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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Acidentes com marquises e sacadas acendem alerta para manutenção preventiva de edificações

 

Crea-BA

Acidentes com marquises e sacadas acendem alerta para manutenção preventiva de edificações

Crea-BA orienta população a observar sinais de deterioração e procurar profissionais habilitados para avaliações e intervenções em estruturas

Casos recentes de quedas e desabamentos de marquises e varandas registrados na Bahia reforçam um alerta para proprietários, moradores e administradores de condomínios, já que estruturas desse tipo precisam de acompanhamento e manutenção ao longo de sua vida útil. Fissuras, infiltrações, corrosão e desprendimento de concreto são alguns dos sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação especializada.

Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), Engenheiro Civil André Tavares, marquises, sacadas e varandas não devem ser vistas apenas como espaços arquitetônicos. “São elementos estruturais que estão submetidos permanentemente a cargas, intempéries e processos de deterioração. O problema é que, muitas vezes, a estrutura só recebe atenção depois que aparece uma manifestação patológica ou, pior, depois que acontece um acidente. A prevenção precisa acontecer antes”, alerta.

Não existe uma causa única para problemas envolvendo essas estruturas e cada situação precisa ser avaliada tecnicamente. Falhas de projeto ou execução, ausência ou deficiência de manutenção, infiltrações, corrosão das armaduras, deterioração do concreto, alterações realizadas posteriormente e sobrecargas estão entre os fatores que podem contribuir para a perda de desempenho.

Esses problemas também podem estar relacionados. Uma infiltração, por exemplo, pode favorecer a corrosão das armaduras. Com o avanço do processo, pode ocorrer fissuração e destacamento do concreto e, sem a intervenção adequada, comprometimento progressivo do elemento estrutural.

Sinais de alerta nem sempre são visíveis

Fissuras e trincas, armaduras expostas, manchas de corrosão, desplacamento do concreto (fenômeno que ocorre quando a camada superficial do concreto se separa da massa principal), infiltrações, deformações, deslocamentos e desprendimento de revestimentos são manifestações que merecem atenção. Mas a ausência desses sinais não significa necessariamente que uma estrutura esteja em boas condições.

“O fato de não enxergar o problema não significa que ele não exista. Existem mecanismos de deterioração que podem não ser perceptíveis para um morador ou pedestre em uma inspeção visual simples”, explica Tavares.

Por isso, há uma diferença importante entre observar uma anormalidade e realizar um diagnóstico. O morador pode e deve acompanhar as condições aparentes do imóvel e comunicar alterações. Já uma inspeção técnica considera aspectos como características construtivas, sistema estrutural, histórico da edificação, intervenções realizadas, condições de exposição e utilização, cargas e manifestações patológicas. Dependendo da situação, também podem ser necessários ensaios e investigações complementares.

Quando se trata de avaliação, inspeção, diagnóstico, projeto, recuperação ou intervenção em elementos estruturais, é necessária a participação de profissional legalmente habilitado e com atribuição compatível. Os serviços profissionais de Engenharia também estão sujeitos à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), instrumento que identifica o responsável técnico pelo trabalho.

Maresia exige atenção especial na Bahia

As condições ambientais também interferem na durabilidade das estruturas. Marquises e elementos em balanço permanecem particularmente expostos à chuva, umidade e variações de temperatura. Em cidades litorâneas, há ainda a influência do ambiente marinho.

Em Salvador e em outros municípios do litoral baiano, a presença de cloretos pode favorecer processos de corrosão das armaduras, especialmente quando há condições para a entrada desses agentes no concreto. Por isso, André Tavares ressalta a importância de atenção à impermeabilização, ao cobrimento das armaduras, à manutenção e ao tratamento precoce de manifestações patológicas. “A estrutura envelhece. O concreto não é eterno e a manutenção não é opcional”, reforça.

Reforma aparentemente simples pode alterar cargas

Outro ponto de atenção são intervenções feitas ao longo dos anos. Fechamento de varandas, substituição de revestimentos e instalação de jardineiras, estruturas metálicas, esquadrias, painéis, piscinas, equipamentos ou condensadoras de ar-condicionado podem modificar as cargas ou as condições de funcionamento previstas originalmente.

“O que parece uma simples reforma para o morador pode representar uma alteração das condições para as quais a estrutura foi projetada. Estrutura não admite improvisação. Não se deve fazer intervenção em elemento estrutural baseado em opiniões. Procure um profissional habilitado”, orienta o vice-presidente do Crea-BA.

A concentração de pessoas e objetos também merece cuidado. O morador, em geral, não tem condições de determinar por conta própria quanto peso uma varanda ou sacada pode suportar. O Crea-BA, inclusive, enviou um ofício ao Ministério Público referente à ocupação de varandas durante grandes festas em Salvador, alertando que o acúmulo de pessoas, móveis e outros objetos pesados pode comprometer a estabilidade de uma estrutura.

Manutenção deve acontecer antes do problema

A manutenção preventiva é uma das principais ferramentas para evitar que processos de deterioração avancem. A partir do diagnóstico de um profissional habilitado, podem ser indicados, entre outros serviços, tratamento de infiltrações, recuperação do concreto, tratamento das armaduras, impermeabilização e, quando necessário, reforço estrutural.

Caso sejam percebidos sinais que possam representar risco, a recomendação é não realizar intervenções por conta própria e evitar a permanência de pessoas no local.

“Primeiro: não mexer. Segundo: não tentar consertar por conta própria. Terceiro: afastar pessoas da área, quando houver risco de desprendimento ou colapso. Quarto: procurar imediatamente um profissional habilitado para realizar a avaliação e indicar as medidas necessárias”, orienta o engenheiro André Tavares. Havendo risco aparente e imediato, a área deve ser isolada e os responsáveis e órgãos competentes devem ser acionados, conforme a situação.

Competências do Crea-BA

O Crea-BA ressalta que não cabe ao Conselho fiscalizar as condições das construções ou dos imóveis. Sua atribuição é fiscalizar o exercício profissional nas áreas abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, verificando, por exemplo, se serviços técnicos que exigem habilitação estão sob responsabilidade de profissionais legalmente habilitados e com atribuições compatíveis.

“O Crea não substitui o proprietário, o síndico ou o profissional responsável pela edificação. O papel do Conselho é fiscalizar o exercício profissional da engenharia e verificar se os serviços técnicos que exigem profissional habilitado estão sendo realizados de acordo com a legislação”, explica Tavares. A ART é um dos instrumentos utilizados nesse contexto, pois permite identificar o profissional responsável por determinado serviço de Engenharia. 

Para Tavares, a principal orientação é não esperar que um problema se torne evidente para buscar ajuda técnica. “Se existe dúvida sobre a segurança de uma marquise, varanda ou sacada, procure um profissional habilitado. Em Engenharia, prevenção custa muito menos do que recuperação e, infinitamente menos, do que um acidente envolvendo responsabilidade civil, administrativa e criminal.”

 

 

 



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