Estaleiros registram crescimento; feira tem público acima do esperado.
Para atender ao gosto do brasileiro, popas dos barcos aumentam.
F400 Gran Coupé: 20 iates já vendidos em 2015 a um preço a partir de R$ 950 mil
(Foto: Divulgação/Paulo Schlick)
O Rio Boat Show, considerado um dos maiores salões náuticos da América
Latina, terminou sua 18ª edição na terça-feira (31) no Riocentro com
mais de 33 mil visitantes, acima do inicialmente esperado pelos
organizadores, que era um público de 30 mil pessoas. Durante seis dias,
empresas ligadas à cadeia produtiva do setor apresentaram novidades e
lançamentos entre embarcações, equipamentos, acessórios, peças e
motores. Os praços variavam entre uma lancha de R$ 60 mil até um iate de
64 pés, com preços a partir de R$ 8 milhões.
“Os números de visitação foram excelentes e atraímos um novo público
comprador. Muitos negócios foram concretizados e negociações iniciadas",
afirma Ernani Paciornik, organizador do Rio Boat Show.
As incertezas da economia e a disparada do dólar parecem não ter
afetado a programação de grandes estaleiros de barcos de luxo. A marca
italiana Azimut, que produz seus iates de luxo em Santa Catarina, num
estaleiro que emprega 300 funcionários, vai fechar 2015 com 30 barcos
produzidos no Brasil, mais que os 26 produzidos em 2014. E a meta para
2017 é produzir 50 barcos por ano no Brasil.
Mas para o CEO da empresa no Brasil, Davide Breviglieri, o mais
importante desse crescimento em unidades, é que vem acompanhado do
aumento expressivo do tamanho médio dos barcos, atendendo à demanda dos
consumidores brasileiros.
“O mercado náutico brasileiro vem evoluindo e vendas e vem crescendo em
tamanho. É de fato nosso produto forte, barcos maiores. Tem cliente que
abandona casa para ficar com o barco. Estou negociando com cliente que
quer um barco de 70 pés para, assim, vender a casa e viver no barco”,
contou.
Conforto e luxo na cozinha do iate da Azimut (Foto: Lilian Quaino/G1)
Cabine do iate Azimut (Foto: Lilian Quaino/G1)
O executivo anunciou que o estaleiro começa a produzir iates de 83 pés (25 metros de comprimento).
O mercado brasileiro é tão importante para a marca que adaptações têm
sido feitas nos barcos para atender aos desejos do cliente.
“Andamos ouvindo os desejos cliente brasileiro de aproveitar um pouco
mais a área de popa do barco. Mundialmente aproveita-se a parte de cima,
o fly-bridge, mas o brasileiro usa muito a popa para um churrasco, para
um momento de festa e descontração. Absorvemos esse pedido e colocamos
essa proposta em todos os barcos. São adicionais que não tiram nada da
beleza do projeto, mas agregam o conteúdo específico. Mais riqueza onde o
cliente brasileiro gosta de estar”, explica o CEO.
Segundo Breviglieri, a indústria náutica andou redefinindo o patamar de
números depois de anos de benefícios com o câmbio favorável e hoje o
patamar é um pouco menor.
“Nem todos os estaleiros estão confortáveis, mas nossa proposta é de um
grupo internacional que investiu na marca, no design, no equipamento”,
disse.
O estaleiro Azimut vai fechar 2015 com um faturamento de R$ 100
milhões, que representa 10% do faturamento do grupo. Em 2017, a meta é
alcançar 15% do volume global. Começar a produzir para a América Latina
também é um projeto já iniciado pela companhia. Um dos focos é o Caribe.
“Isso é algo importante num momento de grande turbulência, e um projeto
robusto, com proposta de marca forte consegue. Queremos ser número 1 no
mercado. Sou o único internacional que produz no Brasil”, disse
Breviglieri.
Allysson Yamamoto, diretor de Marketing do estaleiro Intermarine,
baseado em Osasco, na Grande São Paulo, concorda que o momento é
desafiador na economia e delicado na política, mas diz que a empresa não
pode reclamar.
“Estamos vendendo bem mesmo com todas as incertezas e aumentando a
produção em 40% em 2015 em relação ao número de unidades produzidas em
2014. O aumento se deve a uma série de estratégias envolvendo desde área
comercial, ao lançamento de novos produtos, marketing, assistência
técnica, um trabalho que permite que tenhamos esse crescimento
consistente”, disse.
Segundo Yamamoto, em 2014 foram vendidos 29 iates, e 2015 fechará com 42 vendidos. Ele não cita o faturamento do grupo.
“O que vendemos mais é o de 60 pés. Para este ano tem sete unidades de
80 pés vendidas, algo que nunca aconteceu antes”, explica, confirmando
ainda a preferência dos brasileiros por barcos maiores.
A exportação está planejada para o fim 2015 e início de 2016, com foco
na comunidade latina que vive em Miami, na Flórida. E logo depois, o
público americano.
Estaleiro já tem 20 vendidos em 2015
O Fibrafort, considerado o maior estaleiro em quantidade produzida na
América Latina, entrou na produção de embarcações de grande porte com o
F400 Gran Coupé de 40 pés (12 metros) fabricada em parceria com a
Porsche Consulting.
A primeira lancha foi entregue em janeiro, e mais de 20 da frota de
2015 já foram vendidos e estão em fabricação e serão entregues ainda em
2015. O barco sai por um preço a partir de R$ 950 mil.
O gerente de Marketing e Negócios, Rafael Ferreira também afirma que o
setor náutico está em expansão e o mercado brasileiro apresenta
potencial para crescer ainda mais.
“A popularização do mundo náutico não é tão acelerada, mas existe.
Linhas de crédito disponíveis e o aumento da capacidade financeira da
população possibilitam uma maior abertura de mercado”, disse o gerente
da Fibrafort.
A empresa catarinense está presente em 42 países, é especializada na
fabricação de embarcações de 16 a 40 pés, e já produziu mais de 13 mil
barcos desde a fundação em 1990.
O estaleiro Schaefer Yachts lançou a Phantom 375, um dos barcos mais visitados na feira, e expõs a Phantom 620, de 62 pés.
“Consideramos o Rio Boat Show 2015 um sucesso. O público compareceu em
peso e mostrou a força do evento e sua paixão por barcos. Saímos muito
satisfeitos”, afirma Márcio Schaefer, presidente do estaleiro.
Phantom 375, o barco mais procurado do estaleiro Shaefer (Foto: Divulgação/Schaefer Yachts)
Iate da Intermarine de 65 pés, o maior em exibição na feira (Foto: Lilian Quaino/G1)