JORNAL A REGIÃO
Nos Centros Especializados de Reabilitação (CERs) da Prefeitura de São Paulo, pacientes que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) contam com o apoio de um robô que utiliza dinâmicas semelhantes às de jogos de videogame para auxiliar na recuperação dos movimentos.
Diante de uma tela com atividades interativas, exercícios repetitivos dão lugar a tarefas inspiradas no cotidiano, como arremessar uma bola, pescar, pintar ou servir uma refeição. Cada movimento é monitorado em tempo real, com registro de dados como força, velocidade, trajetória e precisão.
A dona de casa Diana Gomes de Souza, de 47 anos, voltou a desempenhar tarefas simples após iniciar o tratamento. “Já até voltei a cozinhar e me coçar sozinha. Isso me dá mais esperança”, afirma. Ela sofreu um AVC em setembro de 2024 e está há um ano na terapia robótica, que começou com desconfiança.
“Olhei esse robozinho e achei que não ia me reabilitar”, relembra. Mãe de três filhos, Diana conta com o apoio do caçula, de 12 anos. “É por ele que estou melhorando e estou muito feliz.” Além da terapia robótica, ela recebe atendimento psicológico, ganhou cadeira de rodas, bengala e bota ortopédica.
Os números da Secretaria Municipal de Saúde refletem tanto o avanço da oferta pública quanto a crescente demanda por cuidados diferenciados após o AVC, com aumento de 74% entre 2021 e as mais de 17.600 pessoas atendidas em 2025 nas dimensões física, auditiva, intelectual e visual.
Entre as estratégias terapêuticas, a robótica vem ganhando espaço como aliada. Utilizado de forma complementar aos demais atendimentos, o Assistive Rehabilitation Machine (ARM), desenvolvido no Brasil, auxilia na recuperação dos movimentos dos membros superiores por meio de uma manopla.
Segundo Viviane Barreto Sales, terapeuta ocupacional, “o interessante do robô é a possibilidade de fazer uma avaliação inicial, verificando o quanto o paciente tem de força e precisão do movimento, para determinarmos o nível de suporte a ser oferecido na terapia".
"No final de cada sessão, é gerado um relatório com o desempenho do paciente para podermos planejar os próximos passos do tratamento”, explica. O sistema também ajusta automaticamente o nível de dificuldade, aumentando gradualmente os desafios conforme a evolução clínica.
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