Levantamentos
recentes indicam um crescimento expressivo na inadimplência tanto no
setor de locação quanto nos condomínios brasileiros, acendendo um alerta
entre administradores e moradores.
De
acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, a taxa
de inadimplência de aluguéis no Brasil subiu de 3,20% em novembro para
3,46% em dezembro de 2024. Esse é o maior índice registrado no segundo
semestre do ano, embora ainda abaixo do pico de 3,86% observado em
fevereiro e abril. A região Norte lidera com a maior taxa de
inadimplência (7,05%), seguida pelo Nordeste (5,02%), Centro-Oeste
(3,67%), Sudeste (3,13%) e Sul (2,73%).
Entre
os estados, a Paraíba apresentou a maior taxa (15,77%), enquanto Santa
Catarina registrou a menor (1,97%). Nos imóveis residenciais, aluguéis
de até R$ 1.000 tiveram a maior inadimplência (5,43%). Já nos imóveis
comerciais, a maior taxa também foi registrada na faixa de até R$ 1.000
(6,75%). No Ceará, o índice de inadimplência encerrou o ano em 4,11%,
acima da média nacional.
Luciana
Lima, CEO da Gestart Condomínios, alerta que o aluguel dificilmente é o
primeiro gasto a ser cortado, pois a moradia é uma necessidade básica.
Dessa forma, a inadimplência locatícia é um forte indicativo de que a
sociedade, principalmente entre as classes mais baixas, vem enfrentando
maiores dificuldades para honrar com seus compromissos, até mesmo os
mais básicos.
Impacto nos condomínios
A
inadimplência também tem reflexos diretos na gestão condominial.
Segundo os dados, a falta de pagamento das taxas condominiais gera um
prejuízo anual de aproximadamente R$ 7 bilhões. Quando a arrecadação é
insuficiente para cobrir as despesas, os moradores adimplentes acabam
sendo penalizados, seja com o aumento das taxas ou com a redução de
serviços essenciais.
Luciana
Lima explica que a quota condominial funciona como uma espécie de
colaboração coletiva para cobrir os custos do empreendimento. Quando um
percentual significativo dos condôminos deixa de pagar, o condomínio
precisa compensar de alguma forma, afetando todos os moradores.
Consequências e soluções
A
persistência da inadimplência pode levar a medidas drásticas, como
ações judiciais e até a penhora ou leilão do imóvel. Por isso, é
fundamental que administradores e moradores busquem soluções conjuntas
para mitigar os impactos financeiros e garantir a sustentabilidade dos
condomínios. “Os síndicos podem partir para uma negociação mais amigável
e que caiba nas condições do morador, como acordos e Parcelamentos –
Oferecer opções flexíveis para condôminos em dificuldades financeiras,
evitando acúmulo de dívidas”, aponta Luciana.
O
cenário exige atenção e medidas proativas para evitar que a
inadimplência comprometa ainda mais o setor imobiliário e a qualidade de
vida nos condomínios brasileiros.
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