião entre os
governadores e o general da Saúde, para discutir o calendário da
vacinação. A reunião foi suspensa – não se soube o motivo – na noite de
segunda-feira.
Mas preocupe-se
O
jornal Correio Braziliense informa que, nesta semana, a empresa União
Química iniciará a produção da vacina russa – a Sputnik 5. Informa a
União Química que, enquanto não houver autorização da Anvisa, as vacinas
serão exportadas. O diretor de Negócios Internacionais da União
Química, Rogério Rosso, já foi governador de Brasília. Curiosamente, não
há nada na Anvisa referente à vacina russa – que, a propósito, deve ser
boa, já que não houve nenhuma queixa dos países que a adotaram, e os
russos têm boa tradição na área. No dia 8, nenhuma referência no quadro
da Anvisa. Uma das colunas do quadro é o Certificado de Boas Práticas de
Fabricação, que exige o envio de especialistas da Anvisa ao laboratório
que cuida da produção. Nada há.
Um problema
Quando se sabe que há político no caso, o alarme soa. Pode ser injusto.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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