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sábado, 18 de julho de 2026

Celulose é mais afetada pelo tarifaço

 

JORNAL A REGIÃO

A tarifa extra de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, decidida depois de estudos que não foram contestados pelo presidente Luis da Silva (PT), pode prejudicar 245 produtos produzidos na Bahia, todos exportados para lá. A Fieb alerta para o tamanho do rombo.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia, 33,2% dos produtos exportados para os EUA vão ter o tarifaço aplicado. "Isso corresponde a US$ 273,1 milhões dos US$ 821,4 milhões exportados no ano passado (157 produtos isentos)," informa o superintendente da Fieb, Vladson Menezes.

Apesar de negativo, o impacto não atinge todos os produtos baianos. “De modo geral, a definição final incluiu menos exportações brasileiras do que se esperava, mas, no caso da Bahia, foi um pouco mais, porque incluiu a celulose solúvel, que não estava na previsão inicial”, conta Vladson.

“Mesmo assim, se colocarmos um ano para frente, vai dar 0,3% do PIB, então é um impacto pequeno. Mas é um impacto sobre empresas relevantes e sobre setores relevantes da economia. Portanto, é negativo e não representa nenhum ganho significativo para a economia americana”, afirma.

Segundo a Fieb, em 2021 os EUA eram o destino de 35% das exportações da Bahia, mas esta fatia caiu muito no ano passado, para 7,1%, e deve cair ainda mais em 2026, para algo em torno de 6,1%. “Esse total de 821 milhões de dólares já tinha tido o impacto das tarifas do ano passado".

"Começou em abril; depois, em junho, teve sobretaxa para aço e alumínio; depois outra em julho. Em novembro, os EUA tiraram alguns produtos. Já em fevereiro, houve uma decisão judicial que entendeu que a norma em que eles se apoiavam estava equivocada, então tiraram todas as taxas. Anunciaram uma tarifa de 10% por 150 dias, que está acabando na semana que vem”, conta Vladson.

Os segmentos mais impactados na Bahia serão o de papel e celulose, borracha e plástico, e a indústria química, principalmente petroquímicos básicos. Para a Fieb, o maior prejuízo será da celulose solúvel, porque é o principal produto exportado pela Bahia para os Estados Unidos.

No ano passado, o ganhou com ela foi de US$ 96,2 milhões, quando estava na lista provisória da sobretaxa. “A celulose solúvel é um produto especial, digamos assim. Não é aquela utilizada para papel, mas uma forma mais purificada, que tem mais valor agregado".

"Ela é usada em algumas fibras da indústria têxtil, farmacêutica e cosmética. Por ser tarifada, esse setor será afetado”, explica Vladson. "Outros produtos representam apenas 10% do valor que foi importado no ano passado, como sucos de fruta, calçados específicos, nozes sem casca e frutas como a uva fresca. Todos são produtos que não chegaram a US$1 milhão, em exportações", explica.

“Em 2026, por exemplo, exportamos US$264 mil. Não é pouco para a gente, mas, para a economia, é. É um produto afetado importante para a região do Vale do São Francisco, mas eles exportam muito mais para a Europa”, exemplifica.

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