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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Caju de Leitores abre 5ª edição com língua Patxohã, literatura indígena e participação de escolas

 


Festival Caju de Leitores

Caju de Leitores abre 5ª edição com língua Patxohã, literatura indígena e participação de escolas

Primeiro dia reuniu a homenageada Maria Coruja, lideranças Pataxó, estudantes e as escritoras Geni Nuñez e Auritha Tabajara na Aldeia Xandó

A 5ª edição do Festival Caju de Leitores começou nesta quarta-feira (2), na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA). O primeiro dia reuniu a homenageada Maria Coruja, o anfitrião Sairi Pataxó, o cacique Marrudo Pataxó, outras lideranças indígenas, autores convidados, estudantes e educadores.

Participaram das atividades a Escola Municipal de Caraíva, a unidade escolar da Aldeia Bugigão, a Escola Coqueiral e estudantes da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), além do público presente. A programação gratuita segue até sexta-feira (4), com rodas de conversa, contações de histórias, encontros com autores, apresentações culturais e atividades educativas.

O Awê e a oração Pataxó abriram o festival com uma saudação aos bichos, às pessoas e aos encantados. Em seguida, Giovanna Pataxó e Apêtxienã Pataxó conduziram a roda “Como chamamos os bichos em Patxohã: histórias de aldeia”.

Língua Patxohã e identidade

Durante a atividade, imagens de animais foram apresentadas às crianças, que eram convidadas a dizer seus nomes em Patxohã. Mukusuy (peixe), Exna (onça) e Kuké (cachorro) estiveram entre as palavras compartilhadas com o público.

Apêtxienã Pataxó destacou a importância do ensino da língua Patxohã nas escolas e sua relação com a identidade e o território do povo Pataxó.

“A nossa língua ancestral é espírito também. A partir do momento em que a gente valoriza nossa língua e a pratica, estamos afirmando nossa identidade, nossos ensinamentos e nosso legado. A língua também demarca território, conecta-nos com os antepassados e faz com que nossas criancinhas, nossos jovens e nossos adolescentes cresçam aprendendo o que é nosso, por meio do diálogo, das brincadeiras e da ludicidade. O Patxohã é língua sagrada, é uma afirmação para a gente enquanto povo, é língua-espírito do povo Pataxó”, afirmou.

Literatura infantil e outras relações com os bichos

À tarde, o Vozes da Escola abriu espaço para apresentações e produções desenvolvidas por estudantes. A programação continuou com a mesa “Descolonizando afetos na literatura indígena infantil: o que os bichos nos ensinam”, com as escritoras Geni Nuñez e Auritha Tabajara.

Geni Nuñez ressaltou a importância do Caju de Leitores como espaço de fortalecimento da literatura indígena e falou sobre a possibilidade de apresentar outras leituras de mundo às crianças e aos adultos que compartilham essas leituras com elas.

“Tenho chamado de reflorestamento do imaginário, que é apresentar para as crianças, mas também para quem lê com elas, a possibilidade de que há outras leituras de mundo, outras perspectivas. A mesa tem como foco repensar para que não se utilizem mais os bichos como ofensa, mas como parentes, que é o que a gente tem buscado enfatizar”, declarou.

Auritha Tabajara destacou a presença dos animais na ancestralidade e nas narrativas de seu povo. “Na minha aldeia, a onça é o nosso encantado, é de onde descendemos. Muitos dizem que os povos indígenas fazem parte da natureza, mas a verdade é que nós todos somos a natureza e, como natureza, devemos respeitar nossos ancestrais e ouvir os bichos”, afirmou.

O primeiro dia terminou com a apresentação do Grupo Cultural da Aldeia Xandó.

Jornada apresentou pesquisa sobre leitores da região

Na terça-feira (1º), a parceria entre a UFSB e o Caju de Leitores reuniu professores, educadores e estudantes no Centro de Cultura de Porto Seguro durante a III Jornada de Literaturas Indígenas.

Na ocasião, foram apresentados os resultados da I Pesquisa Caju de Leitores, que ouviu 976 estudantes e investigou a relação de crianças e jovens de escolas indígenas de Porto Seguro e do distrito de Caraíva com os livros e a leitura. A pesquisa será apresentada novamente nesta quinta-feira (3), às 14h30, durante a programação do festival.

À noite, a Jornada continuou no Campus Sosígenes Costa da UFSB, com a Varanda Indígena, mesa-redonda sobre ensino e literaturas indígenas com Vanessa Guarani Ratton e Paulo de Tássio Borges da Silva.

Caju de Leitores chega à 5ª edição

Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores promove o encontro entre literatura, educação e território, aproximando escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças indígenas e comunidades. Com ações dedicadas à formação de leitores e à ampliação do acesso à literatura indígena, o festival alcançou mais de 12 mil pessoas até 2025.

Em sua 5ª edição, o Caju de Leitores apresenta o tema “Um Manifesto de Bichos”, inspirado na presença dos animais nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos transmitidos entre gerações. A proposta aproxima bichos, ancestralidade, língua, natureza e território, destacando diferentes modos indígenas de compreender a existência.

O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.

Programação de quinta-feira — 3 de setembro

7h30 — Recepção e acolhimento das escolas e do público em geral

8h — Contação de histórias
Com Maria Coruja e Auritha Tabajara

9h — Povos indígenas de Abya Yala: conexão ancestral por meio do livro literário indígena — quem é o nosso bicho ancestral?
Com Mariela Tulián, Sairi Pataxó e Sebastian Gerlic

10h30 — Apresentação da Cia. de Teatro Livro Aberto
Palco Sabará

14h — Vozes da Escola
Palco Sabará

14h30 — Apresentação da I Pesquisa Caju de Leitores

15h30 — Educação indígena inclusiva: para humanos e não humanos
Com Vanessa Guarani Ratton, Carina Pataxó e Lucia Tucuju

17h — Apresentação do Grupo Cultural do Porto do Boi

Informações para a imprensa

Débora do Carmo
Assessoria de imprensa regional
abcdeboraa@gmail.com

Gabriela Toledo
Assessoria de imprensa nacional
obaramail@gmail.com



Público chega à Oca Tururim, na Aldeia Xandó, para acompanhar a abertura da 5ª edição do Festival Caju de Leitores Apêtxienã Pataxó compartilha com as crianças palavras em Patxohã durante a atividade “Como chamamos os bichos em Patxohã: histórias de aldeia” A III Jornada de Literaturas Indígenas da UFSB apresentou os resultados da I Pesquisa Caju de Leitores
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Savá Cultural
producao@cajuleitores.com.br
(73) 99916-2495

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