MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O novo líder precisa saber gerir emoções

 

Vitru Educação


O novo líder precisa saber gerir emoções



 

* Cyntia Gomes

 

Em um ambiente de trabalho marcado pela pressão por resultados, mudanças constantes, conflitos geracionais, transformações digitais e alta demanda por produtividade, a inteligência emocional deixou de ocupar o campo das chamadas “habilidades subjetivas” para assumir um papel estratégico na gestão. Liderar, hoje, exige muito mais do que domínio técnico, visão de negócio e capacidade de tomar decisões. Exige, também, maturidade emocional para conduzir pessoas em cenários cada vez mais complexos.

 

Durante muito tempo, cargos de gestão estiveram associados principalmente à autoridade, ao controle e à entrega de metas. Esse modelo, embora ainda esteja presente em muitas organizações, mostra sinais de esgotamento. Equipes não se sustentam apenas por processos, indicadores e cobranças. Pessoas precisam de clareza, escuta, reconhecimento e segurança psicológica para desempenhar bem suas funções sem que a pressão cotidiana comprometa sua saúde.

 

É nesse contexto que a inteligência emocional se torna uma competência central da liderança. Ela está relacionada à capacidade de reconhecer emoções, compreender seus impactos e agir com equilíbrio, especialmente em situações de tensão. Um gestor emocionalmente inteligente não é aquele que evita conflitos ou ignora problemas. Pelo contrário: é alguém capaz de enfrentar desafios, conduzir conversas difíceis, comunicar-se de forma assertiva e tomar decisões adequadas sem permitir que impulsos momentâneos conduzam suas ações.

 

Quando essa competência é frágil, os efeitos aparecem rapidamente no ambiente de trabalho. Um gestor que reage impulsivamente diante das adversidades pode criar uma cultura defensiva, na qual as pessoas preferem esconder problemas a apresentá-los e buscar soluções. Um líder que não sabe ouvir limita a criatividade coletiva. Já quem ocupa uma posição de comando sem reconhecer as próprias limitações pode transformar inseguranças pessoais em controle excessivo, ampliando tensões e até riscos para a organização.

 

O caminho contrário também é verdadeiro. Lideranças emocionalmente desenvolvidas tendem a favorecer ambientes mais colaborativos, produtivos, engajados e resilientes. A escuta ativa contribui para decisões mais qualificadas, a empatia amplia a compreensão dos diferentes perfis profissionais e o autocontrole reduz conflitos e ruídos que poderiam ser evitados.

 

É importante, porém, afastar a ideia de que inteligência emocional seja uma característica inata. Trata-se de uma competência que pode — e deve — ser desenvolvida. Autoconhecimento, formação continuada, mentoria, avaliações de perfil, cultura de feedback e práticas consistentes de desenvolvimento de liderança são alguns dos caminhos possíveis.

 

As organizações também precisam compreender que promover um excelente profissional técnico para um cargo de gestão não significa, automaticamente, formar um bom líder. Conhecimento técnico e liderança de pessoas são competências diferentes. Nem todo gestor é líder, assim como nem todo líder necessariamente ocupa um cargo formal de gestão.

 

Liderar exige equilíbrio entre resultados e humanização. Por isso, inteligência emocional não deve ser confundida com permissividade ou com a ideia de um líder apenas “bonzinho”. Ela é tão necessária quanto planejamento, conhecimento técnico e foco em resultados, porque envolve a consciência sobre o impacto que comportamentos, palavras e decisões provocam nas pessoas.

 

O futuro da liderança passa pela compreensão de que gerir não significa apenas distribuir tarefas ou acompanhar indicadores. Significa criar condições para que as pessoas possam contribuir, crescer e entregar resultados com responsabilidade e saúde mental. Nesse sentido, a inteligência emocional não suaviza a gestão: ela a qualifica. E essa pode ser uma das mudanças mais urgentes para organizações que desejam permanecer relevantes, sustentáveis e verdadeiramente humanas.

 

Cyntia Gomes é mestre em Educação, especialista em gestão, liderança e desenvolvimento de pessoas e professora de Pedagogia da EAD UniCesumar.

 

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