A preocupação maior de José Dirceu
Falando
em Belo Horizonte, no dia 13 de novembro de 2018, durante reunião com
militantes de seu partido, José Dirceu apontou o foco em que se deveria
concentrar a ação dos companheiros. Sob aplausos, mencionou a
importância da Cultura e da Educação. No dizer do principal estrategista
do petismo, seus adversários não têm o controle dessas áreas. E
encerrou com uma lisa e franca confissão: “A pior ameaça que nós vamos
viver é a Escola Sem Partido porque a Cultura e a Educação é onde estão
as mentes e os corações”.
Ganha
sentido, então a pergunta a nós mesmos: é bom o resultado obtido pela
nação com essa apropriação política da Educação e a Cultura de um país
pluralista para ali exercerem o domínio de corações e mentes?
STF e ministro Roberto Barroso
Há
cinco meses, mais uma vez o STF fez José Dirceu sorrir. Por 9 a 1
declarou inconstitucional o projeto de escola sem partido aprovado em
Alagoas. Extinguiu a preocupação do guru petista! Em seu voto, combateu a
neutralidade política e ideológica pretendida pela lei estadual. Alegou
nada haver na Constituição sobre essa neutralidade e, lá pelas tantas
afirmou: “Quanto maior é o contato do aluno com visões de mundo
diferentes, mais amplo tende a ser o universo de ideias a partir do qual
pode desenvolver uma visão crítica, e mais confortável tende a ser o
trânsito em ambientes diferentes dos seus”.
Fez
de conta não ver a realidade para manter tudo como está. Aliás, não é
exatamente essa única visão de mundo que a folgada maioria do STF impõe à
nação? E não é o que acontece na maior parte das federais, para ficar
apenas com estas porque nós as custeamos?
Listas Tríplices
Listas
tríplices, como se sabe, não havendo burlas nem golpes, apresentam os
nomes por ordem de votação. Em vista disso, entendem alguns que não
escolher o primeiro é desconhecer o resultado de uma eleição democrática
travada no corpo funcional que promove as três indicações.
Um
amigo magistrado alertou-me esta semana para o problema de fundo com
uma frase singela. Disse ele: “Escolher o primeiro nada tem a ver com
democracia”. E não tem mesmo. Dê-se razão ao sábio jurista. Pode até ter
efeito contrário.
Corporativismo
Impor
a escolha do primeiro tem muito mais a ver com espírito de corpo, com
corporativismo, com defesa de interesses particulares ou de grupo do que
com democracia. Como escrevi em artigo anterior, a escolha de qualquer
um dos três pelo governante permite a alternância no poder porque o
governante que procede a escolha é parte de um sistema político e
eleitoral que permite a alternância. E essa é uma condição essencial ao
pluralismo e às democracias. Todo o coro dos inconformados tem a ver
com o resultado da eleição presidencial de 2018 e com a alternância que
determinou.
Há
pessoas para as quais pluralismo, liberdade, democracia e estado de
direito são rótulos de gaveta no maquiavélico laboratório educacional e
cultural em que manipulam corações e mentes. Não lhes interessam Cultura
e Educação, mas o poder que delas pode advir. Perguntem ao José
Dirceu...
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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