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sábado, 16 de maio de 2020

Mercado: futuro do carro de entrada é incerto no Brasil após Covid-19


Mercado: futuro do carro de entrada é incerto no Brasil após Covid-19
Eles já representaram mais da metade do mercado e chegaram a ser disputados até com ágio. Famosos pelo baixo conteúdo, especialmente de segurança, os carros de entrada eram os reis do Brasil até pelo menos uma década atrás.
Em 2010, por exemplo, eles tinham 34% das vendas, sendo os famosos Uno, Gol, Celta, Ka, Palio, etc, os protagonistas desse filão. No ano passado, essa faixa de entrada – com outros personagens – fechou com apenas 11,7%. No primeiro quadrimestre de 2020, reagiu para 12,5%.
Com cada vez menos participação no mercado, eles perderam espaço para os compactos mais caros (hatch e sedã), que hoje têm 45,6%. Os hatches pequenos detêm 33,1% das vendas em 2020, enquanto os sedãs ficaram com 9,5%, recuando.
Enquanto isso, o aumento das vendas de carros mais caros é marcada pelo mesmo percentual dos sedãs, citado acima, em SUVs vendidos há oito anos. Agora, eles representam 27,4% e são o segundo segmento mais representativo. No setor, seu crescimento continua sendo uma certeza, mesmo na atual situação.

Nesse cenário, eis que surge então um fator não esperado por ninguém, o coronavírus. Com pandemia global afetou todos os mercados e também está mexendo na mente das pessoas. O temor da contaminação é algo que vai influir bastante na compra de veículos mais adiante.
No setor automotivo, isso é uma alegação praticamente estabelecida entre os fabricantes, que sabem que haverá um “novo normal” quando a economia for retomada. Só não sabem como será.

Além do horizonte

Mercado: futuro do carro de entrada é incerto no Brasil após Covid-19
Como a tripulação de uma caravela no século XV, os fabricantes de automóveis e demais do setor, embarcam rumo a um horizonte desconhecido. Afinal, nunca aconteceu o que vivemos agora. Antes as previsões eram baseadas em cenários já conhecidos.
Entre fabricantes, consultorias, analistas de mercado e entidades do setor automotivo, a opinião sobre o que acontecerá além do pôr do sol diverge. No Brasil, o futuro dos carros de entrada é também questionado nesse cenário imprevisível.
Na Volkswagen, Pablo Di Si vislumbra uma procura maior por carros mais baratos nessa retomada do mercado, movimento já visto em outras crises no país. Ainda assim, salienta que o mercado de fato mudará.
Já na FCA, o pensamento é parecido. Para Antonio Filosa, os consumidores pós-coronavírus buscarão carros mais baratos no início, mas por motivo diferente das crises anteriores: segurança sanitária.
Filosa acredita que os consumidores buscarão dispor de um automóvel como meio de maior proteção contra o contágio da Covid-19. O movimento seria impulsionado pelo nível elevado de risco de contaminação no transporte público.
Na China, esse movimento já foi verificado logo nas primeiras semanas após a reabertura da economia. Isso pode servir como um norte para prever o que irá acontecer.
Ricardo Bacellar, da KGMP, também visualiza esse cenário, mas em favor dos seminovos num primeiro momento, seguido por uma onda nos carros novos de entrada e, então, chegando-se a um segmento acima. A alta do dólar é um incentivo para essa migração, devido ao aumento dos preços, que já estamos verificando.
Mercado: futuro do carro de entrada é incerto no Brasil após Covid-19
Paulo Cardamone, da Bright Consulting, também aposta nos seminovos, que geralmente são mais equipados e comparativamente mais baratos que os carros de entrada.
A busca por mais itens de conforto e segurança é um incentivador para esse movimento. Com poder de compra maior, os clientes vão procurar carros mais completos. Mesmo com um mercado menor, o ticket médio subiu de R$ 57,9 mil em 2012 para R$ 81 mil em 2020.
Por conta do temor do desemprego e queda na renda, Luiz Carlos Moraes, da Anfavea, pensa diferente. Ele acredita que os carros de entrada vão crescer inicialmente, mas passada a sobra da crise, haveria um movimento reverso.
Em todos os cenários previstos, os automóveis mais baratos do Brasil não vão crescer além da fase de recuperação do mercado.
[Fonte: Auto Indústria]

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