São Paulo, fevereiro de 2025 – Segundo o último relatório sobre a situação mundial de álcool, saúde e o tratamento de transtornos por uso de substâncias,
produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo 2 milhões
de mortes são atribuídas ao consumo de álcool e 0,6 milhão de óbitos
estão relacionadas ao uso de drogas psicoativas, por ano.
Já o Relatório Mundial sobre Drogas 2024, World Drug Report,
realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
(UNODC), aponta aumento do consumo de drogas e álcool no mundo. O
agravamento pode estar relacionado ao mercado de drogas, a oferta e o
acesso a novos opioides, substâncias analgésicas potentes que atuam no
sistema nervoso central, segundo o estudo.
Ainda
segundo o levantamento, no mundo, cerca de 292 milhões de pessoas
usaram drogas em 2022, um aumento de 20% em relação à década anterior.
Com 228 milhões de usuários a canabis representa a maior parcela entre
os usuários, na sequência os opioides com 60 milhões, anfetaminas (30
milhões), cocaína (23 milhões) e ecstasy (20 milhões de usuários).
O
uso de drogas impacta a saúde de 64 milhões de pessoas em todo o mundo,
contudo apenas uma em cada 11 pessoas recebem tratamento adequado. O
relatório indica ainda que as mulheres têm menos acesso a cuidados
comparado com os homens, a cada 7 homens uma mulher recebe atendimento
terapêutico.
Para o psiquiatra e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), Kalil Duailibi,
ele observa crescimento significativo no consumo de álcool desde o
período da pandemia. “A cada novo estudo os indicadores são ainda mais
alarmantes” “Campanhas de conscientização e prevenção de combate ao uso
de drogas e alcoolismo são de extrema importância, assim como o acesso
ao tratamento adequado”, comenta o psiquiatra.
“E
principalmente o cuidado dentro de casa, em especial, com as crianças e
os adolescentes, pois muitos comportamentos que são adquiridos entre a
infância e a adolescência tendem a se perpetuar na vida adulta”, afinal,
que exemplo estamos dando aos nossos filhos e netos? Segundo o médico,
os jovens que começam a beber antes dos 21 anos têm probabilidade quatro
vezes maior de desenvolverem dependência alcoólica. Além das questões
relacionadas ao desenvolvimento biológico, o início precoce do consumo
de álcool tem outros impactos importantes, pois aumenta o risco de
lesões corporais, o envolvimento em acidentes de trânsito, a
vulnerabilidade a riscos como gestação indesejada e o aparecimento de
doenças sexualmente transmissíveis.
“Este
é um alerta fundamental. Afinal de contas, a responsabilidade é de
todos: famílias, escolas, comunidade, profissionais de saúde, mídias e
governo. Precisamos atentar a este tipo de comportamento tão nocivo
antes que seja tarde demais. E o primeiro caminho, é, sem dúvida, a
prevenção e a informação”, conclui o psiquiatra.
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