Quatro artistas participam de concurso de grafite, dois são ex-pichadores.
Através de site, população pode votar na obra favorita até 31 de dezembro.
O projeto “Galeria aberta, arte em tapumes” visa, segundo a organização, tornar espaços da cidade mais acolhedores e agradáveis ao olhar. Outro objetivo é valorizar a arte urbana como uma forma de combater o vandalismo das pichações.
Artistas
Quatro grafiteiros foram convidados para participar do projeto. Rubin, André Amorim, Wes Gama e Decy fazem parte do grupo Árvore Urbana, que vê no grafite um caminho para que adolescentes envolvidos com a pichação se transformem em artistas.
André e Wes Gama eram pichadores e tomaram o grafite como uma "missão" e "uma questão social". André conta que começou a pichar aos 13 anos. Ele afirma que gostava da adrenalina de riscar as fachadas, mas resolveu fazer algo diferente e que não fosse crime. “Essa é uma forma legal e que eu posso evoluir com o meu trabalho, já que com a pichação não seria possível”, conta.
Para o concurso, ele pintou o retrato de Nelson Mandela, um dos símbolos da paz mundial e do combate ao preconceito racial.
Gama retratou a miscigenação em seu painel intitulado “O Brasil Índio”. Ele afirma que, por meio dos indígenas, manifestamos respeito à natureza e ao próximo. “Tudo está interligado”, acredita.
Decy era pintor de paredes e trabalhava com comunicação visual em muros. Hoje, além de grafitar paredes e muros com sua arte, ele registra desenhos no corpo de quem admira seu trabalho.
“Hoje faço também tatuagens. Tento com meu trabalho passar para as pessoas que não há diferenças entre nós por causa de cor, raça ou dinheiro”, afirma. Para a disputa, ela pintou o painel “Alegria para quem precisa”.
Para completar o time do projeto, o goianiense Rubin fez do grafite sua voz. Depois de experiências em vários países, ele voltou a Goiânia para pintar em um tapume a obra “mãos”. Segundo ele, a tela é uma forma de celebrar a união e passar uma mensagem de paz para a população.
Votação
As obras foram pintadas em três bairros da capital: Jardim América, Parque Amazônia e Setor Leste Universitário. Os painéis foram criados em tapumes de mais de 17 metros quadrados que cercam os canteiros dessas obras.
Até o dia 31 de dezembro, os painéis estão em votação no site do projeto Arte em Tapumes, onde também é possível conhecer mais a história de cada um dos artistas. O autor da obra mais votada receberá um prêmio de R$ 1 mil no dia 4 de janeiro do ano que vem.
A incidência de ações de vandalismo em prédios públicos e privados por meio das pichações motivou um levantamento da Polícia Civil sobre o perfil dos pichadores. De acordo com dados da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), 85% deles são menores de idade e não estudam. O levantamento aponta que grande parte destes adolescentes têm envolvimento com drogas.
Além disso, as pichações são uma forma de disputa de prestígio entre 75 grupos identificados em Goiânia. Desta forma, quanto mais locais os grupos marcam suas iniciais ou codinomes das gangues, mais prestígio e fama têm.
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