Muitos não sabem que a cidade chinesa também é a fonte de outra epidemia
mortal: as overdoses por fentanil nos Estados Unidos. Artigo de
Christopher Rufo para o City Journal e traduzido para a Gazeta:
O coronavírus virou os Estados Unidos de cabeça para baixo. Em menos
de três meses, o vírus matou mais de 80.000 americanos e destruiu mais
de 30 milhões de empregos. Segundo o secretário de Estado Mike Pompeo,
"enormes evidências" mostram que o vírus emergiu de um laboratório em
Wuhan, na China – e não nos infames "mercados úmidos" da cidade. Mas,
embora poucos questionem que o vírus tenha origem em Wuhan, muitos não
sabem que a cidade chinesa também é a fonte de outra epidemia mortal: as
overdoses por fentanil nos Estados Unidos.
O fentanil, uma forma de opioide sintético, rapidamente se tornou a
droga mais perigosa no país. Em 2018, a substância matou 31.897 pessoas
nos Estados Unidos – mais que o dobro do número de qualquer outro
narcótico. O composto químico é tão letal, de fato, que apenas dois
miligramas – o suficiente para cobrir a barba de Lincoln em uma moeda de
um centavo – podem ser fatais. Nos últimos cinco anos, o opioide
devastou centenas de comunidades americanas, particularmente no nordeste
e centro-oeste, onde as taxas de mortalidade por overdose dispararam.
"A maioria dos fentanil e novos opioides sintéticos nos mercados de
rua dos EUA, assim como seus produtos químicos precursores, são
originários da China, onde o sistema regulatório não policia
efetivamente as expansivas indústrias farmacêuticas e químicas do país",
conclui uma análise recente da Rand, uma organização de pesquisa sobre
políticas públicas. Os fabricantes chineses exportam o medicamento de
duas maneiras. Primeiro, eles enviam remessas diretamente para
organizações criminosas americanas via Serviço Postal dos EUA, UPS e
FedEx, usando a "dark web" para processar pedidos. Segundo, eles enviam
produtos químicos de fentanil e precursores para cartéis de drogas no
México, que depois contrabandeiam o produto final para os mercados
americanos.
Na última década, Wuhan emergiu como sede global da produção de
fentanil. Os fabricantes de produtos químicos e farmacêuticos da cidade
chinesa ocultam a produção do medicamento em suas operações de
fabricação maiores e lícitas, depois o enviam para o exterior usando
embalagens deliberadamente enganosas, técnicas de ocultação e uma
complexa rede de endereços de encaminhamento. De acordo com uma
reportagem recente da ABC News, “grandes quantidades desses componentes
de fentanil por correspondência podem ser atribuídos a uma única empresa
subsidiada pelo estado em Wuhan”.
No início deste ano, quando Wuhan entrou em confinamento devido ao
coronavírus, o mercado de drogas ilegais da América do Norte entrou em
pânico. Os cartéis de drogas no México previam um grande aumento nos
preços do fentanil e da metanfetamina; policiais nos EUA relataram uma
escassez de drogas em Denver, Houston e Filadélfia. Ainda assim, a droga
continua a matar. Mesmo em meio a pedidos de bloqueio do estado,
traficantes de rua em lugares como o bairro de Tenderloin, em São
Francisco, vestiram luvas e máscaras e continuaram a distribuir o
fentanil fornecido pelos chineses aos viciados.
As evidências sugerem que a China é, na melhor das hipóteses,
negligente e, na pior das hipóteses, age de propósito nessas duas
situações. Pequim ignorou repetidas advertências sobre questões de
segurança no Instituto de Virologia Wuhan e encobriu o que alguns
observadores, incluindo Pompeo e o presidente Donald Trump, suspeitavam
ter sido uma liberação acidental do vírus na população humana. Quanto às
exportações de drogas, a liderança chinesa falhou consistentemente em
regular o mercado ilícito de fentanil, recusou-se a reprimir os
produtores e interferiu no trabalho dos inspetores do FDA (Food and Drug
Administration, semelhante à Anvisa no Brasil) que esperavam investigar
a produção farmacêutica.
Os próximos anos podem indicar um grande realinhamento no
relacionamento sino-americano. As apostas não poderiam ser maiores: as
duas nações têm trilhões em laços financeiros, além de vastas redes de
aliados. O vírus e a epidemia de fentanil devem servir como lembretes
sombrios para os formuladores de políticas americanos de que a postura
correta dos EUA em relação à China - de maneira a atender nosso
interesse nacional - deve ser uma prioridade.
*Christopher F. Rufo é editor
colaborador do City Journal e diretor do Centro de Riqueza e Pobreza do
Discovery Institute. Ele dirigiu quatro documentários para a PBS,
incluindo seu novo filme, America Lost, que conta a história de três
"cidades americanas esquecidas".
©2020 City Journal.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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