Embrapii
vai receber recursos do Ministério da Saúde; anúncio foi realizado,
nesta quinta-feira (7), durante Reunião Plenária do Grupo Executivo do
Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GECEIS) em Brasília
A
Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) vai
receber R$ 70 milhões do Ministério da Saúde, para apoiar a execução de
projetos de PD&I do setor, especialmente dos segmentos farmacêutico e
farmoquímico, de dispositivos médicos e de tecnologias da informação e
comunicação. Os recursos podem viabilizar cerca de R$ 210 milhões em
investimentos a novos projetos para soluções tecnológicas que vão
fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde no país.
O
repasse foi anunciado durante a Reunião Plenária do Grupo Executivo do
Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GECEIS), em Brasília (DF),
quando foi realizada a apresentação do novo Marco Político e Regulatório
da Produção e Inovação da Saúde no Brasil. Durante o evento, a ministra
Nísia Trindade destacou números e resultados importantes para o
Ministério da Saúde, neste primeiro ano, entre eles os investimentos em
pesquisa e inovação.
“Um
investimento em inovação, dispositivos médicos e equipamentos, por
intermédio da Embrapii. Então quero também fazer esse destaque, que está
entre as principais ações que foram realizadas na área durante esse
ano. Além de todo investimento na área de pesquisa e inovação que
certamente vai confluir para esse nosso Complexo Industrial da Saúde”,
ressaltou a ministra.
As
ações da Embrapii voltadas ao desenvolvimento tecnológico de novas
soluções para a saúde estão alinhadas com as estratégias do Governo
Federal para suprir o SUS (Sistema Único de Saúde) com produção e
tecnologia locais, além de frear o crescimento do déficit comercial da
Saúde, de 80% em 10 anos. Em 2013, o déficit era de US$ 11 bilhões.
Atualmente chega a US$ 20 bilhões.
“A
Embrapii se constitui em um dos mais importantes veículos de promoção
da inovação da indústria do país e vem dando atenção especial à área de
Saúde, que hoje é, do ponto de vista do destino e das aplicações, o
segundo setor mais relevante da nossa carteira, representando 12,6% do
total de projetos. A Embrapii se soma a esse esforço, na parceria com o
Ministério da Saúde, esperando contribuir para a estruturação e o
desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde”, destaca o
presidente da Embrapii, Chico Saboya.
O
Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em
Saúde, Carlos Augusto Grabois Gadelha, chamou a atenção para o
fortalecimento da industria. “A gente, na Saúde, costuma dizer que quem
não tem músculo, não tem cérebro. A gente precisa de musculatura
industrial e produtiva para poder ser inovador global”, ressaltou.
“Vamos construir um complexo da Saúde inovador para o século XXI. Vamos
utilizar encomendas tecnológicas, contratos públicos, acordos de
compensação tecnológica, diálogos competitivos, convênios, subvenção
econômica em parceria com BNDES, Finep e Embrapii para a gente avançar
no processo de inovação”, completou.
A
Saúde está entre as áreas com maiores índices de projetos apoiados pela
Emrapii, sendo representada por 12,6% do total, dentro de um universo
de mais de 20 áreas diferentes. Desde a fundação, a Embrapii já apoiou
233 empresas do segmento de saúde no desenvolvimento de 263 projetos que
resultaram em 95 pedidos de propriedade intelectual. Ao todo,
considerando-se também os aportes feitos pelas empresas e Unidades
Embrapii, foram investidos R$ 252 milhões no desenvolvimento das novas
tecnologias, sendo R$ 96,64 milhões destinados diretamente pela Embrapii
em recursos não reembolsáveis.
Impacto social
Por
meio dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde, a Embrapii apoia
pesquisas para desenvolvimento de produtos como, por exemplo, IFAs,
fármacos, equipamentos médicos, além de novas soluções em biossegurança.
As inovações apoiadas possuem forte impacto social, proporcionando à
população melhores condições de diagnóstico e tratamento de doenças.
Esse
é o caso, por exemplo, de uma nova pesquisa que pode viabilizar, em
breve, a efetiva introdução de procedimentos de terapia fotodinâmica
para tratamento de câncer de pele do tipo não melanoma, considerado o de
maior incidência no Brasil, no SUS (Sistema Único de Saúde). O projeto
busca a validação de um novo medicamento para utilização nos
procedimentos de fototerapia, que possa ser usado em alternativa a uma
pomada de alto custo importada dos Estados Unidos, única disponível no
mercado capaz de reagir nas células tumorais para torná-las
fotossensíveis.
A
expectativa é de que o fármaco nacional tenha custo cinco vezes menor
do que a versão estrangeira, possibilitando que, de fato, a fototerapia
chegue ao alcance da população. A pomada já foi desenvolvida pela
Emipharma, uma startup localizada em São Carlos, no interior de São
Paulo, entretanto, o produto ainda precisa do aval da Anvisa, demandando
o desenvolvimento de uma metodologia rigorosa para garantir sua
segurança, eficácia, qualidade e estabilidade. E é justamente esse o
objetivo do projeto desenvolvido pela empresa com apoio da Embrapii e
orientação tecnológica da Unidade Embrapii IFSC-USP (Instituto de Física
da USP de São Carlos).
O futuro da Saúde
Em
setembro deste ano, a Embrapii e o Ministério da Saúde anunciaram R$ 15
milhões para o Centro de Competência Embrapii em Terapias Avançadas,
que vai trabalhar na formação de competências e desenvolvimento de
pesquisas para novas inovações na área de terapias gênicas, com foco no
tratamento de câncer e doenças raras monogênicas. A Sociedade
Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein foi
credenciada para gestão do Centro de Competência. Os recursos são
provenientes da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos
Estratégicos em Saúde (SECTICS), por intermédio do Programa Nacional de
Genômica e Saúde de Precisão – Genomas Brasil (GENBR).
O
Centro de Competência é uma estratégia para preparar a indústria da
saúde para o futuro e alçar o Brasil ao patamar das grandes nações que
pesquisam na fronteira tecnológica e dará contribuições relevantes para a
expansão da capacidade tecnológica de fronteira no campo das terapias
avançadas. Voltado à indústria e aos sistemas de prestação de serviços
de saúde, o Centro será um dos pontos de referência no país para a busca
de novas soluções em diagnóstico e tratamento de enfermidades
complexas, trazendo esperança a quem atualmente não tem alternativas
terapêuticas.
Visão estratégica
A
Embrapii nasceu em setembro de 2013 com a missão de compartilhar os
riscos da inovação com o setor produtivo para ajudá-lo a ser mais
competitivo. A partir de um modelo de negócio único no Brasil, que se
destaca pela agilidade e flexibilidade, a instituição investe recursos
não reembolsáveis em projetos de tecnologia industrial. O invetimento é
viabilizado por aportes dos Ministérios da Saúde, Ciência, Tecnologia e
Inovação, Educação e Desnvolvimento, Indústria e Comércio, e das
parcerias com Sebrae e BNDES.
Em
10 anos, a Embrapii investiu R$ 3,3 bilhões no apoio a 2.283 projetos
em parceria com 1.553 empresas. Para isso, conta com um importante
ecossistema de inovação formado por centros de pesquisas de excelência à
disposição da indústria. São 96 Unidades Embrapii espalhadas por todo
país, compondo uma rede de 10,3 mil colaboradores, sendo cerca de 7,3
mil pesquisadores de ponta.
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