MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 29 de março de 2025

Deputados pagam até três vezes menos Imposto de Renda do que trabalhadores comuns

 

Deputados pagam até três vezes menos Imposto de Renda do que trabalhadores comuns

Uso de benefícios isentos de tributação permite que escapem da mordida do Leão, enquanto assalariados arcam com a maior carga fiscal.


No Brasil, quem legisla sobre impostos muitas vezes é quem menos sente seu peso. Essa distorção fica evidente ao observar os dados da Câmara dos Deputados: enquanto o trabalhador comum tem boa parte da sua renda comprometida com o Imposto de Renda, os parlamentares federais estruturam sua remuneração de forma a maximizar os ganhos líquidos e minimizar a tributação.


Agora em 2025, o salário-base (subsídio) de um deputado federal é de R$ 46.366,19, conforme o Decreto Legislativo nº 172/2022. Mas esse valor representa apenas parte da realidade. Somados os penduricalhos e benefícios, o total mensal pago aos parlamentares pode facilmente ultrapassar R$ 93 mil e mais da metade disso não sofre incidência de Imposto de Renda.


Os benefícios e penduricalhos

De acordo com o Portal da Transparência da Câmara, os deputados federais recebem:

  • Salário bruto (subsídio): R$ 46.366,19
  • Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP):
  • De R$ 30.788,66 (DF) a R$ 49.747,62 (Roraima)
  • Média nacional estimada: R$ 43.000,00/mês
  • Auxílio-moradia: R$ 4.253,00 (caso não ocupem imóvel funcional)
  • Diárias de viagem: R$ 842,00 por dia
  • Ajuda de custo (início e fim de mandato): Cerca de R$ 46.366,19
  • Assistência à saúde: reembolso integral das despesas médicas e odontológicas mediante comprovação

A maioria desses valores é classificada como verba indenizatória, e por isso, não entra na base de cálculo do Imposto de Renda.


A crítica de quem entende o sistema por dentro


Para o tributarista André Charone, mestre em negócios internacionais e autor do livro “A Verdade sobre o Dinheiro”, essa blindagem fiscal é uma das mais perversas formas de desigualdade institucionalizada.


“Os parlamentares não estão fazendo nada ilegal. Mas o problema está justamente aí: o sistema é legalmente desenhado para protegê-los da tributação. A estrutura da remuneração dos deputados e senadores é pensada para driblar o Leão dentro da lei”, aponta Charone.


Segundo ele, o sistema permite que o parlamentar receba quase o dobro do seu salário oficial, mas pague imposto apenas sobre uma parte. “Enquanto o trabalhador assalariado não tem para onde correr tudo é tributado na fonte, os parlamentares vivem de um pacote de benefícios que foge da lógica da progressividade tributária”, completa.


Comparativo: quem paga mais imposto?


Charone destaca ainda:


“Esses números mostram que, no mundo dos políticos, quem ganha mais paga menos proporcionalmente. Isso contraria os princípios mais básicos da justiça fiscal. É como se o sistema dissesse que o esforço contributivo vale só para quem não tem poder político.”


Reforma tributária ignorou o topo da pirâmide

A Reforma Tributária avançou em temas como unificação de tributos sobre consumo e taxação de fundos exclusivos, mas, até o momento, não mexeu no regime de remuneração e benefícios do Legislativo.


Para André Charone, isso escancara uma falha ética e estrutural:

“A elite política brasileira legislou uma reforma para os outros — e manteve seus próprios privilégios intactos. Nenhuma reforma será completa enquanto os que fazem as leis continuarem protegidos delas.”


Quando o privilégio fiscal é regra, a justiça tributária vira exceção

A situação vivida pelos deputados federais evidencia uma verdade incômoda: o sistema tributário brasileiro não trata todos os contribuintes com a mesma régua. Ao estruturar suas remunerações por meio de auxílios e verbas indenizatórias legalmente isentas de Imposto de Renda, os parlamentares podem conseguir ganhos mensais superiores a R$ 90 mil, mas tributam efetivamente menos de metade desse valor.


Enquanto isso, o trabalhador comum, o autônomo e o pequeno empresário, cujas rendas são rigidamente monitoradas pela Receita Federal, não têm qualquer espaço de manobra. Toda a sua renda é tributada na fonte, sem direito a reembolsos, auxílios ou gabinetes com orçamento próprio.

Para o tributarista André Charone, essa é a materialização do que ele chama de "paradoxo fiscal brasileiro":

“Quem tem mais renda, mais influência e mais acesso ao poder paga proporcionalmente menos. E quem está na base da pirâmide, com renda fixa, pouca margem de dedução e nenhum benefício institucional, sustenta o sistema.”

O efeito disso é uma perda de confiança no sistema tributário, que passa a ser visto não como um instrumento de equilíbrio social, mas como um mecanismo de perpetuação de desigualdades. A consequência vai além da injustiça fiscal: compromete a credibilidade das instituições e o próprio pacto federativo.


Enquanto reformas não tocarem nos privilégios de quem faz as leis, a tão falada “justiça tributária” será apenas um conceito bonito nos discursos de campanha e um pesadelo para quem paga imposto na prática.


Sobre o autor:

André Charone é contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). 

É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e dezenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. 

André lançou recentemente o livro ‘A Verdade Sobre o Dinheiro: Lições de Finanças para o Seu Dia a Dia’, um guia prático e acessível para quem deseja alcançar a estabilidade financeira sem fórmulas mágicas ou promessas de enriquecimento fácil.

O livro está disponível em versão física pela Amazon e versão digital pelo Google Play.

Versão Física (Amazon): https://www.amazon.com.br/dp/6501162408/ref=sr_1_2?m=A2S15SF5QO6JFU

Versão Digital (Google Play): https://play.google.com/store/books/details?id=2y4mEQAAQBAJ

 Instagram: @andrecharone

Imagens: Divulgação / Consultório da fama



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