É significativo que, tendo começado por pregar o desarmamento civil com o argumento de que cabia exclusivamente à polícia o dever de proteger o cidadão, os agentes do caos decidam agora haver chegado o momento de sucatear e desarmar essa mesma polícia. Flavio Gordon, via Gazeta:
No
artigo da semana passada, reproduzi as opiniões de duas títeres de
George Soros – ambas entusiastas do movimento Black Lives Matter (BLM) –
em favor da abolição da polícia. Nesta quarta-feira, dia 23, nas redes
sociais de Candace Owens, a jovem negra estrela do conservadorismo
americano, topei com esta brilhante síntese da questão: “O Black Lives
Matter é uma organização comandada por brancos que usam o rosto de
negros mortos com o objetivo de arrecadar milhões de dólares em favor da
eleição de democratas brancos para posições de poder. É a organização
mais flagrantemente racista da América”.
Bingo!
Não há, de fato, representatividade alguma nesse movimento de
extrema-esquerda que finge falar em nome dos negros americanos. Se é a
sua agenda antipolícia e antibrancos interessa a alguém, decerto não é
aos cidadãos negros, as principais vítimas da criminalidade violenta que
assola as grandes cidades americanas, sobretudo as governadas por
democratas. Como declarou recentemente ao portal The College Fix o
economista Roland Fryer – o mais jovem negro a se formar e a se tornar
professor em Harvard –, “reduzir o orçamento da polícia não é a solução,
e pode custar a vida de milhares de negros”.
Em
seu mais recente estudo, realizado em parceria com o doutorando Tanaya
Davi, Fryer analisou investigações de procedimento que se seguiram a
casos de violência policial contra negros, e que tiveram ampla
repercussão. O estudo traz descobertas incômodas a ouvidos politicamente
corretos. A principal delas é a seguinte: essas investigações,
conquanto justas em teoria, foram contaminadas pelo clamor público
suscitado pela propaganda desonesta de radicais, tendo invariavelmente
como efeito a redução da atividade policial, redução que, por sua vez,
acabou gerando um aumento de quase 900 homicídios e 34 mil outros crimes
de grande potencial ofensivo.
Num
período de dois anos, o aumento nos crimes foi observado em cinco
cidades (Baltimore, Chicago, Cincinnati, Riverside e Ferguson) nas quais
as mortes de Freddie Gray, Laquan McDonald, Timothy Thomas, Tyisha
Miller e Michael Brown – todas elas objeto de intensa comoção social –
forneceram o contexto inicial para as investigações. “As nossas
estimativas sugerem que, nesses casos, o processo de investigação
produziu aproximadamente um aumento de 450 homicídios por ano. Isso é
quase duas vezes o número anual de nossas baixas militares”, diz o
estudo. “A hipótese principal para explicar esse aumento é uma notável
redução do policiamento – algo evidente em todas as cidades para as
quais dispomos de dados.”
Quem
poderia imaginar que menos policiamento significaria mais crimes, não é
mesmo? Noutros tempos, quando ninguém duvidava que a grama fosse verde,
talvez essa obviedade não precisasse ser chancelada por estudo
acadêmico algum. Hoje, todavia, nem mesmo um tal estudo parece capaz de
convencer os inimigos da realidade.
Dito
e feito. Comentando sobre a pesquisa em vídeo para o Manhattan
Institute, o professor de Harvard afirma ter encontrado na imprensa uma
“absoluta recusa em lidar com os dados”, e até mesmo uma “insistência”
para que não fossem publicados. Recusa, aliás, já velha conhecida de
Fryer, que, em 2016, publicara estudo rechaçando empiricamente a
hipótese de racismo contra negros nos casos de letalidade policial.
Antes e pelo contrário, a pesquisa concluía que, entre os negros, o
número de vítimas de disparos de armas de fogo portadas por policiais
era menor do que em outros grupos raciais.
Mas
a falta de representatividade da agenda antipolícia não pode ser
deduzida apenas da opinião individual de intelectuais e políticos negros
críticos ao BLM. As pesquisas de opinião mostram-no ainda mais. Segundo
dados recentes do Rasmussen Reports, 64% dos americanos temem que as
campanhas antipolícia promovam a redução no número de agentes da lei e,
consequentemente, o colapso da segurança pública em seus bairros. Quando
se adota um recorte racial, a discrepância entre a causa dos ideólogos
do BLM e as preocupações do cidadão comum fica ainda mais evidente,
pois, dentre todos os americanos, são justamente os negros (67%) quem
mais temem aquele colapso.
Portanto,
a agenda antipolícia apenas instrumentaliza os sentimentos de
indignação da população em face de casos esporádicos (mas, via
propaganda maciça, convertidos em “sistêmicos”) de brutalidade policial
contra negros. Seus reais mentores (bilionários brancos como George
Soros) não poderiam ligar menos para o destino daqueles que usam como
pretexto, pois, isolados e muito bem protegidos, jamais experimentam na
própria pele as consequências daquilo que promovem.
É
significativo que, tendo começado por pregar o desarmamento civil com o
argumento de que cabia exclusivamente à polícia o dever de proteger o
cidadão, os agentes do caos decidam agora haver chegado o momento (etapa
revolucionária subsequente) de sucatear e desarmar essa mesma polícia.
Como veremos no próximo artigo, analisando o exemplo da ditadura
chavista na Venezuela, o aumento da criminalidade violenta é, em ampla
medida, um efeito previsto e desejado por desarmamentistas e
“despoliciamentistas” – como instrumento de desestabilização social,
controle político e concentração de poder, em estratégia que poderia ser
resumida no comando: Release the Lumpen!
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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