O resultado da "educação politizadora" se representa perfeitamente nos políticos que temos. Percival Puggina:
Tenho
mencionado repetidas vezes em artigos, vídeos e palestras que, enquanto
conservadores e liberais estão sempre dispersos e atomizados nacional e
internacionalmente, os marxistas, comunistas, fabianos et alii, formam
e dispõem de uma quase secular rede de mútuo socorro em suas múltiplas
organizações. O efeito disso se faz sentir ante qualquer necessidade em
vários níveis da comunicação, da política dos povos e da política
internacional, da cultura e das igrejas. Paulo Freire foi mercadoria bem
iluminada nas vitrinas desses poderosos organismos.
Sua
fama foi erguida sobre dois fundamentos: o livro “A pedagogia do
oprimido” (1968) e a anterior experiência de Angicos (pequeno município
potiguar), onde, com grande repercussão internacional, alfabetizou 300
pessoas em 40 horas (1963). Se você chutar uma pedra perto de um curso
de pedagogia no Brasil, salta debaixo dela uma tese sobre Paulo Freire.
Recentemente li uma. O texto revela o pouco interesse do mestrando pela
alfabetização e o encanto que lhe suscitou a missão politizadora da
educação. O paraíso desceria à terra porque a consciência daria forma à
utopia.
Isso
acontece na história dos povos. A “natureza” provê às sociedades
indivíduos propensos às hecatombes, sempre com motivações palavrosas,
aparentemente nobres. Tal é o trabalho de Freire e seus seguidores,
muitos dos quais agem movidos pelo mimetismo comum no nosso meio
acadêmico, sem uma real compreensão daquilo que fazem.
A
geração de Paulo Freire é muito próxima à minha. Ele tinha 23 anos mais
do que eu. Li a Pedagogia do oprimido com 25 anos e minha primeira
constatação foi a de que se tratava de um livro muito mal escrito. A
segunda: era um dos mais políticos que já lera. Voltando a ele, quase
meio século mais tarde, para escrever um capítulo do livro
“Desconstruindo Paulo Freire”, organizado pelo historiador Thomas
Giulliano, confirmei inteiramente os dois conceitos então emitidos.
Parcela
significativa da minha geração, politizada e ideologizada até a raiz
dos cabelos por outras influências que não suas, quando chegou às
cátedras passou a fritar o cérebro dos alunos em banha marxista. Foram
esses professores, cujos mestres não eram ainda freireanos e, por isso
aprenderam um pouco mais, que deram eco a Paulo Freire. Multidões
abandonaram os conteúdos e partiram para a militância. Construíram a
ignorância dos alunos, mas conseguiram seus objetivos políticos.
Mentiram sobre história, abandonaram os clássicos, optaram pelas piores
vertentes do pensamento e produziram uma geração onde só evoluíram
aqueles que, voluntariamente, chutaram o balde e trataram de avançar por
conta própria.
Hoje,
essa orientação pedagógica cobra das novas gerações um preço
descomunal. Muitos carregam o ônus da ignorância preservada, do talento
contido na fonte e da futura mediocridade. Os números brasileiros do
Pisa, entre 80 países, colocam-nos em lugares que variam entre 58º e
74º. Dois terços sabem menos do que o básico em matemática.
Nenhum
desenvolvimento social sustentável pode advir da degradação
qualitativa de nossos recursos humanos. Somente o esforço conjunto de
alunos, pais e bons mestres ainda remanescentes permite, a alguns,
escapar das malhas da mediocridade. E o resultado da "educação
politizadora" se representa perfeitamente nos políticos que temos.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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