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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Precisamos construir uma vida para além da carreira profissional

 




Hapvida Notredame Intermédica

Precisamos construir uma vida para além da carreira profissional

Por Dra. Carlane Machado, psicóloga da Hapvida

Muito se fala sobre burnout, sobrecarga profissional e adoecimento mental relacionado ao trabalho. Os números crescentes de afastamentos por questões emocionais têm despertado debates importantes sobre a responsabilidade das empresas na promoção da saúde mental dos trabalhadores. Mas existe uma reflexão que, talvez, ainda esteja recebendo pouca atenção: será que estamos construindo uma vida para além do trabalho?

A discussão sobre saúde mental costuma ganhar força quando o sofrimento já está instalado. Quando surgem sintomas como ansiedade, exaustão, insônia, irritabilidade ou falta de motivação. No entanto, a prevenção começa muito antes disso. Ela está presente na forma como distribuímos nosso tempo, nossas prioridades e nossas fontes de realização.

Na prática clínica, tenho observado um fenômeno cada vez mais frequente. Muitas pessoas passaram a concentrar grande parte de suas expectativas, reconhecimento e senso de valor pessoal na carreira. O trabalho deixou de ser apenas uma atividade profissional e passou a ocupar um lugar central na identidade de muitos indivíduos.

Não há problema em buscar crescimento profissional, estabilidade financeira ou reconhecimento. O trabalho é uma parte importante da vida e pode, inclusive, ser uma fonte legítima de satisfação. A questão é quando ele se torna a única fonte.

Quando toda a realização se concentra no ambiente profissional, qualquer frustração ganha proporções maiores. Uma crítica, um erro, uma meta não alcançada ou a falta de reconhecimento podem ser interpretados não apenas como desafios do trabalho, mas como uma ameaça ao próprio valor pessoal.

É nesse contexto que muitas pessoas começam, sem perceber, a abrir mão de outras áreas fundamentais da vida. O lazer é adiado. Os encontros com amigos tornam-se raros. O tempo em família diminui. Os hobbies desaparecem. A atividade física deixa de ser prioridade. O descanso passa a ser visto como perda de tempo.

Aos poucos, a rotina se resume ao trabalho.

E é justamente aí que mora um dos grandes riscos. Quando deixamos de cultivar outras fontes de prazer, pertencimento e significado, ficamos emocionalmente mais vulneráveis. Afinal, toda a nossa satisfação passa a depender de um único lugar: o trabalho.

Os sinais desse desequilíbrio costumam aparecer antes mesmo de um adoecimento mais grave. Dificuldade para desligar a mente, sensação constante de cansaço, culpa ao descansar, ansiedade, tensão muscular e a impressão de que nunca se faz o suficiente são alguns dos alertas mais comuns.

Ao mesmo tempo, é importante destacar que essa reflexão não retira a responsabilidade das empresas. As organizações têm papel fundamental na construção de ambientes saudáveis, na prevenção do adoecimento emocional e na promoção de relações de trabalho mais equilibradas.

No entanto, também existe uma responsabilidade individual na construção de limites e no cuidado com a própria vida. Nenhuma carreira, por mais bem-sucedida que seja, consegue suprir sozinha todas as necessidades emocionais de uma pessoa.

A saúde mental também se constrói em experiências simples e cotidianas. Em uma caminhada ao ar livre. Em uma conversa com alguém querido. Em um hobby. Em um momento de lazer. Em um almoço em família. Em uma pausa sem culpa.

Talvez a grande pergunta que precisamos fazer não seja apenas por que estamos adoecendo no trabalho. Talvez seja também: o que estamos deixando de viver fora dele?

Porque o nosso valor não está apenas naquilo que produzimos. E uma vida saudável é aquela que encontra espaço para o trabalho, mas também para tudo aquilo que nos lembra que somos muito mais do que nossa profissão.

 

Sobre a Hapvida   
 
Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 75 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.   
 
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas médicas e 313 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.



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Bianca Rocha
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