Por Ricardo Haag
O Brasil ainda é o país das oportunidades? Notícias sobre demissões em massa, instabilidade econômica, guerras e redução de investimentos passaram a se tornar constantes, criando um contraste no mercado: de um lado, áreas que enfrentam desaceleração, cortes e retração; enquanto, do outro, vemos empresas em uma corrida ativa por talentos qualificados e vagas abertas. Em meio a esse cenário, uma percepção ganha força: as oportunidades continuam existindo — mas, nem sempre, onde costumavam estar.
A expansão de mercados, inovação tecnológica, mudanças demográficas e novas prioridades de investimento movimentam, constantemente, o mercado global. A ascensão e queda de setores sempre fizeram parte da economia, o que tornou a capacidade de leitura de cenário e criatividade de adequação pelos profissionais algumas das habilidades mais essenciais para que consigam surfar essas ondas e continuar explorando essas oportunidades.
O relatório “Future of Jobs 2025”, do World Economic Forum, comprova essa realidade: segundo seus dados, até 2030, estima-se que haverá uma transformação equivalente a 22% dos empregos atuais. A projeção é de 170 milhões de novos postos criados, além de 92 milhões que serão eliminados, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos globalmente.
Crises externas e inerentes ao empresário sempre existirão. O que fará a diferença entre aqueles que continuam prosperando e os que acabam perdendo espaço será sua capacidade de elasticidade e flexibilidade, através de um mindset aberto a explorar novas perspectivas profissionais. Do contrário, se lamentar pelos momentos de instabilidade apenas fará com que fiquem para trás na corrida da prosperidade corporativa.
O avanço da inteligência artificial talvez seja o exemplo mais claro de como a migração de capital redefine oportunidades profissionais. Ao mesmo tempo em que a IA vem acelerando ganhos de produtividade e criando funções — de especialistas em IA generativa, a engenheiros de prompts e líderes de estratégia nessa tecnologia — ela também reduz a demanda por atividades repetitivas e operacionais. Seu impacto, contudo, não ocorre de forma homogênea.
Empresas e regiões com maior investimento nessa solução tendem a capturar mais crescimento, enquanto mercados com baixa adoção enfrentam riscos de perda de competitividade. O mesmo estudo do Fórum Econômico Mundial, como prova disso, também apontou que 60% dos empregadores esperam que o avanço digital transforme seus negócios até 2030, com a IA e Big Data aparecendo como as competências de crescimento mais acelerado no mundo. Além disso, cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até o fim da década, tornando a requalificação das skills uma necessidade estratégica.
Em outras palavras, apesar de a IA ter otimizado certas funções, também reorganizou o valor do trabalho humano, impulsionando a criação de novas competências para sustentar a produtividade em uma economia cada vez mais híbrida entre pessoas e tecnologia. As mudanças sempre ocorrerão, e cabe a cada um de nós escolher como lidar com elas: se vitimizando, se adaptando ao cenário ou promovendo o futuro, sendo agentes e provocadores das transformações do mercado.
Nenhum profissional estará sempre preparado e capacitado para lidar com qualquer imprevisto. Mas, aqueles que estiverem abertos a buscar conhecimento, contratar talentos qualificados para somarem aos processos, e que tenham sempre uma dose de humildade para assumir que precisará de aprimoramento contínuo, terão um conjunto de ações necessárias para que não se percam mesmo diante de uma eventual tempestade.
Ricardo Haag é headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Sobre a Wide:
Com mais de 50 anos somados de recrutamento especializado o propósito da Wide, empresa de recrutamento e seleção de alta gerência, é construir legados, seja o das empresas contratantes, o dos candidatos e o seu próprio.
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