MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 30 de maio de 2026

Israel Pinheiro estreia na poesia com livro que transforma amor transfronteiriço em experiência lírica

 



Após lançamento em Buenos Aires, autor pernambucano apresenta obra “Todo o resto é poesia” no dia 20 de junho em Olinda (PE), com poemas que misturam humor, crítica social e a descoberta da Argentina


O escritor pernambucano Israel Pinheiro (@pinheiroisrael.silva), até então conhecido por seus livros de contos As histórias que contei, Um deus que não passeia sobre as águas e 3 Natais Recifenses, acaba de lançar seu primeiro livro de poesia: Todo o resto é poesia, pela Editora Litteralux. A obra já teve seu lançamento internacional na Livraria La Libre, em San Telmo, Buenos Aires, e agora chega a Pernambuco com evento marcado para o dia 20 de junho em Olinda. A orelha, assinada pela escritora e artista plástica Débora Lima, evoca John Keats (“Beleza é verdade, verdade é beleza”) e define a obra como “um tratado cosmopolita de amor ao amor”.

Todo o resto é poesia é um livro que transforma a experiência amorosa em travessia geográfica, linguística e existencial. Dividida em Ida e Volta, a obra acompanha um vínculo entre Brasil e Argentina que se constrói entre encontros, distâncias e retornos. Os poemas exploram o portunhol como território afetivo, onde o erro de tradução vira intimidade. 

O amor surge como força que atravessa fronteiras culturais, políticas e emocionais. Há lirismo no cotidiano, nas pequenas cenas, nos gestos e nos desencontros. A escrita alterna leveza, humor e densidade, revelando um eu lírico em constante deslocamento.  A felicidade de um nordestino típico em descobrir a Argentina e ser descoberto por ela”, resume Israel Pinheiro. “O lirismo da vida cotidiana portenha, a beleza do país e o amor correspondido me inspiraram.”


Na primeira metade da obra “Ida”, predominam a expectativa do encontro, o estranhamento afetuoso e a descoberta das pequenas diferenças. No poema “Léxico”, por exemplo, o eu lírico lembra de quando “alegria era encontrar a lavanderia vazia, trânsito livre e cupons de desconto” e a amada respondeu com um “Dale” seco. Em “Hermosas”, há uma trégua improvável: um homem que sempre acreditou em “inimizade milenar” com gatos se vê rendido pelo ventre cálido de Syrah e pela gata Brie que faz da mala uma cama.


Na segunda parte, “Volta”, os poemas ganham um tom mais reflexivo e, por vezes, combativo. “Regresso” acompanha a dor crua de uma jovem paraibana que viaja sozinha para o velório do pai, alternando o luto com as instruções de segurança do avião – “colocar a poltrona na posição vertical” e “saber que seu assento pode ser usado como boia”. Já “Luta” propõe fazer do amor “instrumento de combate, contraponto à barbárie, à divisão internacional do trabalho, aos bombardeios em Gaza”. O livro não se furta a encostar na ferida.


O humor, no entanto, nunca abandona completamente a cena. Em “Binacional”, Israel Pinheiro desfia uma sequência de perguntas sobre o filho de um recifense e uma argentina: “Vai nascer um pirraia ou vai nascer um pibe? / Um torcedor do Náutico ou um torcedor do River?”. Em “Bilateral”, a síntese é quase uma piada de buteco: “Um novo tratado entre Brasil e Argentina / Eu fico com você / eles com Santa Catarina”. A leveza é calculada, e funciona.


O título Todo o resto é poesia não é uma promessa vazia. O autor, que se define como alguém que escreve “com liberdade, livre de tutelas ideológicas, identitárias e de formas”, encontrou na poesia um gênero que há tempos o esperava. “Eu sabia que chegaria o momento de escrever poesia”, afirma. “Esteticamente me sinto maduro para experimentar um novo gênero.” O livro foi escrito ao longo de um ano, em intenso diálogo com a literatura, o cinema, a música e a história argentinas, com destaque para as influências de María Elena Walsh, Ernesto Sabato e Claudio Conti.


Sobre o autor


Israel Pinheiro nasceu em 1984, é pernambucano e vive atualmente em Vitória de Santo Antão, na zona da mata de Pernambuco. Cresceu em Recife e ingressou no curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco em 2004. Foi premiado em concursos literários como o Luís Jardim (Prefeitura do Recife, 2007) e o do Sesc Santo Amaro (SP, 2003). Antes deste livro de estreia na poesia, publicou As histórias que contei (contos), Um deus que não passeia sobre as águas (novelas) e 3 Natais Recifenses (contos). Entre seus autores de cabeceira estão Lima Barreto, Anton Tchekhov, Jorge Luis Borges, Eliane Brum e Woody Allen.


Ficha catalográfica


Título: Todo o resto é poesia  

Autor: Israel Pinheiro  

Editora: Litteralux (Guaratinguetá)  

Ano: 2026  

Páginas: 112  

Gênero: Poesia   

ISBN: 978-65-5322-122-2

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