
Efeito GLP-1 chega ao varejo de produtos saudáveis e impulsiona procura por proteínas, fibras e alimentos funcionais
Especialista da Bio Mundo explica como mudanças na alimentação de quem utiliza as canetas emagrecedoras estão transformando o consumo nas lojas de produtos naturais
O avanço dos medicamentos à base de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida — as famosas canetas emagrecedoras —, está provocando mudanças que vão além da perda de peso. À medida que o apetite diminui durante o tratamento, cresce também a preocupação em manter uma alimentação nutricionalmente adequada, estimulando a procura por alimentos com maior densidade nutricional, suplementos proteicos, fibras e reposição de vitaminas e minerais.
Esse novo comportamento já pode ser observado nas lojas da Bio Mundo, uma das maiores redes de produtos naturais e de bem-estar do país. Segundo a empresa, categorias voltadas ao aporte nutricional ganharam relevância nos últimos meses, acompanhando a expansão do uso das chamadas canetas emagrecedoras.
Entre os produtos com maior crescimento de demanda estão água proteica, proteínas prontas para consumo (RTD), Smart Protein, barras substitutas de refeição (meal replacement), eletrólitos, psyllium saborizado, shots funcionais e gummies vitamínicas.
Segundo Amanda Rodrigues, nutricionista da Bio Mundo, o movimento é esperado, já que os medicamentos reduzem significativamente o apetite e, consequentemente, a quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia.
“Um dos principais desafios para quem utiliza medicamentos agonistas de GLP-1 é conseguir atingir as necessidades nutricionais mesmo com uma ingestão alimentar menor", explica. “Quando o paciente passa a comer menos, pode acabar consumindo menos proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Por isso, é importante planejar a alimentação e, quando houver indicação do médico ou nutricionista, utilizar alimentos e suplementos que ajudem a complementar essa ingestão.”
Na rede Bio Mundo, a venda de suplementos de proteína, como o whey protein, cresceram 33% nos último ano, enquanto as vendas de vitaminas subiram 16% no mesmo período.
A especialista ressalta que os suplementos não substituem uma alimentação equilibrada nem o acompanhamento profissional, mas podem representar uma alternativa prática para pacientes que encontram dificuldade em atingir as recomendações nutricionais apenas com os alimentos.
“Os suplementos proteicos, por exemplo, podem facilitar o aporte diário de proteínas em um volume menor de alimento, o que costuma ser interessante para pessoas que apresentam saciedade precoce durante o tratamento. Da mesma forma, fibras, eletrólitos e vitaminas podem fazer parte da estratégia nutricional quando existe necessidade individual.”
As recomendações estão alinhadas ao posicionamento publicado por sociedades internacionais de nutrição e medicina da obesidade. Um consenso elaborado pela American Society for Nutrition, Obesity Medicine Association, American College of Lifestyle Medicine e The Obesity Society destaca que pessoas em uso de GLP-1 apresentam redução importante da ingestão calórica devido à diminuição do apetite, o que pode comprometer o consumo adequado de proteínas e micronutrientes. O documento também aponta que shakes proteicos, barras e outros alimentos fortificados podem auxiliar alguns pacientes a atingir suas necessidades nutricionais, sempre dentro de um plano alimentar individualizado.
Varejo acompanha a mudança de comportamento
Na Bio Mundo, a mudança no perfil de consumo também tem levado à adaptação do mix de produtos.
“Percebemos que o consumidor passou a buscar muito mais praticidade aliada à qualidade nutricional. São pessoas que querem aproveitar melhor as poucas refeições do dia e procuram alimentos que entreguem proteínas, fibras ou vitaminas em pequenas porções”, explica a nutricionista.
Além dos suplementos proteicos, a procura por psyllium, utilizado para aumentar o consumo de fibras, e por bebidas com eletrólitos também cresceu. Os produtos prontos para consumo, como proteínas líquidas e shots funcionais, ganham espaço por oferecerem conveniência para quem tem pouco apetite.
"O uso dos medicamentos está mudando a forma como muitas pessoas se alimentam", conclui Rodrigues. “O foco deixa de ser apenas comer menos e passa a ser comer melhor. Isso abre espaço para alimentos com maior densidade nutricional e para uma suplementação bem orientada, sempre respeitando a individualidade de cada paciente.”
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Marcia Fonseca
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