Por Renan Cardarello
Durante anos, o sucesso de uma estratégia de SEO esteve diretamente associado a uma métrica: o clique. Quanto melhor a posição conquistada no Google, maior a expectativa de levar o usuário para o site. Mas, e quando ele encontra a resposta que procura sem precisar clicar em lugar algum? É justamente essa mudança de comportamento que está por trás do conceito de zero-click search, ou busca sem clique.
A expressão descreve pesquisas em que o usuário encontra a informação desejada diretamente na página de resultados, sem acessar um site externo. Isso pode acontecer por meio de um snippet, painel de informações, mapa, recurso interativo ou, cada vez mais, de uma resposta gerada por inteligência artificial.
Não se trata de uma mudança pequena. Dados de mercado citados pelo Sebrae RS mostram que, em 2024, 58,5% das buscas realizadas nos Estados Unidos terminaram sem nenhum clique em um site externo. Em meados de 2025, o índice chegou a 65% globalmente. Não há, porém, um dado público equivalente específico para o Brasil. Ainda assim, o cenário internacional já é suficiente para evidenciar que a relação entre busca, clique e consumo de conteúdo está mudando.
O impacto dessa transformação vai além da tecnologia, colocando em xeque uma premissa importante do marketing digital: a visibilidade não significa, necessariamente, tráfego. Uma marca pode aparecer como fonte de uma resposta, ser mencionada por uma IA ou ocupar um espaço de destaque na página de resultados sem receber uma única visita.
Isso não significa, contudo, que o SEO perdeu relevância. Significa que a disputa pela visibilidade digital ganhou novas camadas — e que os critérios para avaliar o sucesso de uma estratégia precisam acompanhar essa evolução. E, é nesse ponto que o GEO (Generative Engine Optimization) ganha espaço.
Se mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial passaram a sintetizar informações de diferentes fontes para entregar respostas aos usuários, as empresas precisam trabalhar para que seus conteúdos sejam compreendidos, considerados relevantes e utilizados como referência nesses ambientes.
O primeiro passo continua sendo a qualidade. Conteúdos produzidos apenas para repetir palavras-chave tendem a perder força em um ambiente no qual mecanismos de busca precisam identificar informações confiáveis e contextualizadas. Textos originais, bem estruturados, atualizados e capazes de responder a dúvidas específicas passam a ter ainda mais importância.
A própria evolução da Pesquisa Google reforça esse movimento. A empresa afirma que seus recursos de inteligência artificial, como AI Overviews e AI Mode, continuam utilizando as bases tradicionais de SEO. Mas, para que uma página possa aparecer como link de apoio nessas experiências, ela precisa estar indexada e qualificada. Ou seja, GEO não representa o abandono do SEO tradicional, mas a expansão de uma estratégia de visibilidade que precisa considerar novos ambientes de descoberta.
Outro elemento ganha peso nessa equação: a autoridade. Quando o usuário pode receber uma resposta sem visitar nenhum site, ser reconhecido como uma fonte confiável passa a ter valor por si só. Isso exige que as marcas olhem para além do próprio blog corporativo, construindo presença em diferentes canais, conquistando menções externas, produzindo conteúdo especializado e mantendo consistência na construção de sua autoridade.
Essa mudança também precisa chegar à mensuração. Cliques e sessões continuam sendo indicadores importantes, especialmente para negócios que dependem de conversões no site. Mas, eles já não contam toda a história. Impressões, presença em recursos de busca, citações da marca e conversões assistidas passam a contribuir para uma visão mais completa do impacto da estratégia.
O desafio, portanto, não está em escolher entre SEO e GEO, mas em entender que os dois passam a fazer parte de uma mesma disputa pela atenção e relevância antes, durante e depois do clique.
A era do zero-click search não representa o fim do SEO. Ela revela que a disputa pela atenção digital está acontecendo cada vez mais cedo na jornada do usuário. Então, em vez de trabalhar apenas para levar pessoas ao site, as marcas precisam estar preparadas para ser encontradas, citadas e reconhecidas como referência, mesmo quando a jornada termina antes da visita.
No fim, a pergunta já não é apenas quantas pessoas clicaram. É também: quantas vezes a sua marca foi considerada relevante quando alguém buscou uma resposta?
Renan Cardarello é Fundador e Diretor da iOBEE – Agência de marketing digital e Growth.
Sobre a iOBEE:
Atuando de forma abrangente com serviços de Google Ads & Meta Ads, SEO, Inteligência em Gestão de Redes Sociais, Inbound Marketing e outros mais. A iOBEE é uma agência de marketing digital e tecnologia, com uma abordagem estratégica e serviços que atendem todas as áreas essenciais para impulsionar o crescimento e o faturamento das empresas.
Imagens relacionadas
baixar em alta resolução |
|
Nathália Bellintani Tel: +55 (11) 9848-4042 Email: nathalia@informamidia.com.br www.informamidia.com.br |

Nenhum comentário:
Postar um comentário