Percival Puggina
Até as crianças, quando chegam à idade da razão, começam a perceber a existência de causas e consequências. Aliás, foi num processo de regressão às origens dessa lógica acessível à percepção infantil, que a genialidade de S. Tomás de Aquino o conduziu pela mão a dar o nome de Deus à primeira causa de tudo – a causa sem causa anterior.
Use de sua própria experiência, estimado leitor, para entender o que exponho neste artigo. O Supremo Tribunal Federal brasileiro se transformou, em analogia gauchesca, num chapéu velho. Pense num órgão caótico! Nem mesmo a rígida formalidade, o simbolismo das vestes e o vocabulário habitualmente refinado que a lei e a justiça exigem são capazes de assegurar base suficiente para sustentar a reputação do poder.
Qual a causa disso? Ali, robusta, realmente robusta, é a maioria de ministros cujas cadeiras foram obtidas com a indicação petista ou com ela se afinaram. E aí, meus caros, de modo inevitável – porque a causa tem consequência inevitável – tudo que entra no círculo de influência desse grupo político, acaba ficando assim. Observe o desastre do Brasil petista. Todo o governo Lula transcorreu na toada do aumento de impostos de mãos dadas com a taxa de juros e o custo de vida. Um não solta a mão do outro. A CELIC, cujo valor era tão mal falado durante o governo Bolsonaro, se manteve no governo Lula sempre acima do patamar em que ela estava quando Lula subiu a rampa. Endividamento da população, empresas em recuperação judicial, falências, crescimento constante do número de cidadãos cuja sobrevivência depende de benefícios sociais. Dados da Educação em decadência; na Saúde, problemas em fila antecedem a fila dos pacientes; a criminalidade ganhou soberania; a corrupção prospera e um certo sistema bancário “meio que” depende dela e do mundo do crime.
A autodestruição do Supremo tem seu equivalente nas duas casas do Congresso quando postas a serviço do baião de dois do STF com o Palácio do Planalto. Essa esquerda destrói tudo onde mete a mão. Seja um país inteiro, um Estado, um município, um clube de futebol, um departamento universitário, um grêmio estudantil, uma simples parede de universidade, um sindicato, uma associação, um corpo de militante jovem e seu dormitório, uma prateleira, uma gaveta, uma caixinha de utilidades! Nada a ela resiste.
A velha imprensa comprou por boa qualquer mistificação, inclusive o maldito tripé dos sigilos, silêncios e censuras. Aceitou, inclusive, que os péssimos fins justificassem os terríveis meios. A democracia mergulhou no silêncio e no relativismo moral! É por isso que certas autoridades aprenderam com Lula e só falam em ambiente controlado. Um deles é o das grandes redações, onde imagino proibido espiar, desde a janela, o que realmente acontece na rua.
O certo é que, por si mesmo, nesse composto político, poder algum fará o que deve. Daí a importância das eleições do mês que vem para que o faça a futura representação política da sociedade.
* Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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