O sistema montado pelos democratas no poder exauriu a riqueza e espantou a classe média. Flávio Quintela para a Gazeta do Povo:
Já
ouviram alguém dizer que, se comunismo fosse bom, as pessoas fugiriam
de Miami em direção a Cuba, e não o contrário? Seja qual for a sua
resposta, a verdade é que essa afirmação tem comprovação empírica em
nosso mundo atual. Venezuela, Cuba e Coreia do Norte que o digam. As
pessoas querem fugir desses lugares, e a grande maioria delas tenta ir
para o país que melhor representa o capitalismo e a economia de mercado
em todo o mundo, os Estados Unidos da América.
Peguemos
agora somente os Estados Unidos. O país é composto por 50 estados e o
nível de independência legislativa e jurídica dessas entidades é mais
que suficiente para resultar em realidades muito distintas no tocante ao
ambiente de negócios, à segurança pública, à qualidade de vida, ao
respeito às liberdades individuais etc. Portanto, da mesma forma que
venezuelanos têm abandonado seu país por causa da destruição econômica e
do caos social perpetrados pelo governo ditatorial de Nicolás Maduro,
norte-americanos têm abandonado certos estados e se mudado para outros
em busca de menos impostos e melhor qualidade de vida.
Mas
de onde e para onde os norte-americanos estão se mudando? A pandemia
não mudou a tendência que já vinha se mostrando forte na última década. A
empresa North American Moving Services, especializada em mudanças de
longa distância dentro dos Estados Unidos, realiza todos os anos uma
compilação dos seus dados e dos dados de diversas empresas do mesmo
segmento, e emite um estudo mostrando tendências e mudanças de ano para
ano. E os dados do estudo mais recente dizem o seguinte:
*Os estados com fluxo migratório de saída mais acentuado são Illinois (69% de migrantes saindo, 31% entrando), Nova York (65% contra 35%) e New Jersey (64% contra 36%);*A Califórnia vem em quarto lugar, quase empatada com New Jersey, mas muito acima se considerados números absolutos. E os destinos preferidos dos californianos têm sido Texas e Idaho;*Maryland (estado que abriga a violenta Baltimore), Pensilvânia e Michigan completam a lista dos sete “fornecedores” de migrantes.*Do outro lado, com fluxo migratório de entrada, estão Idaho (70% de migrantes entrando, 30% saindo), Arizona (64% contra 36%), Carolina do Sul e Tennessee (ambos com 63% contra 37%);*Carolina do Sul, Flórida e Texas completam a lista dos estados mais “consumidores”.
Há
quatro razões principais para que o sul do país, onde estão seis dos
sete estados que mais recebem migrantes, esteja nessa situação.
1.Os estados do sul têm vivido um crescimento econômico pujante devido à mudança de sede ou da abertura de filiais de inúmeras empresas de grande e médio porte. Fazer negócios nesses estados custa muito menos para as empresas, que não somente pagam menos impostos, mas também gastam menos com salários, uma vez que o custo de vida é menor;2.Estados como Texas, Flórida e Tennessee não cobram imposto de renda estadual de indivíduos. O Arizona e a Carolina do Sul cobram, mas a alíquota é baixa, 4% ou menos. Em comparação, Nova York cobra 6% e a campeã, Califórnia, cobra 7,75%;3.O sul tem clima mais quente, e muita gente simplesmente cansa de ver tanta neve na vida. O fluxo migratório da terceira idade é quase que inteiramente em direção ao sul;4.As cidades do sul são mais espaçosas e espalhadas. Em decorrência disso, há menos congestionamentos, menos aglomerações e mais facilidade para se ter um “espaço próprio”, algo mais em voga que nunca em tempos de pandemia.
Três
estados se destacam no estudo, em virtude da motivação principal dos
migrantes. Para os migrantes do Michigan, a principal razão de mudança é
a dificuldade de se encontrar bons empregos, especialmente após o
declínio da indústria automobilística na área de Detroit. Para os que
abandonam Illinois, o grande problema do estado são as políticas
públicas falidas, que resultaram em violência urbana e baixa qualidade
de vida. Para os californianos, cujo estado figura entre os que mais
fornecem migrantes ininterruptamente desde 2015, o grande problema é o
alto custo de vida e a dificuldade de encontrar moradia que caiba no
orçamento doméstico.
Obviamente,
como entidade não política e sem nenhuma intenção de perder clientes, a
North American Moving Services para seu relatório por aí, e não
desenvolve a conclusão óbvia ululante: todos os estados fornecedores são
governados por democratas, bem como suas principais áreas
metropolitanas estão nas mãos de prefeitos do partido há décadas. O
último prefeito republicano de Detroit foi Louis Miriani, que deixou o
cargo em 1962. Nas últimas seis décadas, só deu o Partido Democrata por
lá. Em Chicago, faz 90 anos que não se vê um republicano na prefeitura.
Nova York teve apenas dois prefeitos republicanos no último século, e
foram os que marcaram a cidade com melhores administrações. O mais
recente deles, Rudy Giuliani, foi o responsável pela erradicação da
violência urbana que marcou a megalópole nos anos 1980. O outro foi
Fiorello La Guardia, cujo sobrenome ficou eternizado em um dos três
grandes aeroportos da região. Para terminar, São Francisco, que hoje
espanta turistas e moradores com o metro quadrado mais caro do país e
também com a maior população de moradores de rua entre todas as grandes
metrópoles americanas (e, com eles, uma quantidade de excremento e
sujeira que impede qualquer tentativa de caminhada pelas ruas da
cidade), elegeu seu último prefeito republicano em 1956.
Pode
até ser lugar-comum citar a frase de Margaret Thatcher, mas ela é
suficientemente genial para permitir esse pecado: o socialismo dura até
acabar o dinheiro dos outros. Esses grandes centros citados acima, que
nas últimas décadas têm sido palco dos maiores radicalismos da esquerda
norte-americana, não têm mais fôlego para gerar crescimento. O sistema
montado pelos democratas no poder exauriu a riqueza e espantou a classe
média. A Califórnia, por exemplo, está fadada a ser um estado de gente
muito pobre ou muito rica, pelo menos nas grandes regiões metropolitanas
de San Diego, Los Angeles e São Francisco. Aliás, a extinção da classe
média é um fenômeno sempre presente nos lugares com sucessivos governos
de esquerda marxista, e condiz com a verdadeira realidade dessa
doutrina: a distribuição da pobreza e a acumulação da riqueza por uma
elite minúscula e dominante.
Diante
de circunstâncias adversas, de governos inaptos e da deterioração da
qualidade de vida, cada vez mais gente faz coro com a canção. Adeus,
bye-bye, so long, farewell.
BLOG ORLANDO TANBOSI

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